inferências
Barreiro - Por dentro dos Dias
«Tertúlia de Os Leças» - ponto de encontro para sentir o pulsar dos dias
A Tertúlia de Os Leças é um ponto de encontro regular, para quem quiser marcar presença. Um almoço para conversar, debater ideias, forjar amizades e sentir o pulsar dos dias.
Tudo começou, nos tempos idos, antes da pandemia, quando um pequeno grupo começou a encontrar-se na colectividade GDR «Os Leças», para conversar sobre associativismo. Depois veio a pandemia do COVID e os encontros foram suspensos. Um dia, passada a crise do «isolamento social», os encontros voltaram. E, a partir daí, continuam regularmente, às segundas-feiras. Um ponto de encontro para almoçar e conversar. Uns dias estão uns, outros dias estão outros. Há alguns que nunca falham, cumprem o ritual com rigor e, estes, são, de certa forma, o cimento que une a Tertúlia de «Os Leças»
Nunca há agenda. As conversas ali são como as cerejas. Fala-se de tudo e de nada. Piropos. Provocações. Brincadeiras. Opiniões. Respeito. Por vezes exaltação nas palavras, sem crise.
Pessoalmente gosto de brincar, galhofar, rir a bom rir, trocar ideias, e, quando o tema anima o diálogo participo, ou, desligo da conversar e limito-me a escutar, porque, afinal, aprende-se muito escutando.
No último almoço, por exemplo, trocamos opiniões sobre o recente «confronto televisivo» entre o historiador e o político. A dificuldade de existir diálogo entre um discurso académico, teórico, com base documental, e, um discurso de ficção com uma marca ideológica e uma visão maniqueísta da vida e do mundo. É complicado. É mesmo um «combate» muito desigual, e, pode dizer-se com resultado final sempre improvável. Quem venceu? Quem passou a narrativa ideológica, feita de tácticas e jogo partidário? Ou venceu quem afirmou uma visão académica história e estruturante? Opiniões divergentes.
Um almoço onde foi recordado o funeral de Ribeiro Santos, estudante morto pela PIDE, antes do 25 de Abril. Recordei que estive no funeral e senti a repressão da Polícia de Choque. A minha fuga, que nunca vou esquecer, pela Avenida 24 de Julho até aos barcos do Barreiro. O Carlos Bicas recordou a forma violenta como sentiu a carga da polícia, conto emocionado os momentos dramáticos que viveu naquele dia que, para quem o viveu, ficou inscrito na memória. Um tempo de resistência. Esses tempos terríveis que findaram no dia que nasceu a Liberdade, em Abril.
Cada almoço é uma conversa. Cada almoço tem rostos diferentes. Une-nos a amizade e a conversa fraterna. Une-nos aquele espaço histórico associativo, onde muitos lutaram pela conquista da Liberdade. Une-nos as diferenças e o respeito pelas diferenças. Une-nos a Liberdade. Esta, afinal, é uma marca onde se inscreve um legado da comunidade barreirense, essa memória feita de gente vinda de muitos lados que encontrou nos espaços da vida associativa a porta de entrada para a integração e vivência da palavra solidariedade.
Do Clímaco barreirense, Camarro, nascido no Barreiro Velho, ao Durval – o presidente vitalício – oriundo do Alentejo, de Aviz, e, aqui, no Barreiro consolidou a sua vida. Ao João Pereira, barreirense, que trata da ementa, ao o Zé Padeiro, outro barreirense – que exerce a função de secretário vitalício. E, no meio de uma tertúlia de homens, temos a bem vinda presença feminina a nossa amiga Maria João Quaresma, sempre bem-disposta e que participa nas brincadeiras e conversas, divertidamente. Venham mais mulheres.
Enfim, é isto, e, mais que isto, a Tertúlia de «Os Leças», um espaço aberto, sem agenda, sem programas. É este ponto de encontro que é feito da vontade de partilhar os dias e sentir a vida fora das redes sociais, ali, comunicando, olhando olhos nos olhos, conversando, brincando, rindo e partilhando palavras que, a cada um individualmente, possa ajudar a dar sentido aos dias e viver comunidade.
Já agora, referir que ao longo do tempo, a Tertúlia já promoveu algumas iniciativas, sobre temas de interesse local, nacional ou internacional, nomeadamente realizou um conjunto de Conferências.
A primeira conferência teve como tema «Estudos Técnicos/Decisão Política», sobre o novo aeroporto de Lisboa, na margem sul, com a participação do Eng.º Carlos Matias Ramos.>
A segunda conferência teve como temática «A Guerra na Ucrânia – observada do ponto de vista geoestratégico», com a participação do Major- General Agostinho Costa.
A terceira conferência abordou a temática «TINA (There Is No Alternative) ? Será que existirão alternativas?», com a participação de Pedro Ferraz de Abreu, Carlos Branco e José Fanha.
E, pelo que foi dito, no último almoço, pelo presidente vitalício, Mário Durval, em breve, já está agendada uma outra conferência, cujo tema, data e convidados serão oportunamente divulgados.
É assim, conversar, rir e aprender. Viver!>
Eu gosto de participar e divirto-me nos almoços da Tertúlia de «Os Leças». Quem quiser apareça. Não é preciso marcar…há sempre lugar para mais um, e, como diz o Zeca Afonso…«traz outro amigo também»!<
António Sousa Pereira>
TE – 180
Equiparado a Jornalista
23.04.2026 - 17:20
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