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«isto ainda vem do seu tempo, não é?»
Por Rui Lopo
Barreiro

«isto ainda vem do seu tempo, não é?»<br />
Por Rui Lopo <br />
BarreiroFoi com estranheza e admiração que afinal, o primeiro autocarro só veio ao Barreiro para a fotografia, pois regressou a Vila Nova de Gaia no dia seguinte, e soubemos agora que apenas regressará com os restantes 7 do primeiro lote, que será entregue, pelo que se ficou a saber, em Maio.

«isto ainda vem do seu tempo, não é?»

Foi assim que o primeiro-ministro António Costa me abordou na cerimónia de entrega da chave da primeira de sessenta novos autocarros dos TCB movidos a gás natural, no passado dia 28 março, mesmo após o já habitual, lamentável enquadramento do presidente barreirense, que aludiu na sua intervenção inicial, a um papel apenas teórico a todos quantos no processo, garantiram que os TCB se equilibravam financeiramente em pleno momento de crise, todos os que estimularam a necessidade de haver fundos comunitários que apoiassem esta necessidade dos operadores de transporte do país, todos os que estudaram, se inteiraram e aprovaram a viabilidade técnica e financeira do maior investimento feito pela câmara municipal do Barreiro, e todos quantos provaram por unanimidade e aclamação, no mandato 2013-2017, em todos os órgãos municipais o investimento na aquisição destas 60 viaturas.

Foi com estranheza e admiração que afinal, o primeiro autocarro só veio ao Barreiro para a fotografia, pois regressou a Vila Nova de Gaia no dia seguinte, e soubemos agora que apenas regressará com os restantes 7 do primeiro lote, que será entregue, pelo que se ficou a saber, em Maio.

Esta acção de “comunicação” não passou despercebida aos responsáveis de governo presentes, pois várias foram as referências ao papel da anterior gestão autárquica no processo.
Mas podíamos até pensar que a preocupação e o envolvimento deste executivo em matéria de mobilidade, transportes e descarbonização é mesmo real e está consubstanciada nas opções políticas locais. Pois desenganemo-nos.

E, desenganemo-nos porque:

1. Ponte pedonal Barreiro Seixal - A apresentação do Senhor Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente e da transição energética, José Mendes foi dois terços dedicada (e bem na minha opinião) à necessidade de se investir em mobilidade suave, particularmente às ligações cicláveis entre municípios, ao fecho das malhas das redes cicláveis, tendo como pano de fundo a cancelada ligação pedonal e ciclável entre o Barreiro e o Seixal. Curioso que a apresentação tinha como pano de fundo o local onde estava previsto o projecto de mobilidade suave, uma ponte que uniria o Barreiro e o Seixal, criava malha ciclável entre os dois concelhos, cancelado pelo actual presidente da câmara

2. Primeiro barco das 05:05 - desde dia 1 de Abril os TCB reformularam horários porque a SOFLUSA aumentou carreiras no rio, como tem sido reivindicado por todos nós (ainda insuficiente, diga-se). Pasme-se que talvez pela primeira vez na sua história, os TCB não fazem ligação ao primeiro barco do dia, desta feita às 05:05 da madrugada e de forma premeditada, uma vez que questionado o presidente da câmara, o vereador do pelouro respondeu que se está a avaliar a procura desse barco para ver se justifica colocar o autocarro! Então se não há autocarro como pode haver boa procura para o primeiro barco da manhã?

3. Carreiras na estrada da amizade / fidalguinhos – esta reformulação de horários reduziu o número de autocarros a passar naquela estrada que divide o concelho da Moita e o concelho do Barreiro, certamente prejudicando a nossa população escolar. O argumento que pode surgir de que não há autocarros suficientes também é débil porque se devia ter investido em autocarros em segunda mão (como fizemos várias vezes para garantir serviço às pessoas) em tempo útil. E não apenas por causa do aumento de procura, porque em ano e meio de nova gestão autárquica, não foi comprado um único autocarro em segunda mão para ajudar a cumprir o serviço.

