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Pela memória. Em nome da Liberdade foram presos
Por Rosalina Carmona
Barreiro

Pela memória. Em nome da Liberdade foram presos<br />
Por Rosalina Carmona<br />
Barreiro Nos dias 8 e 9 de Maio de 1945, por todo o mundo, comemorou-se com grande alegria o final da II Guerra Mundial e a derrota do nazismo e do fascismo na Europa.

No Barreiro, segundo os relatórios da PVDE, a população reuniu-se no Parque Municipal, saindo depois em manifestação para a Quinta do Inglês (Braamcamp). Foram então detidos 18 barreirenses, entre eles duas mulheres

Nos dias 8 e 9 de Maio de 1945, por todo o mundo, comemorou-se com grande alegria o final da II Guerra Mundial e a derrota do nazismo e do fascismo na Europa. Em Portugal, Salazar que começava uma política de aproximação às potências ocidentais vencedoras, Inglaterra e Estados Unidos, não permitiu manifestações. Ainda assim, por todo o país milhares de pessoas saíram à rua, desafiando a proibição e enfrentando a polícia.

No Barreiro, segundo os relatórios da PVDE, a população reuniu-se no Parque Municipal, saindo depois em manifestação para a Quinta do Inglês (Braamcamp). Como era proibido ostentar a bandeira da União Soviética, os manifestantes agitavam simbolicamente no ar paus nus, onde faltava o estandarte da URSS, gritando e clamando por liberdade, pelo fim do fascismo e vitoriando as potências vencedoras. Nas ruas do Barreiro ouvia-se «Viva a Rússia e o comunismo», «Viva Stalin» e «morras a Salazar, à canalha dos bandidos salazaristas, à PVDE e ao Tarrafal», e a manifestação dirigiu-se para a casa de um dos Aliados, a Quinta do Inglês. Imediatamente a GNR pediu reforços e começou os espancamentos e prisões.

Foram então detidos 18 barreirenses, entre eles duas mulheres. Neste dia 9 de Maio de 2020 uma vez mais evocamos a sua memória e homenageamos a capacidade de resistência que o povo barreirense sempre demonstrou na luta contra a ditadura fascista de Salazar, ainda que sofrendo as consequências.

Álvaro Pina - 38 anos, casado, cravador nos Estaleiros Navais da CUF – detido na sua residência na R. Aguiar nº 310, às três horas da madrugada.

António Cerqueira - 41 anos, serralheiro da secção de mecânica da CUF

António Ferreira Filipe - 36 anos, casado, contramestre da secção de Tecidos da CUF

António Macêdo “O Rachadinho” - 49 anos, casado, trabalhador

Armando Tavares Rodrigues – 36 anos, casado, serralheiro na Parry & Sonns

Artur Duarte Neto “O Neto” - 32 anos, casado, conferente na CUF

Ema da Silva Coelho “A Ema Duro” - 37 anos, casada, operária da secção de Tecidos da CUF

Francisco Batista dos Santos “O Batista” - 44 anos, casado, carregador da CP no Barreiro

Francisco Dias Gabriel “O Chico Darwin” - 39 anos, cortador

Joaquim Augusto “O Joaquim da costureira” - 29 anos, casado, fiandeiro na CUF

Joaquim Ferreira - 44 anos, casado com Maria Pinto Ferreira, também detida, caldeireiro na CUF

José Balseiro Fragata - 25 anos, solteiro, aprendiz de carpinteiro na CUF

José Ferreira “O Côxo” - 35 anos, casado, sapateiro

José Meléças Sande Nobre Madeira - 31 anos, casado, tipógrafo, filho de José Nobre Madeira deportado em Cabo Verde

Leonel da Conceição Nogueira - 30 anos, solteiro, contramestre na secção de Tecidos da CUF

Luiz da Silva - 49 anos, casado, conferente da CP

Manuel Alves Figueiredo “O Sardinha” - 25 anos, solteiro, empregado no bufete do vapor “Trás-os-Montes” da carreira Barreiro-Lisboa

Maria Pinto Ferreira “A Maria Pintainho” - 39 anos, doméstica, casada com Joaquim Ferreira, detido.

Rosalina Carmona
Historiadora e cidadã barreirense

09.05.2020 - 11:09

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