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ESTE É O DILEMA: SALVAR VIDAS OU SALVAR OS BANCOS
Por Alcidio Torres
Montijo

ESTE É O DILEMA: SALVAR VIDAS OU SALVAR  OS BANCOS <br />
Por Alcidio Torres<br />
Montijo A saída para esta crise só pode ser uma: dar todas as condições aos profissionais de saúde, que passa por aumentos salariais e pela defesa das suas condições de trabalho e de saúde , em simultâneo aumentar o poder de aquisição e compra das famílias, quer pela isenção do pagamento de serviços como agua, luz e gás quer favorecendo financeiramente as famílias.

Na primavera de 2010, uma nuvem gerada por uma pequena erupção vulcânica na Islândia provocou a paralisação de quase todo o tráfego aéreo da Europa. Agora, uma epidemia iniciada na China em Dezembro de 2019 espalha-se por todo o mundo provocando milhares de mortos. Estes dois acontecimentos mostram a dimensão da globalização e a actual interdependência mundial, promovida pela necessidade primeira da circulação de capitais e mercadorias. Ao ter de comer agora “o pão que o diabo amassou”, o capitalismo globalizado é confrontado na crise da COVID-19 com um grande dilema: ou opta por CONTER A EPIDEMIA OU POR AFUNDAR A ECONOMIA, o meio termo neste dilema tem como consequência milhares e milhares de mortes sem, mesmo assim, salvar a economia. Não há meio termo numa crise prevista para durar alguns meses.

“Ou se opta por uma hibernação com que a epidemia será contida, mas a economia se afundará, ou se opta pela actual restrição soft com a economia em apuros e uma grande mortandade . Na primeira opção muitos governos “engolem em seco”, porque ela não serve o interesse dos mais ricos e o capital não fecha aos domingos”(Rafael Poch).

Se é verdade que Países como a França, Itália e Espanha optaram por conceder verbas e subsídios para enfrentar a pandemia, países como os EUA, Brasil, Alemanha ou Reino Unido optaram pela abertura 24 horas.
No caso português, a opção tem sido dar “uma no cravo outra na ferradura,”, que terá como consequência nem salvar as empresas (a sua maioria), nem os postos de trabalho e muito menos a vida dos portugueses.

Deixar contaminar os cidadãos para promover a imunidade colectiva, salvando-se os mais fortes e quem tem condições financeiras para permanecer em casa sem trabalhar meses ou anos seguidos é a sentença de morte do Darwinismo Social, a versão mais radical do capitalismo selvagem.

A saída para esta crise só pode ser uma: dar todas as condições aos profissionais de saúde, que passa por aumentos salariais e pela defesa das suas condições de trabalho e de saúde , em simultâneo aumentar o poder de aquisição e compra das famílias, quer pela isenção do pagamento de serviços como agua, luz e gás quer favorecendo financeiramente as famílias.

Os milhões do BCE deviam ser direccionados para as famílias e empresas e não para a banca suicidar as empresas com novas linhas de crédito, que só servem para, de novo, salvar os bancos.
É hora da coragem, é hora de optar entre salvar vidas ou salvar os bancos. É hora de um Quantitative easing ao contrário.

Alcidio Torres

25.03.2020 - 17:49

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