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Contra recusa de dar continuidade ao projecto de ligação Barreiro e o Seixal
É um projeto de elevada qualidade no enquadramento paisagístico e desenho arquitectónico

Contra recusa de dar continuidade ao projecto de ligação Barreiro e o Seixal<br>
É um projeto de elevada qualidade no enquadramento paisagístico e desenho arquitectónico O Barreiro precisa de elementos diferenciadores que o tornem atractivo no contexto da Área Metropolitana.

O aumento de custos resultantes das alterações ao projecto impostas pela Administração do Porto de Lisboa, que rondarão os 800 mil euros, a opção de deixar cair a ligação ao Seixal é, naturalmente, legítima. Como seria também perfeitamente legítimo, repensar-se a decisão de construir uma nova sede para a Assembleia Municipal do Barreiro, avaliada em cerca de 1 milhão de euros

Exmo. Sr. Director do Jornal Rostos,

No dia 18 de Dezembro de 2018, foi publicado no órgão de comunicação social que V. Exa. dirige um comunicado partidário em que, a propósito da recusa do actual executivo em dar continuidade ao projecto de ligação entre o Barreiro e o Seixal, foi referido que "apesar de não estar previsto em qualquer instrumento de planeamento, designadamente no PDM, o PS aprovou no anterior mandato a ligação pedonal-ciclável Barreiro-Seixal".

Mesmo que inadvertidamente, esta afirmação, pelo seu carácter inusitado, pode levar os leitores do Rostos a pensar que os vereadores socialistas que integravam o anterior executivo camarário cometeram algum tipo de ilegalidade ou tomaram uma decisão desprovida de razoabilidade.

Como liderei os vereadores do PS que iniciaram e completaram o mandato autárquico que decorreu entre 2013 e 2017, entendo ter o dever de prestar os seguintes esclarecimentos a propósito da decisão tomada na referida data:

1. É perfeitamente comum, e legal, as autarquias apreciarem e aprovarem propostas que definam usos diferentes para o território aos previstos nos instrumentos de ordenamento em vigor, ainda mais quando o Plano Director Municipal do Barreiro (PDM) está, neste momento, em processo de revisão;

2. Para que se perceba que esta é uma prática corrente, na última reunião de Câmara, a actual maioria apresentou uma proposta que preconizava a construção de um Centro de Saúde para a zona dos Fidalguinhos - num local onde o PDM estabelece a instalação de equipamentos escolares -, e que contrariava varias deliberações dos órgãos autárquicos que priorizavam a edificação de um equipamento deste tipo no Alto do Seixalinho por servir uma população dez vezes superior ao bairro referido anteriormente;

3. Sobre a bondade e a utilidade do projeto em apreço, o interesse da ligação entre os dois concelhos fala por si, assim como a elevada qualidade do seu enquadramento paisagístico e do desenho arquitectónico que lhe serviram de base;

4. O Barreiro precisa de elementos diferenciadores que o tornem atractivo no contexto da Área Metropolitana. Salvo melhor opinião, terá sido esta evidência que originou que a última campanha eleitoral tenha decorrido em torno de visões de rodas gigantes com cem metros de altura - que custariam larguíssimas dezenas de milhões de euros -, piscinas de ondas artificiais e salas de concerto a construir em terrenos que são propriedade de privados;

5. Relativamente ao aumento de custos resultantes das alterações ao projecto impostas pela Administração do Porto de Lisboa, que rondarão os 800 mil euros, a opção de deixar cair a ligação ao Seixal é, naturalmente, legítima. Como seria também perfeitamente legítimo, repensar-se a decisão de construir uma nova sede para a Assembleia Municipal do Barreiro, avaliada em cerca de 1 milhão de euros, órgão que reúne cinco vezes por ano e em que, ao longo do mandato, participam escassas dezenas de barreirenses.

6. Independentemente da avaliação da instalação no novo Aeroporto no Montijo ou do Terminal de Contentores no território da Baía Tejo, continuo a acreditar que verdadeiramente importante é serem construídas as ligações, por ponte, ao Seixal e ao Montijo, vectores essenciais da necessária valorização do Centro Hospitalar do Barreiro, da Escola Superior de Tecnologia e do próprio desenvolvimento harmonioso da Península de Setúbal.

7. Durante quatro anos, foi conduzida, ao nível do executivo municipal, uma oposição clara e dura a muitas das opções políticas do Partido Comunista. Apesar da defesa intransigente de convicções que nos separavam, soubemos despedir-nos como amigos e salvaguardámos o respeito mútuo. Em política, e também na vida, fica-nos mal mudar de opinião por questões de natureza conjuntural ou de interesse pessoal.

Como expliquei nos momentos e nos locais que considerei adequados, os meus princípios cívicos não me permitem conviver, de forma tranquila, com os comportamentos que têm vindo a tomar conta da nossa vida pública. Interrompo o meu pousio político por um imperativo de consciência e decência ética a que não podia virar as costas.

Com os melhores cumprimentos,
Luís Ferreira

20.12.2018 - 15:26

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