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Os números do Barreiro sem filtros de imagem
Por Ruben Rodrigues
Barreiro

Os números do Barreiro sem filtros de imagem<br>
Por Ruben Rodrigues<br>
Barreiro Desde sempre existiu na cultura portuguesa, um conjunto de expressões embebidas em sabedoria popular, que evidenciam a noção de que as pessoas não são uma massa disforme e facilmente submissiva, mas sim um grupo de individuos com realidades comuns, mas com identidade e pensamento próprios.

Por isso, o termo “prestar contas” torna-se ainda mais relevante nesta altura em que se assiste a mais “circo” do que se dá “pão”, daí ser importante recorrer aos números oficialmente publicados sobre o Barreiro e “Passá-los pela peneira” porque para bom entendedor(...).

O periodo é referente aos últimos 4 anos (2014-2018) disponíveis, pois as prestações de contas da CMB referentes a 2019, ainda não foram disponibilizados pelo municipio do Barreiro. Por inerência também, abrange um ato eleitoral local (Em Outubro de 2017 realizaram-se eleições autárquicas).

Entre 2014-2017,existia uma realidade macro económica marcada pelas limitações orçamentais impostas pela Troika, que determinou duas grandes prioridades, pagamento a fornecedores e o pagamento de empréstimos. Os números falam por si, neste periodo, o prazo médio de pagamento a fornecedores (adicionado aos 60 dias previstos pela lei) reduziu significativamente passando de 84 para 27 dias (a partir de 2016 já era abaixo da média nacional), estabilizando-se em 2018 nos 20 dias.

Em relação aos empréstimos, verificou-se uma redução nos empréstimos a médio / longo prazo, que totalizou até 2017 o valor de 10 milhões de EUR. Sendo que excepcionalmente em 2016 um novo empréstimo (aprovado pelo tribunal de contas) teve como consequência, gerar o aumento do património da autarquia, entre outros com a aquisição da quinta do Braancaamp. Em 2018 registou-se um aumento do valor divída dos empréstimos de médio/longo prazo.

Ainda em termos de investimentos, entre 2014 e 2017 a percentagem de participação média de fundos comunitários, é de 54,53% tendo um valor máximo de 74,60% em 2014, já em 2018 situa-se nos 18,70%. Esta tendência está em linha com o periodo onde se registaram projectos de grande envergadura no Barreiro, como foi o caso do Polis, passadiços dos moinhos de Alburrica e saneamento básico, este último que permitiu uma valorização da rede de saneamento em mais de 31 milhões de EUR.

Ao nivel da prestação económica do município em 2018, assistimos uma queda de (-26%) nos resultados opercionais, face a 2017, explicado pela redução de vendas e aumentos dos custos com o pessoal, materiais, provisões, entre outros, sendo o factor mais positivo, o proveito extraordinário derivado em grande parte, de uma garantia bancária (mais de 4 MEUR) referente a um loteamento. Este evento não recorrente, permitiu que os resultados correntes inferiores a 2017 fossem compensados com um resultado liquido de aproximadamente 6 MEUR. Como referência, do periodo em análise, o maior resultado líquido registou-se em 2014 com mais de 9 MEUR.

Podemos então concluir que entre 2014-2017 existiu um esforço consideravél que concedeu mais rigor e robustez financeira ao município permitindo atrair fundos comunitários para projetos estruturantes no Barreiro já acima mencionados e outros que tiveram impacto positivo inclusivé até 2019 (compra de novos autocarros). Apesar disso, em 2018, assitimos a uma quebra notavél na atração destes mesmos fundos e também nas vendas, acrescentado por um aumento de custos gerais que absorvem receita municipal que poderiam ser canalizada para novas candidaturas de apoio, permitiria então ao município, uma maior capacidade financeira e de negociação na atracção de investimentos sustentáveis para usufruto da população como um todo, e não de “visionários do betão”.

Ruben Rodrigues



07.06.2020 - 12:07

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