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Ainda a Braamcamp!
Por Sandra Machado
Barreiro

Ainda a Braamcamp! <br />
Por Sandra Machado<br />
Barreiro Decidir a alienação daquele terreno à margem da maior parte dos Barreirenses, isto porque nem todos se manifestam abertamente e as vozes do suposto progresso são ruidosas, não é honesto, não é sério e provoca-me uma sensação de descrédito, como nunca senti em executivos anteriores.

É inegável que o assunto está na ordem do dia, seja por força dos que vão dando a cara e promovendo o debate sobre o assunto, quer pelas páginas e perfis falsos que tentam diabolizar a Plataforma Cívica Braamcamp é de todos, atribuindo-lhe os mais variados significados, conforme lhes vai dando jeito.
Quanto a mim, enquanto invisível, e digo isto por não ter pertencido a nenhum grupo de interesse ou feito algo de "significativo", isto aos olhos de quem mede o mérito dos outros pela sua presença na vida pública da cidade.

De qualquer forma, 10 anos de Cuidados de Saúde Primários e como elemento da primeira USF do Barreiro garantiu-me que conheço grande parte do Concelho do Barreiro, o que me coloca numa posição de confiança, garantia de que não daria a cara por algo em que não acredito, tanto que a frase "Não Vendas a Braamcamp" tornou-se parte do bom dia quando chego ao trabalho. Isto para dizer que, seja por piada, provocação ou interesse genuíno, este é um assunto incontornável na vida dos Barreirenses.

Não fosse o Facebook e o rol de intrigas de mesquinhices e desinformação que mencionei anteriormente e talvez as pessoas se aproximassem mais, procurando o debate saudável sobre um território que não só é uma parte da nossa história, guardando em si património material e imaterial sobejamente conhecido e discutido, como encerra em si a possibilidade do desenvolvimento do Barreiro do futuro, e é aqui que falhamos não o discutindo séria e honestamente.

Esta é a oportunidade soberana para discutir os próximos passos a dar para desenvolver o Concelho e a mim, parece-me que o executivo ao informar as suas intenções num momento que designou debate público, sem consultar previamente os elementos das restantes forças políticas, sem ouvir o que os cidadãos têm a dizer falhou!

Tornou a falhar quando, apesar de toda a contestação, à posteriori, ouviu os restantes partidos, mas não teve em conta as suas opiniões. Tornou-se incapaz de responder a todas as questões que lhe foram sucessivamente colocadas em sessões públicas de câmara e de assembleia municipal, questões cujas respostas ainda se aguardam.
Recebeu a Plataforma Cidadã, a qual solicitou através de requerimento, a consulta de todos os documentos referentes à Quinta do Braamcamp desde 2010 ao abrigo do código do procedimento administrativo, não cumprindo com o tempo previsto para resposta.

Enquanto isso, falhou redondamente, porque mais uma vez o fez sem ouvir os restantes vereadores, ao usar 14000€+IVA para realizar um inquérito à população que ainda não teve coragem de apresentar, tendo sido o PS na sua página a apresentar 3 das questões colocadas, cuja formulação, por si só, levanta muitas questões.

O toque final, difícil de entender, foi gastar 54.000€ + IVA numa consultoria de Advogados para " (...)alienação(...)". Se a alienação de património tem que ser votada em reunião de câmara e de assembleia municipal, não estará a falhar aqui alguns passos importantes? 81000€ é o total gasto com um processo que ainda não está definido, a não ser que saibam de algo, até porque o segredo é a alma do negócio e, queiramos admitir ou não, isto é puramente negócio e os Barreirenses ficarão apenas com as sobras, disso não terei dúvidas, e sem a fruição do local, exemplos mais ou menos recentes demonstram-nos isso!

Agora o futuro, a mim arrepia-me pensar que todo o território que nos distingue e que, nos últimos anos, digam o que disserem, tem sido melhorado e valorizado, vá terminar num complexo habitacional e com o terminal de contentores no lado oposto!
Não vou discutir o já rebatido, os anos anteriores, os erros do passado, as decisões, os condicionamentos, a não revisão do PDM!

Decidir a alienação daquele terreno à margem da maior parte dos Barreirenses, isto porque nem todos se manifestam abertamente e as vozes do suposto progresso são ruidosas, não é honesto, não é sério e provoca-me uma sensação de descrédito, como nunca senti em executivos anteriores.

Angustia-me pensar que quem tem poder para tomar decisões tenha uma visão afunilada de desenvolvimento, que não considere todos os novos conhecimentos e as novas formas de estar e viver na cidade e a forma como a mesma se ordena para proporcionar bem estar e estilos de vida saudáveis. E não me ofendam dizendo que uma versão mais natural não pode gerar empregos e empreendedorismo, isso é uma total falta de criatividade, o que assumo nem todos têm, mas podemos encontrar e desenvolver talentos.

A mim assusta-me pensar em introduzir máquinas a interferir com a biodiversidade que ali se encontra e podíamos potenciar, a construção e a quantidade de poluição doméstica, de resíduos, emissões de CO2, porque desenganemo-nos ao pensar que são só 5%, e nem esses admito.

A Quinta tem todo o edificado que necessita, apenas precisa ser reabilitado, adaptando-o às novas técnicas sustentáveis de construção e produção de energia e, estou certa, que se fosse essa a direção não seria difícil obter apoios e financiamento.

Quanto às utopias, adoro-as e sempre gostei de ironias também e acredito que o Barreiro, outrora cinzento, pode dar lugar a uma cidade exemplo em termos de sustentabilidade ambiental, e isso só se consegue com coragem de mudar as práticas e dando exemplos claros de que se trabalha com os olhos postos no futuro!

Por uma questão de honestidade, valor que prezo, devo informar que não milito em nenhum partido político, mas não me incomoda que quem o faça esteja presente nos debates. É das diferentes ideias que construímos uma solução representativa de várias sensibilidades.

Sandra Machado,
Enfermeira

12.06.2019 - 12:29

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