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Um breve olhar sobre a problemática da Quinta Braamcamp.
Uma reflexão a quatro mãos.
Por José Encarnação e Rui Marques
Barreiro

Um breve olhar sobre a problemática da Quinta Braamcamp.<br />
Uma reflexão a quatro mãos.<br />
Por José Encarnação e Rui Marques<br />
BarreiroTentar reduzir o assunto a um suposto “confronto” entre a atual e a anterior presidência/vereação da Câmara Municipal do Barreiro é contribuir para a ofuscação do essencial. O uso futuro da Quinta Braamcamp está para além das fronteiras partidárias.

Já muito se disse sobre o assunto “Quinta Braamcamp” e, possivelmente, muito mais se irá falar.
Tentar reduzir o assunto a um suposto “confronto” entre a atual e a anterior presidência/vereação da Câmara Municipal do Barreiro é contribuir para a ofuscação do essencial. O uso futuro da Quinta Braamcamp está para além das fronteiras partidárias.
Subsiste, até ao momento, um enorme equívoco que parece assentar na tentativa de contraposição dos que pretendem vender a quinta, em nome de uma eventual recuperação e os que, na opinião dos que defendem a venda, querem que fique tudo na mesma ou seja ao abandono.

Nada mais errado. Ao vender a Quinta, perdendo assim qualquer possibilidade real de intervir no processo da sua recuperação, está-se a sacudir a responsabilidade e a perspetiva de a colocar ao serviço do município e da generalidade da população, do saber, do ambiente e do seu usufruto com carácter universal.

As propostas colocadas até agora em torno da venda parecem inviáveis, inconsequentes, juridicamente duvidosas e até lesivas do interesse público.

Interessa então partir noutras direções e tendo em atenção a articulação com o meio circundante.
Propomos então partir numa direção: o passado!
O que era/foi este local no passado?
Era a Quinta Braamcamp! Uma Quinta!
À luz desse facto o que poderíamos fazer aqui?

Entre muitas coisas e muito simplesmente poderíamos fazer uma coisa que o Barreiro não tem, nem parece haver nos arredores: uma Quinta Pedagógica!

A título de exemplo pode-se consultar:

https://omelhordeportugalestaaqui.wordpress.com/category/parques-tematicos-e-quintas-pedagogicas/

https://www.herdadegambia.com/lugardospernilongos />
https://ec.europa.eu/agriculture/sites/agriculture/files/open-farms/pdf/open-farms_pt.pdf

https://oluxovemdolixo.blogspot.com/2016/03/quinta-pedagogica-helix.html

Uma quinta pedagógica neste local permitiria que o solo retornasse ao uso que já teve e permitia, ainda, cobrir várias vertentes do saber: apoiar as escolas no especto pedagógico, como é bom de ver, por permitir ver ao vivo aquilo que se aprende teoricamente em sala de aula.

Poderia também ser uma quinta de produção e, desse modo, permitiria apoiar as IPSS do concelho.
Aqui chegados é bom lembrar que neste local se fazia, a cultura de bichos-da-seda, para a produção da dita. É algo que se poderia considerar de modo artesanal mas viável.

Outra dimensão a considerar seria a possibilidade da existência de hortas comunitárias, permitindo assim aos munícipes uma atividade lúdica e saudável com a vantagem de daí poderem extrair produtos, sobretudo vegetais, cultivados em condições por eles controladas. Não sendo essa a principal preocupação é facto que tal poderia constituir um acréscimo do rendimento e na poupança através de meios sustentavelmente ambientais.

A Quinta permitia assim promover a permanência humana contínua no local e a existência de animais constituiria uma espécie de sistema de alarme contra intrusos. Simultaneamente encontrar-se-ia aqui um ponto de contacto e apoio com os pescadores tradicionais dos rios Tejo e Coina.

Numa outra dimensão, a Quinta poderia constituir um ponto de apoio às atividades do Instituto Politécnico de Setúbal, polo do Barreiro, nas áreas da biotecnologia, da água e dos recursos hídricos e marinhos.

Neste ponto importaria ter em consideração o que a Ciência Viva está a preparar em conjunto com várias autarquias (http://online.pubhtml5.com/cxcx/ltpd/), universidades e politécnicos: a criação da rede de quintas Ciência Viva.

A autarquia do Barreiro e os munícipes teriam tudo a ganhar estabelecendo o contacto com este organismo para possíveis apoios e cooperação (http://cienciaviva.pt/home/).

A recuperação do moinho constituiria também um importante contributo inclusive numa versão de produção de energia e de autossustentação.

A eventual recriação da atividade transformadora dos moinhos na zona, nomeadamente na obtenção de profissionais (moleiro e outros), poderia constituir também um ponto de venda das farinhas como no caso do moinho de Corroios. Ainda que não fosse essa a via a usar, conseguir-se-ia sempre um ponto de interesse histórico patrimonial através de infografia própria e adequada.
Ainda no que ao moinho diz respeito, poder-se-iam usar outras turbinas funcionando como geradores de energia elétrica transformando o edifício numa Central de Maré motriz sendo também suscetível de ter infografia sobre energia obtida através das marés.
A caldeira carece de um estudo mais completo para que se possa avaliar a sua valência quer em termos energéticos, quer em termos lúdicos e ou de produção.

A ligação espacial à Escola Alfredo da Silva poderia ser feita com um parque infantil no meio de um grande jardim. Tudo isto poderia e deveria ser articulado com as praias circundantes as quais deveriam ser dotadas de recintos desportivos adequados aos desportos de ar livre.

A ligação da Quinta à antiga estação fluvial seria determinante. Aí poder-se-ia instalar um Museu do Rio onde poderia existir um Fluviário dos rios Tejo e Coina com materiais geográficos, geológicos e históricos, desde a pré-história até à atualidade.

O conjunto envolvente à Quinta poderia integrar um equipamento de excelência virado para a investigação dos rios e das zonas estuarinas. Equipamento esse que não existe no país e que o Barreiro poderia constituir-se como referência pioneira.

Ou seja. A Quinta Braamcamp mantendo-se na posse e uso públicos poderia mesmo dar um contributo no que diz respeito a uma das áreas carenciadas no que diz respeito ao ensino universitário: a criação de uma zona de construção de residências universitárias em colaboração com os ministérios da educação, ciência e ensino superior.

Através deste modesto contributo apenas queremos tentar demonstrar que ideias não faltariam para dar vida e requalificar quer a Quinta Braamcamp quer o espaço envolvente.

O argumento das insuficiências de natureza financeira não colhem. Governar é fazer escolhas e, no caso presente, é fazer a escolha pelo interesse, participação e envolvimento dos munícipes e das populações residentes e vizinhas.

Os subscritores/proponentes
José António Encarnação
Rui Manuel Antunes Marques

13.09.2019 - 17:11

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