Conta Loios

opinião

ANA, ASSIM NÃO!
Por Alcidio Torres
Montijo

ANA, ASSIM NÃO!<br />
Por Alcidio Torres <br />
Montijo Uma empresa, que pretende ou pretendia construir um aeroporto em Montijo e com lucros anuais acima dos 200 milhões de euros, não tem agora dinheiro para aguentar o pagamento de, mais ou menos, 3 meses de salários, o equivalente a pouco mais de 30 milhões de euros (caso sejam suportados inteiramente pela empresa) ou pouco mais de 9 milhões (caso recorram ao Lay-off)?

Faz algum sentido que a Lei do "lay-off" abranja o universo das empresas portuguesas, tenham ou não lucros astronómicos?
Por exemplo, a ANA Aeroportos lucrou 587 milhões de euros em 5 anos, a que se somam os resultados de 2018.

Faz algum sentido, que este grupo francês Vinci, se recorrer à Lay-Iff, possa receber 7 milhões de euros mensais das nossas contribuições para a segurança Social por conta do cego Decreto-Lei 10-G/2020? Sim, porque o dinheiro pago pela Segurança Social às empresas não vem do Orçamento do Estado, mas sim do sector contributivo da Segurança Social, ou seja das nossas contribuições sociais.

Mesmo assim, e não obstante as benesses do Lay-Off, A ANA – Aeroportos de Portugal recusa, para já, esta solução, e está a pedir aos seus funcionários que gozem férias antecipadas, aceitem uma redução de 20% no horário laboral ou licenças sem vencimento, num “diálogo” que, segundo o CEO da empresa que gere os aeroportos nacionais, Thierry Ligonnière, pretende “evitar a aplicação do ‘lay-off’”.

Uma empresa, que pretende ou pretendia construir um aeroporto em Montijo e com lucros anuais acima dos 200 milhões de euros, não tem agora dinheiro para aguentar o pagamento de, mais ou menos, 3 meses de salários, o equivalente a pouco mais de 30 milhões de euros (caso sejam suportados inteiramente pela empresa) ou pouco mais de 9 milhões (caso recorram ao Lay-off)?

A Lei do "lay-off" não podia nem devia abranger empresas com chorudos lucros nos últimos anos. Os milhões que a Segurança social vai gastar para apoiar empresas com grandes margens de lucro deviam, sim, ser aplicados para apoiar, a fundo perdido, as micro, pequenas e médias empresas, muitas delas sem margem de lucro, ou com margens condicionadas ao pagamento de encargos com as suas dívidas. Acho mesmo muito estranho, o silêncio dos partidos políticos face a esta enorme injustiça social e económica, que tem como consequência inevitável minar a sustentabilidade da Segurança Social, obrigando-a a suportar custos que não devia e, muito menos, de forma cega.
Só nos resta esperar que não seja por muito tempo.

Alcidio Torres

04.04.2020 - 01:41

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2020 Todos os direitos reservados.