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O Futuro do Comércio Nacional e Internacional
Bruno Paiva
Barreiro

O Futuro do Comércio Nacional e Internacional<br />
Bruno Paiva<br />
Barreiro A economia mundial até agora globalizada, tenderá provavelmente e num primeiro cenário desta minha análise, a entrar num ritmo lento de isolacionismo de produção, onde cada país tentará reinventar-se para que dependa minimamente dos seus parceiros...

O Covid-19, também intitulado de corona vírus, criou no nosso dia-a-dia um retrocesso em relação ao paradigma que inundava os hábitos, o “paradigma de acesso global”. Este paradigma criava na população mundial uma falsa sensação de segurança, no que concerne ao acesso a bens e serviços, a um ponto que há distância de um simples clique, rapidamente adquiríamos um qualquer bem em lugares tão remotos como o do início da dispersão do malfadado vírus, a cidade chinesa de Wuhan. A crise do vírus Covid-19, reduziu a pó todos os tratados internacionais de intercâmbio de mercadorias, bens e serviços, até às entidades supranacionais (aparentemente), mais seguras como a União Europeia (UE), e cria uma crise diplomática, financeira e social sem precedentes, mesmo que comparada com a crise de 1929, o pós-Segunda Guerra Mundial ou mesmo a Guerra Fria entre a bipolaridade mundial Estados Unidos/antiga URSS.

Tendo em conta este pequeno contexto anterior, em que paradigma nos posicionamos, daqui em diante e no que diz respeito a trocas comerciais com o exterior, incluindo as nossas tão desejadas exportações, que até há bem pouco tempo suportavam a ténue sustentabilidade do nosso Governo e a aparente tranquilidade das finanças públicas? A incógnita parece pairar sobre a maioria dos analistas nacionais e internacionais e até o mais otimista, afiança que entraremos numa recessão sem comparação e que levará muitos anos a recuperar, com níveis de desemprego superiores à última grande crise de 2008.

A economia mundial até agora globalizada, tenderá provavelmente e num primeiro cenário desta minha análise, a entrar num ritmo lento de isolacionismo de produção, onde cada país tentará reinventar-se para que dependa minimamente dos seus parceiros e que á custa de exportação massiva de produtos essenciais para países que não os possam produzir, gerará a riqueza necessária à recuperação das suas frágeis e debilitadas economias. Neste aspeto em particular, irá residir a verdadeira coragem de isolamento de cada um dos executivos dos Estados, e onde a cooperação que existia até á escalada global do vírus, desaparece quase por completo.

Neste momento o leitor desta publicação, dirá e com razão, que este cenário é com certeza o de um argumento de um qualquer filme apocalíptico de Hollywood e que nunca poderá acontecer. Pois bem, será com certeza um cenário pouco provável, tão difícil de acontecer como a previsão de Fukuyama do final dos anos 80 sobre o fim da história, logo após a Queda do Muro de Berlim em 1989, mas impossível é um termo que, sobretudo depois desta crise passar, nunca mais poderemos dizer. Quem pensaria apenas há 3 meses, que o mundo estaria confinado numa solidão intermitente das grandes capitais e onde os animais regressam perplexos, pelo silêncio as ruas antes recheadas de pessoas?

