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Barreiro – um concelho com cerca de 5 mil anos de história

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Barreiro – um concelho com cerca de 5 mil anos de história O municipio do Barreiro, com o seu actual território, foi constituido nos finais do século XIX. É mais novo que as suas mais antigas colectividades centenárias.

No dia 16 de Janeiro de 1521, D. Manuel I, no âmbito do processo de atribuição de forais, que já tinha sido iniciado por D. João II, entrega à Vila Nova do Barreiro a «Carta de Vila», que não sendo uma «Carta de Foral», era equivalente a Foral, dando-lhe a partir de então a autonomia administrativa.

O autonomia administrativa do Barreiro nasceu portanto há 500 anos, há quem diga que nasceu o municipio, embora o conceito municipio tenha sido desenvolvido no século XIX, admitamos que sim, que o o «foralismo» é o embrião do «municipalismo».
A Câmara Municipal do Barreiro este ano a propósito dos 500 anos da atribuição da «Carta de Vila» - equivalente a Foral - à Vila Nova do Barreiro, vai desenvolver um programa para celebrar esta efeméride «500 anos do municipio do Barreiro».
É uma efeméride que deve ser festejada, por todos, os naturais do barreiro e os que para aqui vieram residir e fizeram desta a sua terra. Esta é uma celebração de todos os barreirenses e não só dos que são do Barreiro. Ser barreirenses é sentir esta terra como sua e senti-la no coração.
Se me permitem, eu que não nasci no Barreiro, eu que não sou do Barreiro, tenho orgulho de ser barreirense, e tenho amor por esta que é a terra dos meus filhos. A terra onde aprendi a amar a Liberdade.

Mas, a propósito desta efeméride quero recordar que há 500 anos atrás, naquela época, século XVI, quando a Vila Nova do Barreiro recebeu a «Carta de Vila, equivalente a Foral, embora de menor significado que «Carta de Foral», a parte do actual território do municipio do Barreiro, que integrava o concelho criado por D. Manuel I, limitava-se a uma área aproximadamente à da antiga freguesia do Barreiro, entre a zona do Pingo Doce e perto do POLIS.
Portanto, naquela época grande parte do actual território, do actual municipio do Barreiro, não integrava a Vila Nova do Barreiro, porque, ou pertencia administrativamente ao concelho de Coina, ou ao concelho de Alhos Vedros, e, a partir de 1670, ao concelho do Lavradio.

O 16 de Janeiro de 1521 é uma efeméride de referência na história da vila do Barreiro, da cidade do Barreiro e do concelho do Barreiro, mas, em rigor histórico, não estamos a celebrar 500 anos do actual concelho do Barreiro. Este, o actual, com o seu território de hoje, nasceu nos finais do século XIX.

No território do concelho do Barreiro estão inscritas muitas memórias. A «Carta de Vila» da Vila Nova do Barreiro. A «Carta de Foral» de Coina. O concelho do Lavradio. A Vila de Santo André. Tudo isso são importantes memórias.
O território do actual concelho do Barreiro é de uma riqueza enorme cultural, humanista, tecnológica, e, de facto, neste território estão inscritas referências que se ligam à história de Portugal e até à história europeia.

Este é, sem dúvida, um território marcado por diversidades culturais, por uma identidade feita de identidades centenárias. O concelho do Barreiro foi sendo formado por diversas raízes, vindas de Coina, de Alhos Vedros, com ligações ao crescimento económico regional, com a indústria do sal, com a indústria naval, com a actividade portuária, com a pesca, com a agricultura, com a industria da cortiça, com a ferrovia, com a indústria metalomecânica, com a indústria quimica, com a construção civil, com o comércio, com a vida própria, com o dormitório. Um concelho com familias. Um concelho com raizes, um concelho com uma afirmação e uma identidade cultural. Uma diversidade que faz a sua unidade. A vila do Barreiro é uma dessas identidades.
Este é um concelho polinucleado. Essa a sua enorme potencialidade.
Como dizia um amigo meu, a história de uma comunidade, faz-se no seu território, com a sua actividade económica especifica, que trás consigo pessoas e são as pessoas que fazem a história desse território, porque são as pessoas que lhe dão identidade cultural. É isso a identidade cultural de uma comunidade a sua vida cultural. O sentir, o pensar e o saber comunitário. O orgulho de pertença.

