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O PODER DO CAPITAL E A DEMOCRACIA, uma pequeníssima reflexão sobre a nossa cidade e tudo o resto.
Por André Carapinha
Barreiro

O PODER DO CAPITAL E A DEMOCRACIA, uma pequeníssima reflexão sobre a nossa cidade e tudo o resto.<br />
Por André Carapinha<br />
BarreiroTalvez nos enganemos, e se calhar esta cidade esteja pronta para perder o seu carácter. Se isso acontecer, seremos todos responsáveis, mas eu prefiro acreditar que não. Que no Barreiro continuaremos sempre a honrar a nossa história e que, por isso mesmo, ninguém por aqui vá deixar de fazer seja o que for porque vai perder o seu subsídio ou o seu protocolo.

Fala-se com uma colectividade ou com uma associação, e o que se ouve é o receio de acabarem os protocolos, os subsídios, os apoios.
Quer-se debater num determinado local, mas pode ser má ideia, porque o local é apoiado, e os apoios podem sempre acabar.
O artista visual gostaria de apoiar, mas não pode. O músico gostaria de tocar, mas se calhar é melhor não. O cidadão mais conhecido, não se quer comprometer.

Numa pequena cidade, onde o Capital habitualmente se revela em forma de pequeninas coisas. Onde há pouco de tudo, as migalhas são normalmente e habitualmente distribuídas.

Todos os partidos que para si reclamam a herança do 25 de Abril tem uma responsabilidade histórica. Esta cidade que agora nomeio – o Barreiro – necessita de regressar aos valores de Abril. Não são cravos na lapela uma vez por ano, não são discursos quando convém, não é encher o peito de ar. Abril é Liberdade.

A democracia não é uma palavra. Quando se enche a boca com essa palavra, está-se a a falar de muitas coisas e de muita gente. A democracia, por definição, é o Poder do Povo. Onde anda a democracia quando são os cidadãos que se demitem da sua cidadania por medo de perder a sua posição, o seu interesse; onde ficam os cidadãos quando perdem o seu lugar de Povo, de membros de uma comunidade de todos e para todos?

Tanto mais grave é isto, quando falamos do Barreiro, cidade da qual ainda vamos pensando que, pela sua história e pelo seu carácter, a palavra pode valer algo, e as maneiras e as canseiras com que ganhámos a fome e o pão ainda podem subsistir na nossa memória colectiva.

Talvez nos enganemos, e se calhar esta cidade esteja pronta para perder o seu carácter. Se isso acontecer, seremos todos responsáveis, mas eu prefiro acreditar que não. Que no Barreiro continuaremos sempre a honrar a nossa história e que, por isso mesmo, ninguém por aqui vá deixar de fazer seja o que for porque vai perder o seu subsídio ou o seu protocolo. Porque se assim for, os mesmos que enchem a boca com o 25 de Abril serão os coveiros da democracia e os acólitos do poder do Capital, tal como serão os que desistem de pensar em troca do almoço e do jantar.

André Carapinha

01.05.2019 - 13:54

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