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O Medo da Invisibilidade.
Por Alexandra Serra
Sesimbra

O Medo da Invisibilidade.<br />
Por Alexandra Serra<br />
Sesimbra Esta crise tem uma substância diferente ao contrário de dinamizarmos a comunidade, apelamos a cada um «Fica Em Casa». Para combater a SARS COVD2 os governos tiveram de deixar as suas economias estatelar-se em retrocessos, que podem trazer de volta o desemprego generalizado.

Não faz sentido aceitar que as portas das casas de banho, as portadas das casas e até os troncos das árvores sejam escondidas de grafiti, mas admito que me emocionam os corações cortados por setas, com um nome, ou apenas o nome marcado de forma que se pretende inextinguível.

Emocionam-me porque é tão compassivo querer que algumas coisas, particularmente quem somos e quem amamos, adotem uma presença exterior a nós mesmos, como se conseguíssemos ler nelas o raciocínio de ser, há em cada traço o anseio de que fiquem imortalizadas. Que posteriormente a termos partido se conservem para que um dia alguém queira saber quem eram aqueles indivíduos. As pedras das campas, serviam esse desejo, e os historiadores conseguem ter o conhecimento de como uma pedra sepulcral pode transmitir imenso sobre uma vida.

Iniciei este texto, com a plano de falar de desemprego, e uma coisa tem a ver com a outra. Para lá da segurança financeira que o trabalho confere, arrisco dizer que a maior angústia de quem perde a sua forma de sustento é, exatamente, a de ser insignificante. Como se ao perder um emprego, deixasse a certeza de saber quem é.
Ninguém consegue viver com o sentimento de que é dispensável. O repto que qualquer desempregado enfrenta é o de se deparar com formas, mais autênticas, de voltar a sentir-se uma fração da equação que faz rodopiar o Mundo. É sobre isso que devemos falar.

Com um duro golpe no turismo e com o trabalho precário em numero elevado o nosso pais enfrenta outra onda de desemprego. A diminuição do desemprego nos últimos anos foi conseguida, com o trabalho precário. O SARS COVD2 está a ter um papel revelador destas e outras debilidades.

O mercado de trabalho indicia sinais de um choque histórico devido ao congelamento da atividade económica em prol da resposta da emergência de saúde pública.
Esta crise tem uma substância diferente ao contrário de dinamizarmos a comunidade, apelamos a cada um «Fica Em Casa». Para combater a SARS COVD2 os governos tiveram de deixar as suas economias estatelar-se em retrocessos, que podem trazer de volta o desemprego generalizado.

Os casos mais calamitosos deverão ser Espanha (21%) e Grécia (22%).
Em Portugal, os últimos dados apresentam mais 38 mil pessoas inscritas nos centros de emprego desde o final de fevereiro, 353 mil no desemprego

O lay-off simplificado neste momento funciona como um tubo de oxigénio isto torna os números menos drásticos. Mas o que temos por certo é uma subida vertiginosa da taxa de desemprego principalmente nas actividades económicas em que a saída ou entrada no mercado económico são baixos.

Mais uma vez o papel de um Estado Social forte será essencial, pois são precisamente os mais desprotegidos que mais irão sofrer com esta «guerra».
A pergunta é quanto tempo irá durar esta guerra e quantos de nós irá sobreviver?

Alexandra Serra

21.06.2020 - 12:29

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