No extremo oposto da análise anterior, e tendo como modelo de estudo o de a descoberta de uma vacina dentro de um espaço temporal reduzido (até ao final do último trimestre deste ano), estará um cenário de total cooperação dos estados, quer da UE, quer dos restantes estados para um combate à recessão mais do que expectável após o final da crise Covid-19. Esta cooperação poderá consistir numa total abertura de fronteiras para a comercialização ou mesmo doação de material médico para o ultimo esforço de vacinação mundial e onde a Organização Mundial de Saúde (OMS) terá um papel fundamental na regulação desta prática, em particular nos países em desenvolvimento, para que se evite mutações do vírus e novos contágios de uma outra estirpe. Também o desenvolvimento de novas estratégias de comércio regulado entre estados, com margens e taxas reduzidas de intercâmbio, poderão dar origem a um maior crescimento das economias e o gerar de mais e melhor emprego especializado e contribuindo assim para o combate à “pandemia” subsequente à atual, a “pandemia do desemprego generalizado”. As grandes potências económicas do anterior paradigma mundo globalizado como os Estados Unidos ou a Alemanha, sobreviverão à enorme vaga de desemprego com a criação de novos “Planos Marshall”, para fomentar a criação de emprego e o vislumbrar de um novo modelo estrutural que possa permitir enfrentar novas situações atípicas decorrentes de catástrofes como a que enfrentamos. No final será a reestruturação do anterior modelo global de negócio, com foco na preparação de estruturas de prevenção de catástrofes, o modelo a seguir por pequenas, médias ou economias dominantes, para que na evolução desta reconstrução económica, se possam reerguer de uma forma sustentável e de entre ajuda, até porque foi nas economias dominantes, e este é um facto provado por esta crise, que as pandemias virológicas e/ou económicas foram exponenciais, sobretudo pela dificuldade dos estados com maior dimensão demográfica e de maior extremo cultural dentro dos seus próprios cidadãos, controlarem de forma eficaz a dispersão de um vírus desta envergadura.

O caso português tanto de combate ao vírus, como de lição de sentido de estado e de diplomacia, ameaça tornar-se um caso de estudo das mais conceituadas Academias do mundo. De entre os leitores do “Rostos”, encontro com toda a certeza opiniões divergentes, até pela multiplicidade e polaridade partidária que povoa tão democraticamente esta publicação, mas não poderia deixar de comentar que o atual Executivo foi rápido a focar-se na solução em detrimento de outros Executivos mundiais que com estrutura económica suportada por atores externos e “produtores” (péssimos na minha opinião), de modelos de previsão baseados na economia e não na sobrevivência do ser humano, procuraram e ainda procuram desvalorizar uma crise que primeiramente afeta o ser humano e só depois as economias de si decorrentes. O “segredo” português ou “milagre” como apelidado pela imprensa estrangeira, baseia-se num combate focado na solução imediata para uma hecatombe humanitária que nem os países mais desenvolvidos tecnologicamente e nos domínios da ciência conseguiram prevenir, evitar ou mesmo como no caso dos Estados Unidos da América resolver em tempo útil (prevejo eu no futuro, também assim será no Brasil). Portugal e o Executivo de António Costa com enfoque no agora, no tempo presente, lutando dia-a-dia, hora a hora, minuto a minuto para resolver as situações que surgiam e com bom senso, observando, analisando e agindo de imediato para que noutros locais não surgissem novamente focos extremos de contaminação. Quanto ao comercio internacional, o nosso país, não pode estar sempre em pleno discurso de negatividade e total dependência de outros estados, por parte das oposições partidárias em busca de aproveitamentos políticos e acredito, que apesar da evidente pequena dimensão territorial do nosso território, Portugal é produtor também de produtos e serviços de excelência, produtos estes premiados todos os anos por esse mundo fora e que por incrível que pareça, apenas no nosso país não são valorizados e observo nas entidades que neste momento nos governam, uma vontade e acção de sensibilização dos mercados para que, quando para a retoma económica formos chamados, diremos “presente”, e ajudaremos também o mundo à nossa dimensão, a ultrapassar esta crise, nem que seja a trazer para o nosso turismo, quem tanto tem trabalhado por esse mundo fora, para combater este furacão que assolou o nosso planeta e que teima em não nos abandonar.

Para finalizar deixo ao leitor um dos vários pensamentos de Mo Gawdat, um executivo da GoogleX que depois de uma tragédia familiar criou um movimento onde pretende ensinar um bilião de pessoas a serem felizes: “O Tempo é Agora! O Passado deprime porque a ele queremos à força regressar, o Futuro deixa-nos ansiosos por aquilo que nos poderá estar reservado, portanto o verdadeiro Tempo é Agora! Vivam-no felizes e com intensidade!”

Bruno Paiva
Licenciado em Relações Internacionais

20.04.2020 - 19:58

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