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A(nota)mentos - Barreiro
Wi-fi, populismo, demagogia e bala de prata

A(nota)mentos - Barreiro <br>
Wi-fi, populismo, demagogia e bala de prata<br>
O Barreiro precisa de emprego, precisa de atrair investimento.
Obrigado ao PSD, que faz trabalho de casa, podemos discordar, mas, tem uma agenda politica.
Obrigado à CDU, que faz trabalho de casa, podemos discordar, mas, tem uma agenda politica.
Sim, basta de balas de prata, populismo e demagogia.

Houve um tempo que possuir uma televisão, uma máquina de lavar, um carro, tudo isso era um luxo. Todos os produtos quando são novos no mercado, começam por ser um bem que só alguns têm acesso. Depois na medida que o mercado vai ficando preenchido ou, até, devido, às leis da concorrência, os produtos começam a vulgarizar-se, o acesso é mais prático, normaliza-se, assim, o que era um luxo, passa a ser uma banalidade, através da massificação.

Foi assim com os rádios, as televisões, as máquinas de lavar, os carros, telemóveis, os computadores, os tablets. O que inicialmente era luxo, depois passa a ser uma necessidade de todos – um bem comum.
O mesmo aconteceu nas duas últimas décadas, com a Internet, os computadores, os tablets, as linhas RDIS, o wireles, wi-fi, e, certamente irá acontecer com outros produtos que já estão a nascer e outros sendo inventados.
Inicialmente são caros, portanto, nem todos terão acesso apesar de serem essenciais nas vivências da actualidade, que fazem este mundo em transformação.

Recordo como o acesso a um telemóvel era um luxo. Recordo como o acesso a um computador era um luxo. Recordo como, mesmo tendo telemóvel e computador, não se viajava pela internet com a facilidade dos tempos de hoje, porque os custos eram elevados. Eram custos elevados ao nível individual e mesmo ao nível empresarial, ou institucional
Hoje banalizou-se. Hoje, tudo isto deixou de ser luxo e passou a ser uma ferramenta essencial, no mundo empresarial, nas escolas, nas relações humanas.

Recordo quando, não há muito tempo, começou com mais intensidade o processo de instalação de computadores nas escolas. Em algumas escolas por acção do Poder Local – Câmara ou Juntas de Freguesia - outras das próprias escolas, com os seus recursos. Tanto que foi feito, eram os primeiros passos.
A Câmara Municipal do Barreiro por exemplo, ali pelo ano 2015 e 2016, instalou em todas as bibliotecas das escolas da rede pública, computadores e rede wireless – essa que, então, tinha falhas constantes e até custos que não aconselhavam a usos exagerados.
Sistemas que não avançaram por dificuldades financeiras. Há pessoas que não sabem o que é viver com dificuldades financeiras.

Por exemplo, ali pelo ano 2008, quando começou a moda do wi-fi nos cafés, ou espaços públicos, o Barreiro foi um dos concelhos que criou rede wi-fi no Mercado 1º de Maio.
E isto, é assim, é natural, na medida que as tecnologias se tornam mais acessíveis e mais baratas, os produtos – hardware ou Software - vão se massificando e banalizando na vida quotidiana, nas empresas, nas escolas e nas instituições.

Neste sentido, se no passado foram dados passos na melhoria de recursos, hoje, é normal até, pela maior facilidade de condições de compra e de custos de utilização, que se decida melhorar e intervir nesta área. Sabemos até que há programas, de fundos comunitários, alguns recentes, muito recentes, que abrem caminho para melhorar e equipar serviços e escolas com estes recursos.
Por essa razão, quem, nos dias de de hoje, quem dirige municipios, deve estar atento, utilizar financiamentos, e, fazer, aquilo que outros não fizeram, não porque não quisessem fazer, mas porque não existiam condições técnicas, nem financeiras.

Recordo, por exemplo, na Câmara Municipal do Barreiro, foi realizado um imenso investimento, na gestão de Pedro Canário, na aquisição de computadores, na formação dos recursos humanos, para melhorar a rentabilidade e a operacionalidade dos serviços. E que custos para a época. Não havia wi-fi nesse tempo.

Avançamos dez anos no uso de tecnlogias digitais

Entretanto, é importante recordar, que os tempos de hoje, a pandemia do COVID, como, um destes dias, referia um especialista do Instituto Superior Técnico, numa acção promovida pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, veio dar um contributo para avançarmos uma década no uso das tecnologias digitais.
Por exemplo o teletrabalho, que, previa ser uma prática empresarial dentro de uma década, estes tempos de confinamento, motivaram o seu desenvolvimento acelerado, o mesmo aconteceu com o ensino, onde foram dados passos na implementação das aprendizagens através de plataformas digitais, dinamizando-se o ensino à distância, colocando-se a necessidade imperiosa de fazer investimentos, adquirir computadores, instalar sistemas wi-fi, isto era inadiável. Avançamos no tempo aceleradamente. Tivemos que avançar aceleradamente. A pandemia obrigou a acelerar a cultura digital.

