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ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...
Um rosto convidado...Ana Lourenço Monteiro
Comunicação Positiva, uma nova matéria nas salas de aula?!

ESCREVE O QUE TE VAI NO CORAÇÃO...<br>
Um rosto convidado...Ana Lourenço Monteiro<br>
Comunicação Positiva, uma nova matéria nas salas de aula?! «A roda já foi inventada há muitos anos». Só temos que analisar e aprender com a história e as estórias. E devemos encarar a vida como uma oportunidade para aprender todos os dias, é ou não é?



Comunicação Positiva, uma nova matéria nas salas de aula?

«Abril, sonhos mil…!» No designado «mês da Liberdade», deixo-me levar pela vontade de dar asas «ao que me vai no coração». A convite do ‘Rostos’, falo de Comunicação.

Se há uns anos, quando fui acarinhada por este jornal com o ‘Prémio Rosto do Ano da Comunicação Social’, dizia que «o Jornalismo ‘está-me’ no Sangue», à luz dos dias de hoje retifico de acordo com o que sempre fui e com o que faço (profissão): a Comunicação está em todos os meus poros.
E, na verdade, deveria estar em todos nós, seres humanos, sociáveis, pensantes, que podem fazer da Comunicação a melhor ferramenta para perceber algo, agir, refletir, evoluir… quase que como uma ferramenta de autogestão, digamos. Quanto melhor nos soubermos «gerir» a nós próprios, melhor os dias correm e, simplificando, menos a culpa calha a ser sempre «do outro», do vizinho, do professor, do chefe, do Governo... e melhor saberemos gerir algo, uma empresa, uma instituição, uma entidade, em equipa, em sociedade.

Recordo palavras que, a título pessoal, escrevi e partilhei em janeiro deste ano nas ‘minhas’ redes sociais a propósito de Comunicação Positiva. Pois, é verdade! "Essa" estratégia, tão difícil de implementar e ainda mais de manter.
Cito-me: quando se estuda Semiologia, Retórica, Liderança, História entre outras áreas de estudo, não é muito difícil de perceber que só colocando a Comunicação como principal «arma» aliada à Psicologia e a outras áreas das Ciências Sociais e Humanas se poderá ter algum «poder» sobre o equilíbrio emocional das massas e consequente controlo comportamental.
Disse-o e repito-o, quantas vezes forem necessárias. E a isso muito está associado o ângulo que se adota em termos de estratégia de Comunicação, sendo claramente evidente que a Comunicação Positiva (não, não é falar só sobre coisas boas e bonitas) tem um impacto muito maior no envolvimento e na adesão voluntária do outro - das pessoas, da população, da sociedade - aos objetivos que se pretendem atingir.

Isso é visível em diversas situações que ocorrem, como nos dias atuais com a situação pandémica que ainda nos atinge ou até mesmo nas decisões de voto...
Uns dizem que há partidos que estão “a perder força” enquanto que outros a ganham pela mão dos seus «protagonistas». Outros que “agora vota-se nas pessoas”, quando considero que assim é há muito tempo...
Outros, ainda, dizem que, “nas notícias, só aparece a mesma coisa (pandemia)”. O próprio Governo, um ano depois desta nos ter atingido, «descobriu» a pólvora e decidiu criar uma task force com cientistas comportamentais para ajudar na comunicação à população. Felizmente com algum entendimento e trabalho feito na especialidade de Comunicação. ‘Mais vale tarde do que nunca!’ - pensei eu.
Se a informação «certa» existe, é imperativo «processá-la e adaptá-la» a diferentes personas, por forma a que chegue aos ouvidos e à mente de cada um de nós, pelos meios de comunicação certos, nos momentos oportunos e onde as pessoas realmente estão. É um passo fulcral para o entendimento e consequente envolvimento. E, neste momento, o foco deve ser fazer «saltar» tanta informação útil que existe inclusive no site da Direção Geral de Saúde para fora dele, sobre vacinação, testagens, desmontando possíveis mitos que se criam.

Pois é, como a Comunicação e as estratégias comunicacionais têm um papel imprescindível nisto tudo... seja no campo político, seja no campo de atuação dos Órgãos de Comunicação Social, de um Governo, das empresas, das instituições, das diferentes entidades e organismos. Até em cada um de nós enquanto indivíduos...
Tal leva-me a pensar no quão relevante seria implementar uma disciplina - ou só que fosse um «espaço» nos programas educacionais e de cidadania - em que fosse possível trabalhar a Comunicação, a Comunicação Positiva, com os alunos. Momentos dedicados a cultivar mentes, não para influenciá-las, mas para «abri-las» ao mundo e a dar-lhes instrumentos que permitam ir mais longe.

No «mês da Liberdade» dou por mim «a sonhar» que nas escolas «do futuro» vamos todos, desde pequeninos, ter educadores / professores/ profissionais de Comunicação ou outras Áreas Sociais e Humanas a transmitir-nos como saber filtrar onde devemos recolher informação, trabalhar os porquês de devermos interpretar o que lemos/vemos, a levar-nos a refletir sobre as informações e a pertinência de formularmos opiniões que conduzam a possíveis ações. Um trabalho que «desmonte» o quão importante é saber como falar com o outro com vista à reação que se pretende obter, um exercício que elucide que nem tudo o que pensamos necessitamos de partilhar, uma prática que permita refletir se vale sempre a pena questionar a opinião do outro ou se tudo vale a pena para defender que «a minha opinião é a que está certa e a do outro não», trabalhando-se a tolerância e o respeito, a empatia e a inteligência emocional, a liberdade de expressão e, em simultâneo, os direitos e os deveres de todos nós enquanto seres que convivem numa mesma sociedade.
E não é que tudo isto vai dar ao conceito de Liberdade…
E será que esta possibilidade corresponderia a novas oportunidades relacionadas com a docência?
E, com tudo isto, não se duvide que todos sabemos que esta «formação» é sempre uma formação posterior a outra que deve ser trabalhada, previamente e de forma complementar, pelos pais ou cuidadores de cada criança: a formação interior.
Mas, fiquemos por aqui porque, para mim, conversar sobre Comunicação é como «comer cerejas», percebem? Apenas friso - como dizendo a uma criança de 5 anos - que «o que se diz e como se diz faz toda a diferença!», seja em casa, no trabalho, no país ou no mundo.
«A roda já foi inventada há muitos anos». Só temos que analisar e aprender com a história e as estórias. E devemos encarar a vida como uma oportunidade para aprender todos os dias, é ou não é?

Ana Lourenço Monteiro,
Mestre em Ciências da Comunicação – Variante de Estudo dos Media e do Jornalismo.

02.04.2021 - 09:49

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