Uma das grandes riquezas do concelho do Barreiro está nessa sua realidade de ser por um lado um fruto de uma população autóctone ( que se liga do Barreiro ao Lavradio, da Telha a Palhais, de Santo António à Penalva), familias e lugares que, ao longo de séculos, sempre acolheram solidariamente, gentes vindas de muitos lados, integrando-as, incluindo-as, fazendo comunidade. Fazer comunidade, é coisa que se forja nas ondas do rio, na vizinhança das ruas e dos bairros. No campo, na fábrica, na escola, no viver cidadania activa.

O concelho do Barreiro no seu actual território, este, sim este, que é real, esse que deu origem ao actual municipio – da Ilha do Rato a Coina - vai comemorar na próxima década os seus 150 anos. Uma história recente. Uma história que orgulha os barreirenses, que cá nasceram, que para cá vieram, uma história que se escreve com a palavra Liberdade. Uma epopeia. Uma história que está por escrever e só ela, era, podem crer, um nicho de turismo, de diferenciação de um território.

O concelho do Barreiro, no seu actual território ( não aquele de 1521) recebeu heranças do concelho de Alhos Vedros, do concelho de Coina, do concelho do Lavradio. Um potencial.
O concelho do Barreiro do território de 1521 que, nem sequer é o território da actual cidade do Barreiro ( porque a cidade integra apenas as antigas freguesias do Barreiro, Alto do Seixalinho e Verderena), esse de 1521, é o concelho da antiga freguesia do Barreiro.
O concelho do Barreiro do território de 1521, não integra a Vila do Lavradio, nem a Vila de Santo André, nem a Vila de Coina, e, nem sequer a totalidade do território da sua actual divisão administrativa que são quatro as freguesias: Santo António da Charneca, União de Palhais e Coina, União do Barreiro e Lavradio; União do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena.

O Lavradio é um lugar cujo conhecimento remonta ao século XIII. O Barreiro é um lugar cuja memória remonta ao século XIV. A Vila de Coina essa remonta ao século XII.
E tudo isto que integra este território do actual concelho do Barreiro, é nele, que estão estão inscritas essas memórias. A história, a nossa história territorial.

Sim, sublinhe-se que, nesse território do actual concelho do Barreiro, é reconhecido ao nível europeu, e, sabemos, está georeferenciado, um lugar considerado como um dos pontos históricos do Neolitico. Neste território, nas margens do Rio Tejo, está registado um dos pontos da revolução neolitica, quando o homem começou a ser sedentário da fazer comunidade, a dedicar-se à agricultura, à pesca, à produção de sal, a usar o o boi para lavrar.
Sim, ali, na Ponta da Passadeira está inscrita, esta história deste território, que faz parte do actual concelho do Barreiro, uma vivência humana com cerca de 5.000 anos. Um dos pontos do inicio da sedentarização humana na Europa, no Neolitico final, entre 4700 - 4460 anos ac.

O concelho do Barreiro, portanto, no seu actual território tem inscrita uma história com cerca de 5 mil anos.
Celebremos os 500 anos do Carta da Vila, que dá autonomia à Vila Nova do Barreiro. Dá-lhe foral, porque lhe dá autonomia administrativa.
Celebremos, todos, os barreirenses que cá nasceram e os barreirenses que para cá vieram viver e desta fizeram a sua terra O concelho do Barreiro é de todos os cá vivem, porque todos os cá vivem constroem o Barreiro, fazem Barreiro, vivem Barreiro. Vivamos o concelho do Barreiro como uma comunidade, feita de diversidades históricas e culturais. Honremos o passado. Construamos o futuro.
O Barreiro terra de muita gente, vinda de muitos lados, merecidamente, recebe a distinção de «Rosto da Semana».

António Sousa Pereira

17.01.2021 - 19:05

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