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ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...
Um rosto convidado...Susana Talete
É necessário um novo aeroporto? Claro que sim!

ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...<br>
Um rosto convidado...Susana Talete<br>
É necessário um novo aeroporto? Claro que sim! Quem é que vai passear no Parque da Zona Ribeirinha da Baixa da Banheira se tiver aviões a sobrevoar de 5 em 5 minutos (segundo as estimativas) a baixa altitude? Qual o doente que pode descansar e recuperar a sua saúde no hospital do Barreiro com o constante barulho dos aviões?

ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...

Ao aceitar o convite para “escrever o que me vai no coração” pensei imediatamente num assunto que me angustia e revolta e que está na ordem do dia: a construção do Novo Aeroporto de Lisboa na Base Área do Montijo. Com décadas de avanços e muitos recuos em relação à localização do novo aeroporto, o Governo conseguiu decidir pela pior solução: construir o aeroporto em pleno Estuário do Tejo, com todos os impactos ambientais negativos que daí advém e com prejuízos óbvios para a qualidade de vida, para o bem-estar e para a saúde de milhares de habitantes dos concelhos do Barreiro e da Moita.

Subjugado aos interesses da ANA, a empresa responsável pela gestão de aeroportos em Portugal Continental, integrada na VINCI Airports, o Governo ignora os interesses do país, a qualidade ambiental, a segurança e saúde da população e ignora, na realidade, o desenvolvimento da região e do país.

É necessário um novo aeroporto? Claro que sim!

O aeroporto da Portela está esgotado e também mal localizado, sendo prejudicial para população de Lisboa? Claro que sim!
Então, vamos tentar não fazer mais um erro que é construir um aeroporto que, além de ser prejudicial ao ambiente e à população, só permite a criação de uma pista, não tem possibilidade de crescimento e, em termos de criação de emprego e de desenvolvimento da região, é quase insignificante pela dimensão que vai ter.

Será que os defensores da construção do Novo Aeroporto no Montijo se questionaram:
Quem é que vai passear no Parque da Zona Ribeirinha da Baixa da Banheira se tiver aviões a sobrevoar de 5 em 5 minutos (segundo as estimativas) a baixa altitude? Qual o doente que pode descansar e recuperar a sua saúde no hospital do Barreiro com o constante barulho dos aviões? Qual a criança, em qualquer escola destes concelhos, que consegue aprender e concentrar-se nestas condições?
O que vai acontecer às embarcações tradicionais do Tejo que vão ver condicionada a navegação? Qual a dimensão da desgraça se houver um acidente na zona industrial?

Será que a Câmara Municipal do Barreiro não sentiu vergonha ao aprovar um parecer positivo à construção do aeroporto no Montijo, colocando em causa o bem-estar, a saúde, a qualidade de vida da população que o elegeu? Será que também não sentiu vergonha quando o Governo aprovou, recentemente, a proposta de lei que prevê a dispensa do parecer favorável das autarquias na construção de aeroportos civis nacionais, revelando um total desprezo pelo Poder Local Democrático?

Eu sinto vergonha quando as pessoas que são eleitas para defender os interesses das populações e do país tomam decisões destas!
Não posso terminar este texto sem escrever que também me vai no coração o carinho pelo António Sousa Pereira e a gratidão por manter o Rostos ativo, interventivo e independente. Obrigada!

Susana Talete
Barreirense, técnica de informação

01.04.2021 - 14:04

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