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A(nota) mento – Barreiro
Por favor, salvem uma chaminé!

A(nota) mento – Barreiro<br>
Por favor, salvem uma chaminé!<br>
No dia que cair a última chaminé, será a concretização da marca do tempo, que é referida por Ana Lourenço Pinto, como simbólica no painel de azulejo, na Torre do Relógio, do Bairro Operário, ali, onde a morte está presente lembrando de forma permanente que o tempo tudo consome…

Recordo hoje, dia 22 de Agosto, o livro «Arte, Arquitectura e Urbanismo na obra da CUF no Barreiro( 1907 – 1975) de Ana Lourenço Pinto, no qual a autora sublinha o papel desempenhado por um Grupo Civico de barreirenses, para que se concretizasse o processo de classificação pela Direcção-Geral do Património Cultural como «conjunto de interesse público» de um conjunto de edifícios no território da antiga CUF, agora gerido pela Baía do Tejo.

Um livro que aconselho a ler, não só por proporcionar uma viagem pode dentro do património industrial, como até, por nos permitir conhecer alguns aspectos antropológicos da vida local e comunitária.

Recordo hoje, dia 22 de Agosto, data que assinala 79 anos da morte de Alfredo da Silva, um nome indissociável desse património, um nome indissociável da cultura e da memória da vila-cidade do Barreiro.

Recordo hoje, neste ano, que foram assinalados os 150 anos do nascimento de Alfredo da Silva, efeméride que, passou um pouco à margem da comunidade barreirense, contrariamente há celebração, no ano 2006, do centenário da instalação da CUF no Barreiro, que envolveu um projecto articulado por um Grupo de Trabalho, que integrou representantes da Câmara Municipal do Barreiro, da CUF e da Quimiparque.

E recordo hoje, porque este é um tempo que muito se fala sobre a defesa e preservação do património e o papel da memória e do património na valorização da identidade de uma comunidade.

Na obra “Augusto cabrita - Na: o Barreiro Anos 40-60”, Jorge Calado, escreve- “O Barreiro fotográfico é animado pelas chaminés das fábricas da CUF”, e, acrescenta – “No Barreiro as chaminés dominam a paisagem”.

Tenho dentro de mim, as imagens da implosão das chaminés, na altura que existia a Quimiparque, nos anos 90. Este foi um dos sinais mais marcantes do fim de uma história industrial, única, de referência ibérica e europeia, onde bebeu experiência e recolheu saberes, na construção de um modelo industrial de um homem com interesses económicos e com visão inovadora, um aspecto abordado, nesta obra de Ana Lourenço Pinto.

Neste dia 22 de Agosto, em memória de Alfredo da Silva, em memória de uma epopeia industrial, em memória da identidade de uma comunidade, aqui fica um registo, para memória futura – Salvem uma chaminé na zona industriai. Escolham uma, que seja classificada, que fique no território como memória dessa paisagem industrial, como preservação de um património industrial e da cultura de uma comunidade.

Fala-se em preservação de património ferroviário. Fala-se em preservação de algum património já classificado como de interesse público, o qual não integra a preservação de uma única chaminé do território industrial da antiga CUF.

No dia que derrubarem todas as chaminés, na nossa PAISAGEM desaparece a memória da nossa história industrial, de Alfredo da Silva, dos operários, engenheiros, empregados de escritório, homens e mulheres que fizeram a cidade que somos e fomos.
No dia que cair a última chaminé, será a concretização da marca do tempo, que é referida por Ana Lourenço Pinto, como simbólica no painel de azulejo, na Torre do Relógio, do Bairro Operário, ali, onde a morte está presente lembrando de forma permanente que o tempo tudo consome…
Por favor, não deixem que o tempo faça cair o mais belo monumento da nossa paisagem urbana.
Por favor, salvem uma chaminé!

António Sousa Pereira

22.08.2021 - 23:09

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