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A propósito da IV Gala da Diferença.
Por Marco Binhã
Barreiro

A propósito da IV Gala da Diferença.<br />
Por Marco Binhã<br />
BarreiroA Gala da Diferença que teve mais uma edição sexta-feira passada, no Barreiro, é um momento memorável, promovido de forma generosa e merecedora da consideração e atenção da sociedade civil, pela Associação Vem Vencer.

A diferença é um dos temas fundamentais do Humanismo. Com J. Derrida aprendi o termo “diferança” que remete para o significado de diferir, afastar, postergar, remete a um vazio entre o sujeito e o objeto, ou no caso que me interessava, entre o sujeito e o outro. Esse vazio, é o caminho da comunicação, pode ser percorrido temporalmente, pode ser percorrido espacialmente. Para mim o que me interessa neste vazio é que o mesmo corresponde no ser humano a um vazio emocional.

A Gala da Diferença que teve mais uma edição sexta-feira passada, no Barreiro, é um momento memorável, promovido de forma generosa e merecedora da consideração e atenção da sociedade civil, pela Associação Vem Vencer. A Gala da
Diferença vem preencher esse vazio. Vem fazer esse caminho, essa comunicação com terabytes de informação que a humildade multiplica – porque a humildade é sempre apenas mostrar-se pessoa, mostrar-se igual no que de essencial cada um é – ser pessoa. Pessoa de pele escura, pessoa de pela clara, pessoa sã de uma coisa doente de outra, pessoa bem vestida um dia, pessoa mal vestida no outro, pessoa alegre num momento, pessoa triste noutro, pessoa solteira, pessoa casada, pessoa católica, pessoa ateu, pessoa de um partido, pessoa d´outro, - é pessoa.
O tema do outro, o tema do próximo, não é só um tema da religação (sic) a.k.a. religião, nem é um tema para certas ocasiões, certas estações, ou um tema que usamos relativamente aos vizinhos, familiares e amigos, chegados. O outro é o que não sou eu. E é este vazio intersubjetivo que deve ser percorrido que o encontrar da diferença adia, afasta. É este vazio que não é nada e sendo nada ainda assim não devia existir. Mas existe. Vemo-lo, vivemo-lo sempre que não vemos que o outro, como pessoa é sempre um bocado da humanidade de que eu faço parte.

Somos humanidade quando nos dói a dor da outra pessoa, quando atravessando o vazio sinto a dor que toca ao outro e concluo sempre e só com humildade que o outro também sou eu, na dor e também na fome, na abundância, na saúde, na felicidade o outro é como eu. Ainda que em circunstâncias diferentes o outro chora e ri como eu.
Somos comunidade quando esse vazio tem “linhas de comunicação” paralelas de ida e volta e emocionalmente conhecemos que naquele momento sentimos a mesma realidade, com vivência igual de tal modo que qualquer estímulo a essa coisa comum a reação de qualquer membro da comunidade será no seu sentido e significado semelhante e será de modo imediato acompanhado pelos demais membros da comunidade nessa reação. É o que descrevo, por exemplo, dum jogo da seleção visto num espaço comum, duma família perante um nascimento, dum grupo perante um invasor.

O humanismo que eu idealizo é um horizonte no caminho do qual encontrei a vivência de comunidade. Dentro da comunidade não há o outro, há o nós. O caminho que pragmaticamente percorro é de aumento da comunidade e de redução dos critérios de exclusão da comunidade.
Ao mesmo tempo o sujeito sente vida que há no outro quando o vê como igual. Ao mesmo tempo que o sujeito pensava que o outro deveria estar fora, olhou-o e viu que a vida os une. Vem vencer, na aliteração sobressai o som vem, vem ser. Vem sempre ser é o convite que o sujeito deve fazer à vida. É o convite que o sujeito faz ao cuidar do outro a quem emprestou a sua atenção, a sua força, a sua vida. Sempre tão generosamente, a única forma de se dar ao outro.

Na família, temos de nos dar ao outro para que o outro possa ser e quem o faz, faz generosamente, com prejuízo do que é ao inicio um pouco de si próprio e depois sem olhar a limites “os outros” vêm que é muito de si próprio. Numa comunidade somos mais e o que cada um tem de dar para que o outro possa ser, não é tanto em quantidade, mas igual em significado. Quando se se dá assim para que o outro possa ser alimentado, para que o outro possa vir passear, para que o outro possa estar limpo, possa dançar, possa construir um foguetão, possa prosseguir a sua empresa, possa fazer uma cirurgia, a um dado momento o sujeito verá que o próprio e o outro se substituem na posição em que estão face ao zénite que é a Vida. No final é a vida que vence, é a vida que deve vencer e o sujeito no final deve conformar-se a isso, em especial no outro, no próximo que faz comigo a Humanidade.

Como é Natal os parabéns ao Barreiro, os parabéns a quem está a fazer o Barreiro assim e melhor e a conclusão que gostaria que ficasse destas linhas é que devemos sempre criar condições para que a Vida apresente o melhor de si em cada pessoa. Poderia não parecer mas este é também um artigo partidário porque não é em todos os partidos políticos que se pode dirigir-se a uma pessoa como pessoa-livre-indivíduo.

3 de dezembro de 2018
Marco Binhã,
Membro do Grupo Municipal do PSD - Dar Futuro ao Barreiro

17.12.2018 - 11:03

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