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Barreiro - Por dentro dos Dias
50 anos de Abril…a Liberdade, a Liberdade!

Barreiro - Por dentro dos Dias<br />
50 anos de Abril…a Liberdade, a Liberdade! Ontem, dia 24 de abril, ao fim do dia, em vésperas de celebrar os 50 anos do 25 de abril, participei numa conversa, na Escola D. Luis Furtado de Albuquerque, numa iniciativa com o obejctivo de assinalar os 50 anos do 25 de Abril.
Lá estive com o meu amigo Armando Seixas Ferreira, numa amena troca de ideias sobre os dias antes de abril, depois de abril, e, sublinhar a grande herança desta data histórica – a Liberdade!

No começo, um grupo de alunos, em fase de aprendizagem de leitura, leram o poema da gaivota, aquela que voava, voava, e, dizia, somos livres, somos livre…não voltaremos atrás. Um momento que na verdade é o Abril vivo, este abril, deste Portugal que continuamos a construir.
Foi, igualmente, projectado um trabalho produzido pelos alunos que estão a adquirir competências na área de informática, que percorreu os dias desde o golpe militar do 28 de maio, que instaurou a ditadura, passando pela guerra colonial, as condições adversas dos portugueses, as prisões, a censura, até, ao dia libertador – 25 de Abril.

Depois, o Armando perguntou-me, com aquela conhecida pergunta do escritor e jornalista Baptista Bastos: Onde estavas no 25 de Abril? E recordei a minha história desse dia de barco do Barreiro ao Terreiro do Paço, que estava cercado por uma coluna militar. A minha ignorância que estava a acontecer uma revolta militar. A minha tomada de consciência e alegria, ao sentir que estava em marcha uma mudança, ao escutar no eléctrico, no Cais do Sodré, os sons de um pequeno rádio, que alguém transportava, e, no ar ouvi o comunicado do Movimento das Forças Armadas e conhecidas músicas de intervenção. Depois, chegar ao Quartel de Lanceiros 2, onde cumpria o serviço militar, e, pouco depois saber que a posição da unidade era de confronto com os militares revoltados. Viver aquele dia, numa agitação, governantes que ali se esconderam, um helicóptero a descer na parada para os levar, os canhões da Unidade Militar de Vendas Novas, instalada no Cristo Rei, em Almada, com a mira rumo a Lanceiros, dizia-se. A formação de todos na parada, ao meio da tarde, e, o Furriel Ramos a colocar uma bandeira branca, na porta de armas. Foi o último quartel a render-se.

Depois falou-se de tudo um pouco, de coisas de antes do 25 de Abril, dos Jogos Juvenis do Barreiro, como projecto de democracia, desporto e cultura. Onde aprendi a palavra Liberdade. Da censura que num artigo com o título – Jogos Juvenis do Barreiro – do povo para o povo, Cortou em todo o meu artigo a palavra povo e no título - #do povo para o povo”.

Das prisões de membros da CDE, em 1973, na sede perto na Avenida da Praia, perto do Largo das Obras, de repente cercada por jipes da GNR, com os guardas a sair de espingardas nas mãos e prenderem todos os que lá estavam. Eu ia para a sede da CDE, naquela manhã de sábado, e, a cena que descrevi desenrolou-se na frene dos meus olhos. Fiquei especado na Avenida da Praia, a observar aquele aparato. Tive medo. Sim tive medo, contei.

Era este Portugal que vivíamos antes do 25 de Abril, de censura, prisões por ter ideias diferentes e opiniões politicas. Falámos da Guerra Colonial. Falámos das condições de saúde, de abastecimento de água, do saneamento inexistente. No país e no concelho do Barreiro. Falámos das ruas sem passeios, dos logradouros abandonados, de um território sem rei, nem roque, e , como o tudo isso mudou nos dias pós 25 de abril.

Falamos de Paz, que se concretizou no primeiro D, do programa do MFA – Descolonizar.
Falámos de liberdade – que se concretizou no segundo D, do programa do MFA – Democratizar.
Falámos de Progresso, que se concretizou no terceiro D do programa do MFA - Desenvolver.
Falámos de Liberdade. Falámos de democracia. Falámos que democracia não é uma ideologia, mas, sim, o diálogo e o confronto de ideologias.

Falámos do passado. Falámos do presente. Falámos do futuro. Dos receios, das dúvidas, da manipulação, da culturas do pensar a preto e branco, essa herança de 48 anos, que se projecta no tempo e no pensamento.
Foi uma conversa pela noite dentro nesta terra, que não é minha, mas é a terra dos meus filhos e neta, a terra onde aprendi a viver e a amar a Liberdade, que inscrevi no meu sangue, nos meus nervos, nesse percurso que vai do sentir, pensar e fazer-se saber.

O Barreiro que devia orgulhar-se desse seu património imaterial, uma herança de muitas gerações, marcada por 424 presos, e, muitos que não tendo sido presos ergueram a voz pela democracia e liberdade, fazendo desta terra um símbolo da resistência e da Liberdade.
Por isso, disse, já era tempo de o Barreiro ergues um memorial à resistência e Liberdade. E, ter um grande orgulho desse seu passado, da luta de pais e avós, de sucessivas gerações.
Obrigado pelo convite. Foi uma noite de saudade no futuro. Uma noite que findou com a projeção de cartazes, criados pelos alunos, evocando 50 anos de abril e a Liberdade.

Qual achas que é o maior legado do 25 de abril? – perguntou o Armando.
A Liberdade, a Liberdade, respondi.

António Sousa Pereira
TE – 180
Equiparado a Jornalista

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25.04.2024 - 12:48

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