Soube ontem no decorrer da reunião da Assembleia Municipal do Barreiro que, dando continuidade ao que tinha sido feito antes, no instalar wi-fi nas Bibliotecas de todas as escolas do concelho, agora, neste mandato, foi o processo alargado às salas de aulas. Muito bem, é de louvar.

Mas, decidi escrever este texto porque fiquei admirado, nem percebi, qual a ligação que existia entre este investimento, e, aquilo que estava em debate, o importante documento estratégico apresentado pela CDU, acerca do pensar o futuro do Barreiro, e, a proposta do PSD para que seja debatida uma ideia para fazer face aos efeitos da pandemia.

Fiquei a pensar e entendi, afinal, é sempre a mesma cassete, aquela narrativa que encontramos o Barreiro estagnado, sem inovação, ainda existia REDE RDIS nas escolas, e, só agora foi mudada, e, coisa e tal, não fizeram nada pelo Barreiro. Cansa mesmo.
E depois a avaliação do documento da CDU como sendo uma espécie de «bala de prata».
E que a CDU está sempre à espera que sejam outros a resolver os problemas.
E que, agora, não há «bala de prata», há trabalho, porque os outros não resolvem os nossos problemas.
E, depois da CDU levar, levou o PSD, que se atreveu a afirmar que a CMB não percebe o tempo que aí vem, e, quem se atreve a dizer uma coisa destas só tem um nome – populista e demagogo, sendo, até, subtilmente empurrado para as mãos da extrema direita.
Fico admirado, porque o PS Barreiro tem um acordo politico com o PSD Barreiro. Como é que um partido de esquerda não tem coragem de rasgar o acordo que assinou com um partido que, pelo dito, nos dias de hoje, está quase nas mãos da extrema direita, é populista e demagogo. Ou isto é filme para video. Ou então é muito estranho. Não diz a bota com a perdigota.

E, depois, seguiu-se o rol do ranking. Somos dos que fizemos mais investimentos no âmbito do combate ao COVID, reconhecido pelo Tribunal de Contas. O segundo concelho que mais investiu no distrito de Setúbal.
Mas, não são explicados, nem esclarecidos quais são ditos investimentos, nem em que áreas, nem com que objectivos, nem sequer se há alguns resultados. Isto, aliás, já foi perguntado na última reunião de Câmara, esperemos que existam respostas na próxima sessão da Assembleia Municipal do Barreiro.
Se os investimentos forem todos como aquele que está apontado para o Movimento Associativo -122 mil euros. É de bradar ao céus.
Os 70 mil para a cultura esses vieram das bandas da AML.

Afinal, quando numa reunião da Assembleia Municipal do Barreiro são apresentados documentos, com visões partidárias, certo, mas que, pelo seu conteúdo, merecem reflexão de todos, envolvimento nas diferenças, então, se a opção é eliminá-los do debate, com a conversa que estamos em tempo pré-eleitoral. Não vamos lá.

Puxar de balas de prata, de populismo e demagogia para fugir ao debate, é muito estranho. Por isso gostei de Isidro Heitor, esse sim, disponível para dar o corpo às balas. Vamos ao debate.

E, penso, penso mesmo, que é urgente que se faça reflexão sobre matérias de relevo para o concelho.
É preciso envolver todas as forças politicas. Não com é ficar pela cassete - mandem contributos.
É preciso discutir, com opções, com as diferenças. Debater ideias, ir para além da banalidade, não fizeram nada – a bala de prata, o populismo, a demagogia.
É preciso mobilizar os politicos, os empresários, os dirigentes associativos, as escolas, as instituições, para fazer desta crise uma oportunidade. É preciso coragem!
Reduzir o debate politico a adjectivações - – balas de prata, populismo, demagogia - é não olhar a história, é não sentir o concelho que somos, é estar adiar, por receio do confronto com seriedade, a importância de fazer pensamento estratégico.

O Barreiro precisa de ter voz, uma voz, muitas vozes, que motivem o governo central a colocar o Barreiro na sua agenda – a Baía do Tejo, o território ferroviário, a Mata da Machada, a centralidade de Coina na Península, a ponte Barreiro Seixal, e, mesmo não sendo para o tempo da «bazuka», não desistir da TTT, porque não inicialmente ferroviária. O aeroporto, seja a opção Montijo, Alcochete ou Beja, não impede nada disto, antes pelo contrário, exige que se pense o planeamento do território com esta agenda, e, essa agenda, é nossa no plano do pensar cidade, mas é do (s) governo(s) e, quase tudo isto, só o fazemos com os outros. Sim com os outros.

O Barreiro precisa de emprego, precisa de atrair investimento.
Obrigado ao PSD, que faz trabalho de casa, podemos discordar, mas, tem uma agenda politica.
Obrigado à CDU, que faz trabalho de casa, podemos discordar, mas, tem uma agenda politica.
Sim, basta de balas de prata, populismo e demagogia.
Por este andar, temos w-fi nas escolas e uma cidade sem luz ao fundo do túnel.
Divirtam-se!

António Sousa Pereira

26.02.2021 - 19:56

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