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CONTINUAMOS A ADIAR O FUTURO E A CONJUGAR TODOS OS VERBOS QUE NOS PREJUDICAM
Por Luís Batista
Barreiro

CONTINUAMOS A ADIAR O FUTURO E A CONJUGAR TODOS OS VERBOS QUE NOS PREJUDICAM <br />
Por Luís Batista<br />
Barreiro No final de 2018 a Câmara Municipal do Barreiro levava no seu sapatinho de Natal as palavras do Primeiro Ministro sobre um mega investimento que envolvia o Barreiro. O projecto anunciava a construção da ponte rodoviária com ligação ao Seixal e que estava prevista nas acessibilidades do novo aeroporto do Montijo.

Nessa altura, Frederico Rosa, Presidente da Câmara Municipal proferiu as seguintes afirmações à agência Lusa:
“É a ligação rodoviária entre o Barreiro e o Seixal que vai resolver muitos dos problemas das populações, vai aproximar territórios e ela sim é mobilizadora e tem capacidade de alavanca em toda a Margem Sul. Obviamente que assistimos a estas declarações do primeiro-ministro com muita satisfação”.

Frederico Rosa era o espelho da esperança e tinha toda a razão nas palavras que proferiu. A ligação ao Seixal é um projecto vital de aproximação entre duas localidades que, juntas, poderão ser um factor diferenciador de desenvolvimento não só local como na dinamização do Arco Ribeirinho.
Porém, o que António Costa deixava nas mãos do edil camarario era a responsabilidade deste, de apoiar um projecto longe de ser exequível - o terminal aeroportuário na BA6 Montijo.

Ficava assim definido que o Barreiro apoiaria incondicionalmente a solução Lisboa+1 na BA6, recebendo em troca a condição de vir a ser o polo de ligação entre o Seixal e o novo aeroporto com uma ligação por ponte entre ambas as localidades.
Não obstante os constantes avisos em sessões e reuniões de câmara sobre as falácias em torno deste mega projecto, a postura contumaz e agressiva tomava conta do executivo camarário que se escondeu atrás da vitimização, da fuga ao diálogo e da guerrilha de ataque político.

Para a ANAC poder certificar a futura pista e cumprir escrupulosamente a lei, teria de considerar as superfícies de desobstrução existentes na Superfície Horizontal Interior, na Cónica e na Superfície de Transição dentro da própria infraestrutura aeroportuaria.
Ora, face a este pressuposto técnico e legal, a futura ponte entre o Barreiro e o Montijo ficaria dentro da área do Cone de Aterragem, logo impraticável.

Fruto da pandemia toda esta discussão fica em stand-by e o que sobra ao actual Barreiro é um vazio de ideias e um discurso camarário cheio de nada.

Mas como o mundo não pára, eis que Isaltino Morais agita as águas e vinca a sua posição com a ambição de avançar com a construção de uma nova travessia rodoviária no Rio Tejo, um túnel que possa ligar Algés à Trafaria.
Megalómano ou não, o assunto está na ordem do dia e está na agenda política das Câmaras de Oeiras e Almada.

Se por um lado, estes dois municípios, Oeiras e Almada, partem para um futuro onde a discussão política se vai inscrever em torno desta importante obra na melhoria das acessibilidades entre as duas margens, o Barreiro continua escravo das suas más opções.
Deixou cair a ponte pedonal com o Seixal, vê a ponte rodoviária ficar comprometida pois o Aeroporto do Montijo é cada vez mais um problema onde abunda a falta de transparência e se prova cada vez mais o erro que seria a sua construção, sobrando-nos disto tudo a ideia de um Barreiro que iria crescer com o projecto dos outros. Até a ponte rodoviária para o Seixal não era uma aposta nossa, era sim parte do pacote de acessibilidades para uma obra no concelho do Montijo e cujo intuito seria a sua ligação ao Seixal.

Não vejo o Barreiro exercer a força necessária para que possa fazer a pressão nos corredores de decisão. Faz falta ao Barreiro assumir-se com determinação como região e como solução. Não temos um projecto próprio e estruturante para o desenvolvimento regional. Estamos reduzidos a pequenas obras de circunstância e que nos vendem como Torres de Babel.

Se no dossier "ponte rodoviária para o Seixal" estamos no mais profundo sono e não aproveitamos o facto de a poder ainda fazer, já o assunto Terceira Travessia (TTT), esse parece cada vez mais arredado dos nossos horizontes e objectivos.

Recordo que este projecto da TTT, bem mais antigo, foi durante algum tempo uma bandeira do Barreiro e, ainda hoje continua a ser de vital importância para a região e para o país.
São muitos os predicados em torno desta obra mas este executivo camarário não consegue colocar a mesma na discussão e na agenda política do governo.

O Barreiro, face à sua posição geográfica, já provou ter todas as condições para receber a TTT, uma obra que, na vertente ferroviária, permitiria a aceleração da integração ibérica e poderia potenciar o associar da economia portuguesa às economias mais ricas de Espanha, essencialmente nas regiões de Madrid e da Catalunha. Seria igualmente uma oportunidade para o desenvolvimento ferroviário e dos clusters associados ao caminho-de-ferro e ao mar.

Além do desenvolvimento local e regional, o Barreiro poderia contribuir através desta infraestrutura para uma eficaz interligação com os Gateways Ferroviários europeus que, na actual conjuntura económica seria um factor diferenciador e de valorização para o país.

O tempo passa e a realidade é evidente - definhamos em novelas de vaidades e em hilariantes projectos imobiliários que não nos levam a lado nenhum. A discussão autárquica barreirense há muito que desceu o seu nível de qualidade. Restam as perseguições ideológicas, os mitos de bichos papões e outras fábulas da carochinha, sempre com o mesmo cariz, a diabolização.

Prisioneiros da falta de visão e de outros negócios que não promovem o empreendedorismo e a afirmação do Barreiro, resta-nos o consolo de ter na gaveta projectos estruturantes como a TTT ou a Travessia Barreiro-Seixal. Projectos que apesar de distintos, são dinamizadores e complementares, mas ao mesmo tempo estratégicos para a AML e para todo o Arco Ribeirinho.
Coragem, firmeza e ambição precisa-se. Concordar com o esquecimento a que nos querem remeter é que Não.
Porque o Barreiro já não consegue esperar mais....

Luis Batista

04.06.2020 - 08:19

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