Conta Loios

opinião

Falar a sério da Quinta Braamcamp
Por Fernando Catarino
Barreiro

Falar a sério da Quinta Braamcamp<br />
Por Fernando Catarino<br />
Barreiro Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que os custos de manutenção da devolução dos supostos 95% serão gigantes, custos que supostamente agora a autarquia não pode suportar, mas que daqui a 3 anos já poderá.

Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que esta foi a forma mais simples de garantir liquidez para a reta final do mandato.

Que me desculpe Carlos Guerreiro, mas não consegui encontrar melhor título para esta crónica do que o post que escreveu no Facebook (perdoem-me a falta de imaginação) e que, sendo público, me permite a sua utilização.

Falar a sério da Quinta Braamcamp, para além de dizer que há 2 empresas interessadas em investir 60M€ no Barreiro. É dizer muito mais. Mas já lá vamos.
Não falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que com a concretização deste projeto o Barreiro vai receber de volta 95% da área, requalificada e para usufruto público. Mas também já lá vamos.

Recorrendo a uma expressão habitualmente utilizada e que tem muito de verdade, os números não mentem. E é precisamente pelos números que me vou guiar ao longo desta crónica. Terei por base o “Relatório de Avaliação Braamcamp 2019 Anexo V” disponível no site da CMB, no dossier da alienação da Quinta Braamcamp.
Falar a sério da Quinta do Braamcamp é dizer que o atual PDM permite a construção de 184 fogos. Falar a sério é dizer que os custos de construção equivalem a 32,431,736‬€ (quase 32,5 Milhões de Euros). Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que o preço mínimo de alienação da Quinta para aceitação de propostas foram 5,000,000€ (5 Milhões de Euros).

Ora, sendo que o Barreiro, de acordo com o mesmo relatório, tem um preço médio por metro quadrado de 1850€, a receita expectável, depois de deduzidas as despesas decorrentes da comercialização dos imóveis, é de 40 930 087,28 € (quase 41 Milhões de Euros, já retirando os quase 2 Milhões de Euros necessários para a comercialização).
Bom, até aqui, tudo bem já que o Investidor seria um verdadeiro investidor e retiraria, grosso modo, 3,5 Milhões de Euros desta operação.

Falar a sério da Quinta Braamcamp é, segundo as contas do atual executivo, ter dois investidores dispostos a investir 60 Milhões nesta operação, cumprindo escrupulosamente o “pesadíssimo caderno de encargos” segundo palavras do presidente Frederico Rosa, e devolvendo 95% do território ao Município para usufruto público.

Não falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que há dois investidores prontos a perder cerca de 20 Milhões para investir no Barreiro. Não falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que não vai ser criada habitação de luxo com um preço médio por metro quadrado acima do dobro da média do concelho. Não falar a sério da Quinta do Braamcamp é dizer que não será criada uma barreira visual na frente ribeirinha muito maior do que aquela que está no caderno de encargos.

Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que estas contas não batem certo. Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que nenhum investidor entra num negócio para perder dinheiro. Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que os barreirenses apenas terão direito a usufruir das traseiras das casas de alguém e dos “corredores visuais” entre prédios.
Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que o abandono propositado a que foi vetada nos últimos 3 anos só serviu para aumentar a angústia da perda.

Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que apenas ficaremos com as sobras do que outros não querem.
Falar a sério da Quinta Braamcamp é demonstrar com clareza aquilo a que se referem quando falam dos 95%. Contas feitas, sem as caldeiras e as áreas inundáveis 95 + 5 não dá 100.

Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que os custos de manutenção da devolução dos supostos 95% serão gigantes, custos que supostamente agora a autarquia não pode suportar, mas que daqui a 3 anos já poderá.
Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que os números não batem certo.
Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que esta foi a forma mais simples de garantir liquidez para a reta final do mandato.

Falar a sério da Quinta Braamcamp é admitir que existe uma providência cautelar aceite pelo tribunal.
Falar a sério da Quinta Braamcamp é dizer que, se a alienação for mesmo para a frente, o Barreiro vai mesmo para trás, para trás do betão, para trás da sustentabilidade, para trás do desenvolvimento.


03.05.2020 - 06:51

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2020 Todos os direitos reservados.