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OSTOMIA NO CONCELHO DO BARREIRO
BREVE CARACTERIZAÇÃO DE UMA REALIDADE QUE PODE SER ALTERADA

OSTOMIA NO CONCELHO DO BARREIRO<br />
BREVE CARACTERIZAÇÃO DE UMA REALIDADE QUE PODE SER ALTERADAA Cidade do Barreiro, é talvez dos 378 Concelhos do Continente e Ilhas o que mais informação possui sobre esta condição clínica e social, através dos diversos estudos e desenvolvimento de projectos relacionados com a acessibilidade, muito em especial ao nível das casas de banho para pessoas portadoras de deficiência e que foram nos últimos anos realizados pela AIDPO em Portugal e fora de Portugal.

Usar um saco colector, um dispositivo médico para uma ostomia torna-se algo complicado e que nos obriga na maioria dos casos a abdicar de hábitos, rotinas culturais e de tradições que faziam parte da sua vida diária.
Uma ostomia, neste caso de eliminação ou digestiva provoca um revirar da nossa vida e para o qual nunca estamos preparados na sua grande maioria alterações nas mais diversas vertentes da vida social da pessoa nomeadamente ao nível clínico, higiene, alimentação e social, considerando também e na sua grande maioria o contexto financeiro.
O uso do dispositivo médico (vulgo saco) pode provocar um desconforto inicial levando numa primeira fase a um sentimento de ansiedade, medo e em muitos casos de revolta não só por não possuirmos a informação necessária para uma adaptação ao estoma e suas novas regras de vivencia, mas acima de tudo porque vivemos com algo colado ao nosso corpo e do qual não temos qualquer controlo. A sociedade deveria perceber as dificuldades físicas, emocionais e financeiras da pessoa com ostomia de eliminação, tornando-se algo que vai além da compreensão de quem nunca viu, sentiu ou leu sobre esta matéria.
Em Setembro de 2013 surge na cidade do Barreiro a Associação Internacional para a Defesa da Pessoa com Ostomia por força da experiencia dos seus fundadores e conhecimento prático e teórico da diminuta reposta técnica e social nesta área e onde o empenho na constituição de respostas sustentadas e de qualidade dedicadas ao ostomizado e sua família, não só no trabalho profissional do ponto de vista técnico mas, acima de tudo num contexto de humanização e proximidade dos cuidados da pessoa com ostomia, realizou-se um primeiro estudo de fundo desta associação.
Estudo que passou por contextualizar esta condição clínica e física no Concelho do Barreiro entre Janeiro e Maio de 2014, onde podemos considerar que quando falamos em ostomia de eliminação e em especial no Concelho do Barreiro os números deixam-nos algo pensativos perante os cerca de 312 homens, mulheres e crianças com esta condição entre uma população perto dos 78.764 residentes, o que equivale a cerca de 0,4% da população com uma problemática que origina anualmente um aumento na ordem dos 0.02% em relação a 2013. Os números apresentados resultam da recolha e tratamento de informação por parte da Associação Internacional para a Defesa da Pessoa com Ostomia, junto de diversas unidades hospitalares, principalmente do Centro Hospitalar do Barreiro, EPE que abrange os quatro concelhos. Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.
Na sua maioria a comunidade Ostomizada é portadora de idade acima dos 71 anos e com uma incidência no sexo masculino na ordem dos 68,91%, em que 89% são reformados e utentes do Serviço Nacional de Saúde, 78% das Ostomias são Definitivas e 22% Temporárias. Na comunidade barreirense, cerca de 59% tem um rendimento abaixo dos €500 e 4,75% encontra-se acamado ou dependentes do cuidador para efectuarem algumas das tarefas diárias muito em especial ao nível da higiene pessoal e substituição do dispositivo.
79 destas pessoas, cerca de 25,32% estão localizadas na União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, seguindo-se a Junta de Freguesia de Santo António da Charneca com 61 casos identificados, cerca de 25%. A União das Freguesias do Alto do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena com 18,59% cerca de 58 casos e por último a União de Freguesias de Palhais e Coina com 9 casos, cerca de 2.88%. Salientamos o facto da União das Freguesias do Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena terem registado 2 casos com idades compreendidas entre a idade de recém-nascido e os 3 anos de idade, cerca de 0,64% e União de Freguesias do Barreiro e Lavradio identificado 1 caso com 9 anos, com uma ostomia provocada por acidente de viação.
