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Acontecimento do mês de Maio>
Barreiro candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028

Acontecimento do mês de Maio><br>
Barreiro candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028 A Câmara Municipal do Barreiro aprovou, por unanimidade, uma declaração assinada pelos elementos que compõem uma Comissão Promotora da candidatura do Barreiro a Capital Portuguesa da Cultura 2028. Este é, sem dúvida, o «Acontecimento do mês de maio».

A referida Comissão Promotora da candidatura do Barreiro a Capital Portuguesa da Cultura 2028, pelo divulgado por alguns órgãos de comunicação social, conta com participação de Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro; Sara Ferreira, vereadora da área da Cultura; José Pacheco Pereira, historiador, da associação Ephemera; Alexandre Farto, VHILS; Jorge Quintas, da Fundação Amélia de Mello; Carla Pacheco, presidente da direcção da ADAO - Associação para o Desenvolvimento de Artes e Ofícios; Rui Dâmaso, da associação OUT.RA; Jorge Moniz, músico, curador do Festival de Jazz do Barreiro; Ralston, da PADA Studios, e Jorge Cardoso, director Arte Viva - Companhia de Teatro do Barreiro.

Considero positivo que se avance com esta candidatura. Nada temos a perder e este pode ser que ser uma janela de oportunidade que pode contribuir para um amplo e participado debate sobre a vida cultural do concelho do Barreiro e, naturalmente, sobre o papel da cultura no desenvolvimento local, na sua diversidade, nos seus diferentes nichos, e, como de forma articulada todos podem e devem contribuir para preservar memórias, enriquecer o presente, projectar o futuro e, acima de tudo, evitar a perda de valores identitários.

Neste contexto considero que, no âmbito de uma candidatura, desta natureza, é essencial mobilizar os agentes da cidade, todos, não só no plano cultural, mas também no plano económico, social e da educação.
E, acima de tudo, a promoção desta candidatura pode ser um leit motiv, para pensar a politica e o papel da política na gestão da polis. Não a politica partidária, de qualquer poder dominante, mas, isso sim a política da polis, A política de inclusão.

A candidatura do Barreiro a Capital Portuguesa da Cultura 2028 tem que ser acima de tudo uma aposta na valorização da cidadania, na promoção da democracia. Esta é, sem dúvida, uma oportunidade para promover a democracia cultural, porque, afinal, sem democracia cultural a cultura é um monólogo.>
Mais que ser uma corrida com objectivo de captar um milhão de euros, esta candidatura pode ser um caminho para colocar as vivências culturais como elemento central de valorização da cidadania.
Contribuir para lançar um olhar inovador que faça da cultura um instrumento promotor de interações. Uma cidade criativa. Uma cidade que vá para além da cultura do consumismo.

Uma política cultural tem quer ser participada e viva, contar com o papel do individuo no fazer comunidade. Não é, nem deve ficar reduzida ao envolvimento dos agentes culturais. A cultura de uma comunidade dá sentido à sua memória e projecta a sua história. É, deve ser um projecto de concelho, de comunidade de governança.
Por exemplo, o PDM – Plano Director Municipal, que está em banho maria, tem, ou não, alguma coisa a ver com uma visão cultural para o concelho. Que estratégias estão plasmadas no PDM sobre o território e o seu futuro no contexto cultural da AML e da Península de Setúbal.

Se a agenda promotora da candidatura contribuir para pensar e promover uma politica de comunicação que valorize a cidadania e fomente vivências culturais, interactivas, então talvez esta candidatura, mesmo que não passe disso, pode dizer-se que valeu a pena.
Se a agenda promotora desta candidatura, dinamizar a comunicação para além do nível emissor- receptor, apostando na criação de comunicação com base em inter-relações e criação de redes, então, isso sim acredito que valeu a pena apostar neste sonho.

A comunicação e o modelo de comunicar na comunidade e com a comunidade, na verdade, tem que visar a criação de agentes culturais activos e dar voz aos cidadãos, criando dinâmicas geradoras de agentes de cidadania, com pensamento critico, com vontade agir, com vontade de fazer cidade e cidadania.

Que a Comissão Promotora possa ser um instrumento para, com esta candidatura, lançar sementes e criar as raízes para a implementação de uma estratégia cultural que supere a dimensão politica partidária.
Quando uma cidade sobrevive à sombra da estratégia politica das forças dominantes, mais tarde, ou cedo, vai sucumbir perante a emergência de nova força politica dominante. Basta olhar para o passado e sentir o presente, e, talvez seja possível descobrir o futuro a pulsar no quotidiano.
Hoje somos o legado do passado, o futuro será o legado do que semeamos nos dias de hoje, e, do legado somos o que hoje somos.

Um milhão de euros são trocos para o tanto que há por fazer, se pensarmos, a história, a criatividade, o legado recebido, os projectos adiados e os sonhos que animaram muitas gerações e, nos dias de hoje, alguns existem sem asas para voar.
Se a candidatura do Barreiro a Capital Portuguesa da Cultura 2028 ficar grávida de futuro, então, acredito pode transformar-se numa janela de oportunidade para promover um sobressalto cultural.

António Sousa Pereira
TE 180

01.06.2026 - 22:56

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