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Apregoar a Liberdade.
Luís Murilhas
Barreiro

Apregoar a Liberdade. <br />
Luís Murilhas<br />
BarreiroQuem tanto apregoa a liberdade de expressão como garante democrático do funcionamento das instituições, carece desta argumentação?
Quem governa e quem sustenta o governo? As esquerdas unidas.

Nos últimos tempos, pelas incomensuráveis e fidedignas redes sociais, surgem movimentos de tudo e, principalmente de nada.
Se ao nada juntarmos o disparate inerente, a verdade é mais que certa, justa e até absolutamente condenável, por quem a tenta rebater, com ou sem argumentos. Não é importante. O importante sim é garantir que a “minha” verdade é mais verdade que a do “outro”.

Ao tudo, podemos, assim num ápice, juntar uns simples “frutos secos”, oriundos sabe-se lá de onde, e já fica mais complicado de rebater esta “também minha” verdade.
Faz sentido? Não. Mas é mesmo para não fazer.
Chegou-se ao limite do tolerável, ultrapassando o intolerável, condicionando, criticando em escrita aberta o que uns e outros pensam e assumem nos seus registos pessoais.

A opinião contrária, frontal e fundamentada em factos, em fontes, é no saber supremo de alguns, mentira. E o vice-versa acaba por ser comum.
A forma como se afrontam argumentos, pontos de vista, sensibilizações, é, aos dias de hoje, na sua grande maioria vergonhoso.

Ninguém pode discordar de nada. E, se o contraditório for utilizado, mais uma vez, nos seus registos pessoais, os adjetivos surgem ao virar de cada esquina virtual.
E, se no meio do tudo e do nada, uma partilha, uma indignação, um sentimento ou até mesmo uma verdade, for revelado contra a dita esquerda, e as suas decisões governamentais, está o assunto arrumado.
Automaticamente se volta atrás no tempo e os apelos ao fascismo estão instalados. Ou seja, a crítica simples, nada argumentada ou fundamentada.

Quem tanto apregoa a liberdade e se considera dono da mesma tem a necessidade de usar esta postura no seu dia-a-dia político?
Quem tanto apregoa a liberdade de expressão como garante democrático do funcionamento das instituições, carece desta argumentação?
Quem governa e quem sustenta o governo? As esquerdas unidas.

Não nos deixemos converter ao facilitismo, ao argumento simplificado do parece bem dizer isto ou aquilo. Se não concordamos, assim o diremos. Se o criticamos é porque consideramos justo criticar.
Ataques pessoais, ameaças, avisos prévios e questões do foro pessoal, chamadas à discussão política, são absolutamente intoleráveis.
Não o permitiremos.
Que a liberdade individual de cada um de nós seja isso mesmo, livre!
A vida é como a política, apenas uma, sejamos dignos de ambas.

Luís Murilhas

12.03.2019 - 12:27

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