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A(nota)mento – Barreiro e seus lugares
O POLIS – as memórias de um território

A(nota)mento – Barreiro e seus lugares<br>
O POLIS – as memórias de um território O POLIS é bem um exemplo, vivo e real, de uma mudança cultural essa, que tem vindo a motivar a aproximação da comunidade à sua zona ribeirinha, ligada ao crescimento. Sim, crescimento, que não é sinónimo de desenvolvimento.

Hoje pela manhã, fui dar uma volta pela zona do POLIS, ali, nos limites do território da cidade do Barreiro. Parte do POLIS é na Vila de Santo André. Parte do POLIS é no território da cidade do Barreiro ( antiga freguesia da Verderena, que integra a União ASAV).
Aquele território do actual concelho do Barreiro, que há 500 anos pertencia, e durante mais alguns séculos, depois, continuou a pertencer, ao concelho de Alhos Vedros, é uma zona linda.
Um dia num passeio com Augusto Cabrita, parámos por ali e, ele, deslumbrado apontava para a distância e dizia : “Este é o nosso Lago de Montreal”. Naquele tempo ainda estavam por ali, em ruínas, os restos da «Caldeira do Alemão». O POLIS era um sonho. Aliás recordo, quando um dia, nos anos 80, naquele local, o então Vereador Galrito, com uma planta, referia possiveis arranjos a realizar naquele espaço urbano, e, também, o arranjo das ribanceiras, que ligavam ao Bairro 25 de Abril, e a urbanização que poderia vir a nascer nas «escarpas» da Praia da Copacabana.

Depois recordo o projecto do POLIS. E as guerrilhas sobre o Pavilhão e o Parque Desportivo que devia nascer, na zona onde está o Campo do Barreirense, onde se sonhava um complexo desportivo Pavilhão e Estádio, para o FCB. Recordo comunicados e contra comunicados. Guerrilhas, que ficaram em águas de bacalhau. O tempo resolveu. Falênciads. Insolvências.

Recordo quando foi falado do primeiro projecto do POLIS, na gestão de Pedro Canário, cuja dimensão, da Recosta à Praia da Copacabana, não foi aceite, por José Sócrates, então Secretário de Estado do Ambiente, por ser uma área muito extensa, mas, coisa semelhante e extensa foi aceite em Oeiras. É vida.

E depois, há sempre um depois e um antes (hoje falar do antes, para alguns não é memória, é azia), então, com a redução da área do projecto, ficando outras fases para outras núpcias, arrancou o POLIS com Emidio Xavier.
Recordo o arranque das obras. Uma grande obra. Faltou lá o cartaz – Aqui há obra! Estamos a transformar o Barreiro. Aliás o mesmo podia ter feito Carlos Humberto. Ambos transformaram o concelho do Barreiro.

É isto o POLIS é um exemplo vivo de como o território de um concelho se transforma, e, nele se inscrevem memórias. Acções.
O POLIS é bem um exemplo, vivo e real, de uma mudança cultural essa, que tem vindo a motivar a aproximação da comunidade à sua zona ribeirinha, ligada ao crescimento. Sim, crescimento, que não é sinónimo de desenvolvimento.
O POLIS insere-se num pensamento estratégico que não é de hoje, tem décadas, esse de ligar a cidade ao rio. Um projecto feito com muito trabalho no terreno, muitos nós, muitas negociações, ontem e hoje, e, sabe-se que algumas até, que vão deixar facturas para os vindouros. O saneamento que ficou pendurado nas negociações das garantias bancárias. Pois. É a pressa do aqui há obra, e, no futuro, terá que haver outra obra, obviamente. Pagam os barreirenses.

Fui hoje visitar esta que penso ser a terceira fase de obra do POLIS. Gostei. Mantem uma ligação estruturante de toda a zona, deste a Vila de Santo André, até á Avenida da Liberdade. Cria zonas de estacionamento na área envolvente, valoriza aquela zona urbana, melhora a qualidade de vida. Um aplauso. Nota positiva.
Não gosto, no entanto, é da narrativa feita em torno da concretização deste projecto, mas, isso já não estranho, faz parte dos «fait divers», é tal narrativa para manter o clima dos azedos e aziados, do parado e da acção, dos que pensaram e não fizeram, e dos que não perdem tempo a pensar e fazem. É vida. O culto dos ódios de estimação.

É isso, os lugares têm memórias. E são as memórias inscritas nos lugares que desocultam as purezas das purezas, as impurezas das impurezas. Cada qual vive o seu drama, é isso, são as eleições de quatro em quatro anos. É por isso, só por isso, que gostam de dividir o mundo em antes e depois, que nada foi feito antes, que tudo esteve parado, que agora é que isto vai mudar, que agora é que o Barreiro vai para a frente. É vida.
Nestas narrativas de autoelogios, o que me incomoda é que continuamos a perder população, continuamos no guetto, continuamos a gerir o território com base num PDM caduco. Continuamos iludidos.
Nem somos carne. Nem somos peixe. Somos um território sem projecto.
Não se zanguem. Sei que não se pode ter opinião discordante da vossa. Mas, como devem saber, ainda vivemos em democracia, e, mesmo ter partido, não significa ser submisso. Disso fiquei vacinado. Nada me incomoda. E, enquanto houver democracia, hei-de dar opinião. Hoje como ontem. Escrevam lá isso, em letras garrafais.
Parabéns pela concretização desta terceira fase do POLIS, que não é nada de novo, nem é projecto do mandato. É obra, ponto final. Afinal, foi o concretizar o que já estava pensado – nem foi preciso pensar, foi fazer, concluir o negócio, que a CDU, sabe-se, estava em fase de conclusão.
Sim, afinal foi concluir mais uma fase importante e de louvar. Outras hão-de vir, dando continuidade a um projecto que primeiro foi sonho, depois foi projecto, depois foi acção. Um exemplo da ponte que existe entre o passado e o futuro.
Uma prova que o Barreiro não está parado nem há 40 anos, nem há doze, nem começou agora...
Parabéns pela obra realizada. Gostei.
E, não esqueçam, há mais vida para além da obra.
Divirtam-se!

António Sousa Pereira

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09.01.2021 - 13:51

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