Em 2014 e na continuidade do trabalho de investigação desenvolvido pela instituição observou-se um aumento de casos com idades inferiores a 30 anos o que nos permite construir o pensamento sobre esta condição clinica e que nos dá alguma liberdade para construir uma questão de fundo “a identificação precoce da causa, em especial o Cancro do Colon e/ou Recto pode provocar o aumento da condição temporária de uma ostomia, diminuindo em simultâneo a ostomia definitiva?”
Os dados que têm vindo a ser avaliados provocam-nos um repensar de facto sobre as respostas de rastreio nomeadamente ao nível da colonoscopia e um reforço urgente das equipas multidisciplinares e nas acções preventivas na comunidade. Onde consideramos a urgência no reforçar das acções de sensibilização e informação junto da comunidade, disponibilizando a informação eficaz e eficiente de forma a desmistificar quer a importância da colonoscopia, bem como informar sobre as possíveis causas que originam a ostomia de eliminação ou digestiva.
O concelho do Barreiro com uma população na ordem dos 80.000 habitantes distribuídos por 36,39 km2, onde cerca de 21,60% desses residentes tem idade acima dos 65 anos e onde a Freguesia de Santo António da Charneca que se posiciona na terceira posição, sendo a mais povoada a União de Freguesias da Verderena, St André e Alto do Seixalinho, seguida pela União de Freguesias do Barreiro e Lavradio, é a de maior extensão geográfica e a que possui a faixa etária mais alta e posiciona-se na segunda posição em numero de casos de ostomia.
Podemos aqui também considerar algumas questões, nomeadamente ao nível da ausência de informação ou proximidade a unidades de saúde em zonas de maior isolamento, acessibilidade ou hábitos diários e questões culturais. Avaliar a importância da informação através de acções de sensibilização junto de uma população maioritariamente alentejana.
A Cidade do Barreiro, é talvez dos 378 Concelhos do Continente e Ilhas o que mais informação possui sobre esta condição clínica e social, através dos diversos estudos e desenvolvimento de projectos relacionados com a acessibilidade, muito em especial ao nível das casas de banho para pessoas portadoras de deficiência e que foram nos últimos anos realizados pela AIDPO em Portugal e fora de Portugal.
Informar, Formar para que seja possível uma melhoria da qualidade de vida do Ostomizado e do seu Cuidador Informal!
Existem inúmeros casos que nos mostram a “solidão” e a limitação na sua informação, sendo que e em grande número se tornaram “reféns” da sua Ostomia. Nem sempre admitem a inibição dos seus passeios, da limitação da sua vida social ou porque o intestino não está a funcionar como gostariam, porque desconhecem a possibilidade de realizarem uma irrigação (dependendo da opinião clínica e da enfermagem especializada).
As suas viagens por exemplo, no verão quando as temperaturas são mais elevadas, perceber o que fazer para que o penso ou placa de hidrocoloide não descole e não só, são situações que estas pessoas enfrentam na sua maioria com alguns sacrifícios mas, que pelo menos não tenham receios e possam pensar que é possível voltar a ter uma vida social, laboral e familiar muito próximo do que tinham antes da cirurgia que levou ao estoma.
Em Portugal o número de pessoas com ostomia de eliminação tem vindo a aumentar e continuará a aumentar por força das condições sociais e ausência de acções de rastreio ou sensibilização. Temporárias ou definitivas, as acções devem ser tomadas pelo Serviço Nacional de Saúde, criando políticas públicas de saúde e sociais adequadas e não reforçar apenas as políticas de salvaguarda de alguns grupos económicos.
Os últimos meses de 2019, serão com certeza momentos de informação e formação, dos quais daremos em momento oportuno conhecimento do calendário dos eventos no concelho do Barreiro.

(*) Francisco Oliveira
(**) Vitor B Munhao
(*) Presidente da Associação Internacional para a Defesa da Pessoa com Ostomia
(**) Vice-Presidente da Associação Internacional para a Defesa da Pessoa com Ostomia



Endereço da
Associação Internacional para a Defesa da Pessoa com Ostomia
Rua 1º de Dezembro 31B, Alto do Seixalinho, 2830-033 Barreiro – Portugal
Contacto +351 212 170 731
Email direccao.aidpo@gmail.com

20.08.2019 - 15:31

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