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BARREIRO – Por dentro dos Dias
Rotundas e Triângulo de Circulação entre a realidade e o «fait divers»

BARREIRO – Por dentro dos Dias<br>
Rotundas e Triângulo de Circulação entre a realidade e o «fait divers» Um amigo meu, que reside fora do concelho, na região centro, que há uns largos meses atrás visitou o Barreiro, e, posteriormente, numa conversa informal que mantivemos, dizia-me: «visito diversas cidades no país, mas nunca estive numa cidade com tantos buracos».

Na altura achei exagerado. E, digo-vos, por vezes, também parecem excessivos o número de comentários que circulam nas redes sociais sobre os buracos nas ruas e estradas no concelho do Barreiro.
Porque, há uns que criticam, e há outros que são contra os que criticam.
E na troca de comentários, lá surge a narrativa dos bons e dos maus.
Hoje, pela manhã, fui à Quinta da Lomba e na pequena volta que dei, deparei-me com diversos buracos nas estradas, alguns em situações que podem causar acidentes, porque obrigam a desvios, u travagens inesperadas.
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Mas, o mais curioso é que, nesta rápida volta deparei-me com duas rotundas de circulação obrigatória, uma junto à Igreja de Santo André, outra junto ao Parque da Cidade. E por fim, no regresso ao Lavradio encontrei um «triângulo de circulação obrigatória», na Rua Cândido Manuel Pereira, que já está, há largos dias, senão talvez semanas, pronto já lá vai algum tempo, uns meses. Já foi um balde. Já foi um, já foi um tronco, agora é uma «triângulo»

Nesta volta, fiquei a pensar, talvez o meu migo tenha razão, porque esta é uma realidade visível por todo o concelho.
Mas, a dúvida que me assaltou foi pensar, entrando nas ditas teorias da conspiração, se esta realidade é real, meramente ocasional, ou intencional.
De certa forma, enquanto as redes sociais vão ficando cheias de comentários e criticas aos buracos, estamos todos felizes, afinal, aqui estão o exemplos vivos para dar porrada no poder autárquico.
Assim, enquanto mantemos o debate ao rubro, em torno dos buracos, acicatamos os bons e os maus, recorda-se, com saudades outros buracos, dos tempos da outra senhora. Vivemos intensamente esta ação de cidadania e de análise política. Para trás, ignorados fica o debate de ideias sobre a cidade, o seu futuro.

Ninguém se interroga sobre o PDM, ou sobre a Terceira Travessia do Tejo, ou sobre a Ponte Barreiro – Seixal, ou sobre o futuro dos territórios do Arco Ribeirinho Sul, ou se ainda, vão avançar com a construção de habitação na Quinta Braamcamp ( um espaço municipal que está ao abandono), ou quais são as linhas estratégicas da política cultural ou desportiva da cidade. Ou como devemos viver e participar no fazer cidade e viver cidadania. Ou porque é que a iluminação do Barreiro é tão má e, esta sem dúvida, foi uma situação que piorou, num tempo que é voz corrente, tudo – “tá melhor cóque estava”!

No jornalismo existe a expressão «faits divers», quando se trata de relatar situações que, ou são banais, porque tornam-se prática corrente, ou são uma tradição, enfim, assuntos que, afinal, acabam por ser notícia, apenas porque são incompreensíveis, sem justificação, e, até, ditos inexplicáveis.
Há buracos que, já existiam antes, muito antes, das intempéries e, nos dias de hoje, continuam a decorar os pavimentos. Portanto são buracos que vieram para ficar. Coisas banais.

Na política, costuma dizer-se que os «faits divers» são manobras de diversão. Enquanto se discute as migalhas, na realidade, esquecemos o resto, as matérias essenciais. Olhamos, divertidos para as árvores e ignoramos, nem sequer vemos a floresta.
Perante tudo isto, hoje, pela manhã, enquanto, tranquilamente passeava no Parque da Cidade, onde também há buracos.

Interrogava-me- Será que as Triângulo de Circulação, nas ruas estradas do concelho são matéria base de uma estratégia de comunicação?
Será que são a criação de uma motivação para nos distrairmos com conversas da treta, que contribuem para manter, em lume brando, a discussão da cidade ao nível dos bons e maus?
Será que esta é uma forma de motivar os cidadãos a observar a realidade e nessa realidade consumir intensamente um pensamento feito de «fait divers»?

Enfim, isso são coisas minhas, que dizem são fruto de quem cultiva teorias a conspiração, coisas de velhos do restelo…e, de facto, já estou velho.

António Sousa Pereira
TE – 180
Equiparado a Jornalista

25.03.2026 - 23:52

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