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Alburrica é de todos!
Por Armando Sousa Teixeira
Barreiro

Alburrica é de todos! <br />
Por Armando Sousa Teixeira<br />
Barreiro Os cidadãos qualquer que seja a sua ideologia ou credo, têm o direito de manifestar as suas opiniões (concordantes ou discordantes) em relação às propostas camarárias, de se organizarem de forma unitária, respeitando os direitos e deveres consignados na Constituição.

ALBURRICA É DE TODOS! (5)

DUAS FILOSOFIAS DISTINTAS,
DOIS CONCEITOS ANTAGÓNICOS,
O RESTO É DEMAGOGIA BARATA!

1.INTRODUÇÃO

Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
Se carácter custa caro
Pago o preço
A evocação do poema de Sidónio Muralha (Lx. 1920 – Curitiba 1982) impõe-se numa altura em que os barreirenses, de nascimento ou opção, são chamados a tomarem consciência duma situação que envolve a opção entre duas filosofias distintas, entre dois conceitos antagónicos – a proposta de alienação da Quinta Braamcamp para a construção imobiliária, do executivo municipal de maioria do Partido Socialista.

Particularmente os eleitos nas autarquias (todos os eleitos!) terão de decidir: Se aprovam um modelo que põe nas mãos de particulares um negócio de contornos especulativos, sem garantia real de que “à posteriori” da construção, seja cumprido o caderno de encargos; Ou se optam por um modelo de gestão autárquica, com a participação da população, garantindo o usufruto pleno do excepcional Sítio de Alburrica que contém a área da Quinta em questão.

Que melhor forma de compreender a importância para o futuro de todos nós, da decisão e da opção implícitas, que estoutra estrofe do poema referido?

Um rio, só se for claro.
Correr sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro
- não paro nem mereço.

2. DEZ RAZÕES PARA DISCORDAR DA VENDA DA QUINTA PELO EXECUTIVO PS (COM O APOIO DO PSD?)
~
- O respeito pela história do Barreiro ribeirinho, da sua idiossincrasia ligada ao rio Tejo, às pescas, ao transporte fluvial, à indústria naval, à sua génese tejana, à sua alma inspirada pelas tágides.

- A necessária recuperação estratégica, histórica e patrimonial do Sítio de Alburrica e das suas extraordinárias condições naturais, ímpares no mar estuarino, a “terra de esplendor” dos antepassados, na perspectiva inalienável do interesse público.

- A possibilidade excepcional de usufruição plena pelos barreirenses, pela primeira vez em 500 anos, dos excepcionais territórios de Alburrica/Mexilhoeiro/Qtª. Braamcamp, para o recreio, o desporto e o lazer, numa área proibitiva durante séculos.

- A necessária defesa ambiental de uma zona frágil, já sujeita a inundações no presente que se irão agravar no futuro próximo, com a inexorável subida do nível das águas, exigindo a tomada de medidas imediatas (nomeadamente a não construção imobiliária!).

- A recuperação patrimonial integrada e inteligente, respeitando a fauna e a flora, da área da Quinta Braamcamp, no contexto de uma estratégia conjunta para o sítio de Alburrica (incluindo a Av. De Sapadores, a estação Ferro-Fluvial antiga e a Rua Miguel Pais).

- A necessidade urgente de Projectos de Recuperação e Requalificação da zona degradada do Barreiro Antigo, obrigatoriamente integrados com os projectos para Alburrica (inexistentes!), excluindo quaisquer iniciativas casuísticas, como a proposta de alienação da Quinta Braamcamp.

- A revisão urgente do Plano Director Municipal (PDM) aprovado em 1994, completamente ultrapassado à luz dos novos conceitos ambientais e patrimoniais, acomodando de forma faseada: a regularização das Caldeiras, a recuperação dos Moinhos de Vento e de Maré, a valorização das Praias Fluviais, e o usufruto público dos espaços envolventes.

- Os cidadãos qualquer que seja a sua ideologia ou credo, têm o direito de manifestar as suas opiniões (concordantes ou discordantes) em relação às propostas camarárias, de se organizarem de forma unitária, respeitando os direitos e deveres consignados na Constituição.

- A recuperação e requalificação urgente e estratégica do Sítio de Alburrica/Mexilhoeiro/Quinta Braamcamp, deverá ter (aí sim!) a participação da iniciativa privada e social, nas áreas da hotelaria, turismo, desporto e recreio, num esforço conjunto com as autarquias e a população (tantos exemplos por esse país fora!).

3.A DÉCIMA RAZÃO

Sidónio Muralha foi um precursor do neo-realismo, com a sua poesia de intervenção: “Passagem de Nível -1942”, “Companheira dos Homens -1950”, “Poemas de Abril – 1950”. Premiado pela sua literatura infantil, perseguido pela polícia salazarista, viveu exilado e morreu no Brasil.

Escolhemos este seu poema porque não queremos que nos “exilem” na nossa terra, destruindo a sua história e postergando a sua dignidade:

E que ninguém me dê amparo
nem me pergunte se padeço.
Não sou nem serei avaro
- se carácter custa caro
pago o preço.

Armando Sousa Teixeira

10.11.2019 - 20:43

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