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AVERSÕES
Por Luís Batista
Barreiro

AVERSÕES <br />
Por Luís Batista <br />
Barreiro Uma manhã como qualquer outra manhã de Verão. Um daqueles momentos de descontraídos e onde, com um café como companhia, me sinto aconchegado pela companhia do Tejo. O Barreiro tem esta magia no correr dos seus dias. esta doce partilha de espaço com este rio que nos ilumina.

Ainda com um sentimento um pouco estranho sobre o ambiente que se viveu na reunião da Assembleia Municipal de anteontem, tento encontrar que planos, talvez metafísicos, estão na origem desta descoloração de um tempo que se afirma de ódio e aversão.
Sessão após sessão, cada vez mais se acentua a intolerância ao contraditório, cada vez mais se percebe que este PS do Barreiro vive de medos, de receios, um não admitir a contradição. Há sem dúvida um estado emocional marcado vincadamente pelo medo da CDU e, das tais "Conversas Intelectuais" que o PS acusa ou, tão reconhecidamente elogia?! .

A CDU conhece os dossiers, fez o trabalho de casa quando passou a pasta, está familiarizada com os caminhos que este PS percorre e sabe as respostas.
Tudo isto inquieta, perturba e, descobrimos agora, causa "aversão" .

Mia Couto na luminosidade das suas palavras revela-nos que, "A aversão pelo erro é o mais grave dos erros. É tão vital errarmos como acertarmos. Devemos afastar o medo de errar..."
Mas não é esta aversão ao erro que se instalou na palavra dos Homens, não é esta tentativa de evoluir na diversidade e na tolerância do erro que nos foi evocada. Na palavra dos Homens há ódio, há repulsa pelo adversário e cultivam-se esses valores sem qualquer constrangimento.

Estamos quase em contagem decrescente para as próximas eleições autárquicas e viver apenas de imagem nas redes sociais ou de videos propagandistas começa a ter apenas uma cor, um sabor, não está a fazer a "tal" diferença.
Há derrotas políticas e não estão a retirar a humilde reflexão, a devida aprendizagem dessas derrotas.
Essas derrotas transformaram-se em ódio, em aversão e começam a faltar argumentos lúcidos, aliás, até ficámos sem respostas a perguntas objectivas e, no bom sentido, telegráficas - como o momento exigia.

Retenho ainda deste conflito de emoções, de ruído, de silêncios e palavras feridas uma citação de Cícero, em tão boa hora recuperada ao poeta Attius e que descrevia a prepotência de Calígula - "oderint dum metuant", que o mesmo será dizer:
"Que me odeiem, contanto que me temam."

De uma forma, também ela quase poética, apetece recuperar uma sabia expressão de Margaret Thatcher "O consenso é a negociação da liderança."

Haja consenso.... e respeito, porque deste lado está quem vota.

Disse
Luís Batista

27.06.2020 - 19:06

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