inferências

Janela na Cidade - Convite a Participar
Mais Património
Por Armando Seixas Ferreira

Janela na Cidade - Convite a Participar<br>
Mais Património<br>
Por Armando Seixas Ferreira Cada vez mais me convenço de que as cidades que salvaguardam o património cultural são aquelas em que os seus habitantes são mais felizes e melhor funcionam, porque transmitem uma ideia de identidade e respeito pela história, dignificando a memória dos nossos antepassados.

A defesa do património não cabe apenas às instituições, também depende da sensibilidade de cada um. À luz da constituição, o cidadão tem o direito de alertar para situações em que o bem cultural em risco, seja resgatado, com vista à sua reabilitação.
Realizei várias reportagens para a RTP sobre casos de património desprotegido. Refiro-me, por exemplo, ao forte de Santo António da Barra, no Estoril. Esta fortificação construída em finais do século XVI foi abandonada pelo Estado, sendo alvo de atos de vandalismo. Depois da notícia, o forte foi entregue à Câmara de Cascais que, no espaço de um mês, o recuperou, podendo hoje ser fruído pela população.

No Barreiro temos o triste caso da Estação Ferro-Fluvial. Inaugurada em 1884, no reinado de D. Luís I, é possivelmente o mais belo monumento da nossa terra, mas pouco tem sido feito para o salvar. Em 2018 foi aberto um procedimento para a classificação do Complexo Ferroviário do Barreiro. De acordo com o artigo 43º da lei de bases do património cultural, a antiga estação dos barcos ficou imediatamente debaixo de uma zona de proteção de 50 metros, contados a partir dos seus limites externos, porém, não foi isso que aconteceu. A gare, propriedade das Infraestruturas de Portugal continua a cair aos bocados, desde a sua desativação em 2008. É preocupante.

Outra realidade é o Barreiro Velho, onde o casario antigo devia ser preservado. A zona histórica da nossa terra faz-me lembrar os coloridos centros históricos de Salvador da Bahia, Olinda, ou Parati, no Brasil. Se este conjunto fosse restaurado podia atrair o turismo de Lisboa e mais oportunidades. Custa-me passar pelo largo dos Penicheiros e ver tudo fechado, em ruínas, lixo e grafitis nas paredes. O património barreirense merece mais atenção, porque tem um enorme potencial. O bairro operário da CUF, o convento da Madredeus da Verderena, os moinhos de Alburrica, a Capela da Misericórdia, as igrejas de Santa Cruz e de Nossa Senhora do Rosário, o Forno de Cerâmica da Mata da Machada, a Real Fábrica de Vidros de Coina, e o povoado da Ponta da Passadeira, no Lavradio, entre outros, merecem ser valorizados.

Recentemente, temos assistido a sinais de esperança. A compra do antigo teatro cine Barreirense, a intervenção na Rua Miguel Bombarda, a remodelação da Escola Conde de Ferreira, a nova esquadra da PSP do Barreiro Velho, no Moinho de Maré Grande e a remodelação no largo do Mercado 1º de Maio foram decisões acertadas do nosso município que poderão ajudar a mudar o paradigma.
Cuidar do património cultural é investir nas pessoas e no seu conhecimento. Preservar o passado é construir um futuro mais sólido para todos os barreirenses.

Armando Seixas Ferreira

21.06.2026 - 13:59

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2026 Todos os direitos reservados.