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A(nota)mento do Dia
As celebrações dos 500 anos que estão inscritas no território do concelho do Barreiro

A(nota)mento do Dia <br>
As celebrações dos 500 anos que estão inscritas no território do concelho do Barreiro<br>
Faz hoje 24 anos que nesta cidade, Barreiro, foi vivido um momento histórico de dimensão nacional.
A Marinha escolheu esta terra, plantada à beira Tejo e Coina, para celebrar os 500 anos da partida da Armada de Vasco da Gama, de Belém, em Lisboa, rumo à India, que aconteceu em 8 de Julho de 1497.

Uma epopeia relatada no «Roteiro da Viagem que em Descobrimento da Índia pelo Cabo da Boa Esperança fez D. Vasco da Gama em 1497", escrito por Álvaro Velho, do Barreiro. Que outros dizem de Alcochete.

Por essa razão, há 24 anos atrás, no dia 8 de Julho de 1997, nos 500 anos da partida de Vasco da Gama rumo à India, o Barreiro viveu com pompa e circunstância essa efeméride. A terra do autor desse manuscrito referido como o «Diário de Bordo». Razão que motivava José Caro Proença a defender que Álvaro Velho tinha sido o primeiro jornalista português. O repórter da viagem de Gama.

Mas, será que o Barreiro teve assim tão grande importância na epopeia dos Descobrimentos, e, cá estamos de novo a voltar a essas coisas da história e das estórias.
De facto de uma forma ou outra o território que hoje pertence ao concelho do Barreiro na época pertencia a Alhos Vedros, o Barreiro era um lugar de menor importância quer administrativa, quer no plano económico. E mesmo quando o Barreiro recebeu a «Carta de Vila», em 1521, o território onde provavelmente existiam actividades de apoio à epopeia maritima, nada tinha a ver com o Barreiro.
Não sou eu que o digo, são historiadores, que investigaram com documentos e factos. António Gonçalves Ventura – com tese de Mestrado e tese de Doutoramento que abordam estas matérias – com obras publicadas que permitem perceber e entender esta realidade histórica e epocal.

Uma coisa é o território do actual concelho do Barreiro integrar os Fornos de Cerâmica da Mata da Machada, os descobertos, e os que estão por descobrir. Outra coisa era naquela época dos descobrimentos essa zona «industrial« nada ter a ver com o Barreiro.

Significa isto que o Barreiro não deve valorizar este facto de no seu território actual estar inscrita alguma pegada dos descobrimentos. Claro que não. Pode e deve, por essa razão, naquele tempo que o Barreiro para alguns não existiu foi, na verdade, aqui, nas margens do Tejo e Coina que a Marinha e Portugal, assinalaram os 500 anos de uma data que faz parte da história da humanidade - 8 de Julho.

Pelos vistos, não é só de hoje que se comemoram 500 anos de história de factos inscritos neste território que hoje é o concelho do Barreiro. É que há mais história que a história que se quer reescrever, a história que se quer apagar e a história que está por escrever.

Era giro, por exemplo, pensar o que era o Barreiro, nesses anos 90 do século passado. O que se dizia do PDM. A cidade do betão, que naquele tempo era, agora já não é, enfim. Os sinais da desinsdustrialização que começavam a ferir a comunidade, os estudantes que ainda saiam à rua. A implosão das chaminés da Quimiparque. Tanta coisa. Para uns era o fim da história. E, afinal, há tanta história que ainda está por escrever.
É tudo. Fico por aqui, é só para recordar que há muitos 500 anos a celebrar no território do concelho do Barreiro. Até Coina celebrou 500 anos de Foral.

António Sousa Pereira

08.07.2021 - 23:57

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