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A(nota) mentos - 50 anos do Poder Local Democrático no Barreiro
Saudar os eleitos nas primeiras eleições para as autarquias

A(nota) mentos - 50 anos do Poder Local Democrático no Barreiro<br />
Saudar os eleitos nas primeiras eleições para as autarquias<br />
Este ano são assinalados os 50 anos que se realizaram as primeiras eleições do Poder Local. O Poder Local foi uma das grandes conquistas do 25 de Abril e, sem dúvida, os frutos do seu trabalho, estão inscritos na vida das comunidades. Dos candidatos à presidência nas primeiras eleições democráticas apenas Jorge Fagundes, candidato do PS, continua activo nas nossas vivências quotidianas.

Foram imensas as mudanças profundas, que se registaram nas vilas e cidades de todo o país. Em primeiro lugar esteve a preocupação de resolver problemas essências para melhorar a qualidade de vida das populações. Esforços enormes. Muitos pequenos passos pequenos que foram passos gigantes que influenciaram os mais diversos índices de saúde pública e valorizaram a qualidade de vida.
A resolução de carências, em torno de necessidades básicas, abastecimento de água a zonas das aldeias e lugares rurais onde não existia abastecimento domiciliário ( isso aconteceu no concelho do Barreiro), a construção de redes de saneamento básico, em zonas que existiam fossas ( isso aconteceu no concelho do Barreiro), as mudanças e melhorias na recolha de resíduos urbanos ( isso aconteceu no concelho do Barreiro), a recuperação de espaços urbanos degradados, ruas sem passeios, bairros sem estradas, ou electrificação ( isso aconteceu no concelho do Barreiro), o planeamento urbano e estratégico, a animação sócio cultural, tantas mudanças que estão inscritas na vida das comunidades.

Uma realidade social e política cuja história está por fazer, sim, essa história dos pioneiros iniciais do Poder Local, quando os municípios funcionavam num modelo colegial, uma realidade que foi essencial para desenvolver a cultura democrática e, em tempos marcados por uma grande conflitualidade política, o Poder Local, era uma realidade onde se respirava a essência da democracia. A democracia que não é uma ideologia, como diz Virgilio Ferreira. A democracia é um confronto de ideias, de diferenças, que através do diálogo escolhe um caminho que sirva as comunidades.

Uma história de guerreiros, em muitas situações, os eleitos eram verdadeiros voluntários. A gestão tocava os limites. O constante não cumprimento da Lei das Finanças Locais, obrigava a endividamento, um pouco por todo país. Um Poder Local que fazia e aprendia. Um Poder Local que se foi transformando e com desenvolvendo em novos modelos de gestão.

Mas, neste texto, pretendo, hoje a aqui, neste ano dos 50 anos do Poder Local, expressar através de três nomes, ainda presentes entre nós – Joaquim Matias, Carlos Maurício e Jorge Fagundes, expressar o meu reconhecimento ao legado que nos deixaram, desse modelo de gestão colegial o qual é, sem dúvida, uma referência histórica de cultura democrática. E, através dele a minha saudação a todos os eleitos ao longo de décadas, no mais diversos órgãos autárquicos – das Assembleias de Freguesia às Juntas de Freguesia, da Assembleia Municipal à Câmara Municipal, e até, naquele órgão que foi extinto, o Conselho Municipal, pelo contributo que deram para valorizar o concelho do Barreiro.

Ontem, fui a uma visita guiada pelo escritor Moita Flores, ao Cemitério dos Prazeres, a certo momento da visita, ele comentava que aquele lugar era «a cidade dos mortos, onde os mortos estão vivos», e, quando passava numa rua central do Cemitério disse : “esta é uma avenida da cidade, uma grande avenida, e, como nas grandes cidades, as grandes avenidas, são espaços públicos onde são recordados os grandes homens. Naquele instante ocorreu-me ao pensamento, o grande homem, o enorme político, o dedicado barreirense, que foi Helder Madeira, e pensei – Pois ele merecia, como primeiro presidente eleito no Poder Local Democrático, ter o seu inscrito, bem inscrito, no centro do centro da cidade.

Como nota final, recordar que, dos eleitos na Câmara Municipal do Barreiro, há 50 anos, presentes entre nós, para além de Joaquim Matias, eleito pela força liderada pelo PCP, também é um histórico, Jorge Fagundes, eleito pelo PS, tendo sido a presidente da Câmara Municipal do Barreiro. E Carlos Maurício, também eleito há 50 anos, recorde-se, mais tarde, também foi candidato a Presidente da Câmara pela força liderada pelo PCP.
Estes são três nomes que nestes 50 anos do Poder Local devem merecer um gesto de gratidão.
Por mim digo-lhes : Obrigado!

António Sousa Pereira
TE – 180
Equiparado a Jornalista

12.04.2026 - 13:11

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