4. Reforço da Carreira 6 – com a inclusão da FERTAGUS e de toda a rede dos TCB no passe metropolitano a partir do dia 1 de Abril (até aqui o L123 só dava até Santo António e a FERTAGUS não o aceitava) era lógico que se reforça-se o número de carreiras para aquele operador, mas tal não aconteceu. Também aqui a aquisição de autocarros em segunda mão enquanto não vêm os novos deveria ter permitido esta alteração e reforço que já estamos com ano e meio de gestão autárquica e mesmo sabendo dos novos autocarros, o serviço degradou-se bastante neste ano e meio.

5. Preço do passe – como é sabido, há o acordo firmado pela área metropolitana do preço do passe ser de 30€ para o passe municipal e de 40€ para o passe metropolitano (válido para toda a área metropolitana de Lisboa, sendo que para jovens custa 30€). Ora o tarifário dos TCB tem dois passes cujo preço é superior a 30€: o passe TCB manteve-se nos 32,80€ e o passe jovem que custa 30,25€! Questionado o presidente sobre o preço e validade espacial do passe TCB, particularmente sobre se o novo passe de 30€ permite apanhar autocarro na Moita ou ir do Barreiro para a Moita, a resposta inicial primeiro foi negativa, mudando uns minutos depois… será preciso que nos entendamos e que as pessoas não saiam baralhadas e/ou prejudicadas.

6. Impreparação para a nova realidade dos passes – chega-me informação sobre a imensa confusão nas informações que são transmitidas às pessoas nos espaços de atendimento, os tempos de espera (provavelmente porque não houve reforço de pessoal), os nossos agentes que têm espaços nas freguesias não podem fazer carregamentos dos novos passes (!) o que faz com que o atendimento no espaço mobilidade e na estação esteja complicado. E é falso que estas alterações se soubessem há relativamente pouco tempo. Estas medidas estão em orçamento de estado!

7. Não atualização do site e APP dos TCB – fui consultar se os novos horários estão nestes suportes e para espanto… não há nem vestígios.

Na passada terça-feira, num lugar-comum encontrei um vereador de uma câmara municipal da área metropolitana de Lisboa, que até nem é eleito nas listas da CDU, o qual questionei sobre a iniciativa de dia 1 de abril em que vários autarcas se deslocaram entre Mafra e Setúbal usando os transportes públicos. Disse-me entre outras coisas, que não viu o presidente da câmara do Barreiro na comitiva. Será que a ausência tem a ver com o incómodo de ter de ouvir rasgados elogios ao determinante papel neste processo, do antigo presidente da câmara do Barreiro (Carlos Humberto), como aconteceu no passado dia 18 de Março quando se assinaram as delegações de competências em matéria de transportes na AML?

Em suma, o discurso e as fotografias mostram algo que na prática, no serviço, na real preocupação não acontece.
Há uma diferença grande entre o que temos hoje e o que tínhamos antes.
Anteriormente tínhamos eleitos em órgãos que acompanhavam, que se preocupavam, que mantinham uma visão aglutinadora do futuro dos TCB, da necessidade deste pilar social, económico e ambiental do nosso concelho ser consensual em todo o espectro político do Barreiro, mesmo em tempos de grandes dificuldades como foi o período de 2009 a 2016.

E não, não me refiro aos eleitos da CDU. Refiro-me a todos os eleitos sem excepção que, não pondo de parte questões partidárias, reconheceram o papel e a política / trabalho realizado em momentos tão complicados.
A medida de alargamento dos passes a toda a área metropolitana, a todos os operadores e a redução do preço dos títulos é uma grande medida, que também só foi possível com essa capacidade de todos juntar, de todos ouvir, de todos sensibilizar para a sua importância. Um trabalho de anos.

Certamente que a opção de adquirir 60 autocarros a gás natural, tomada no mandato de 2013 a 2017 por todos os eleitos de todos os órgãos, será um momento de transformação importante para os TCB, para os seus trabalhadores, para a população e consequentemente para o Barreiro.

Rui Lopo
Vereador Eleito pela CDU

05.04.2019 - 17:48

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