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Uma luta de todos.
Por Alexandra Serra
Sesimbra

Uma luta de todos.<br />
Por Alexandra Serra <br />
SesimbraSe todos tivermos o combate a este problema social, no topo das nossas prioridades, reconheceremos a força espantosa das mulheres que sobreviveram a este crime e prestamos uma verdadeira homenagem às suas vítimas.
Todos os dias, para que este crime hediondo não se repita.

A nossa sociedade sofre de problemas graves que não se enquadram com os tempos de modernidade e democratização que vivemos. A violência doméstica e de género é um deles e persiste em fazer vítimas, demasiadas.
A 25 de Novembro de 2018, Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, o secretário-geral da ONU lamentou que esta seja uma “pandemia global” e um “sinal de vergonha”. “A violência contra as mulheres é a manifestação de uma profunda falta de respeito, um fracasso dos homens em reconhecer a igualdade das mulheres”, afirmou António Guterres.

O líder da ONU alertou para a necessidade de ser necessário fazer mais “para apoiar as vítimas e responsabilizar os perpetradores”. Ora, este é um trabalho que deve ser feito não só por estas organizações, mas também a nível nacional e local.

Dia 29 de Novembro de 2018, no Barreiro foi assinado a criação do Gabinete de Apoio à Vitima da Violência Domestica. São estes passos que fazem a diferença num longo caminho de proteção às vitimas, passos que gostaria de ver serem dados no concelho de Sesimbra.

Façamos desta matança diária, e da coragem demonstrada por muitas mulheres vítimas deste crime, um exemplo daquilo que temos o dever de mudar na nossa sociedade. Entre marido e mulher, entre namorados, entre relações, temos que meter a colher.
Eu, tu, nós, os vizinhos, as instituições e o Estado. Este é um crime público devemos estar bem cientes disso.

Portugal verifica uma baixa taxa de condenações e necessita de uma "coordenação mais robusta" entre as agências governamentais, anuncia um relatório europeu publicado esta segunda-feira .

A avaliação está a cargo do Grupo de Peritos para o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica (GREVIO).

Os últimos dados conhecidos, relativos a 2018 e apresentados em meados de novembro passado pelo Observatório de Mulheres Assassinadas, davam conta de 24 mulheres assassinadas por familiares ou companheiros em Portugal, mais seis do que em 2017. Uma mulher, chega para dizermos basta.

Foram 24, vamos pensar nos filhos, pais, irmãos, amigos destas mulheres. Todas elas com rosto e nome, não pense num número visualize um rosto.

Uma mulher que é vítima de violência doméstica tem de ter apoio imediato do Estado. Não pode esperar pelos tempos dos tribunais. Nem pela suscetibilidade dos juízes. Nem pela segunda-feira. Tem de ser imediato, é uma emergência que se não for socorrida pode e resulta na maior parte das vezes na morte das vítimas.

E o que dizer da nossa Justiça em que são muitas as vezes que não funciona e nos causa embaraço.

Basta relembrar-vos um excerto de um acórdão do Tribunal da Relação do Porto, datado de 11 de Outubro de 2017: "Com estas referências, pretende-se apenas acentuar que o adultério é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (...) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher", escreveu o juiz.

Se todos tivermos o combate a este problema social, no topo das nossas prioridades, reconheceremos a força espantosa das mulheres que sobreviveram a este crime e prestamos uma verdadeira homenagem às suas vítimas.
Todos os dias, para que este crime hediondo não se repita.

Cabe a todos participar neste difícil combate.

Alexandra Serra

Secretária da secção do PS Quinta Do Conde
Membro da CPC Partido Socialista de Sesimbra
Membro da CPF de Setúbal do Partido Socialista

24.01.2019 - 17:11

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