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Vender a Quinta do Braamcamp para fazer 185 apartamentos ou...
Por Rui Lopo
Barreiro

Vender a Quinta do Braamcamp para fazer 185 apartamentos ou...<br />
Por Rui Lopo<br />
Barreiro A questão é que a Quinta do Braamcamp, é um “equipamento” que pode afirmar o Barreiro na região se aqui se localizarem valências de caracter artístico-cultural que sirvam o Barreiro, a península de Setúbal e de tal forma diferenciadoras, que façam com que as pessoas visitem o Barreiro, e venham assistir a atividades culturais que preencham a agenda metropolitana e porque não do país?

Proponho-vos, mais 4 minutos de leitura sobre reflexões e opções para a Quinta do Braamcamp:

Proponho-vos, mais 4 minutos de leitura sobre reflexões e opções para a Quinta do Braamcamp:

• Vender a Quinta do Braamcamp para fazer 185 apartamentos

em 30 prédios em regime de condomínio fechado, mantendo a câmara a responsabilidade de manutenção das áreas sobrantes, incluindo o espelho de água, e com isso admitir (como hipótese) que vêm residir para o Barreiro 185 novas famílias, opção da atual gestão da câmara;

Ou

• O tratamento da Quinta do Braamcamp como um “equipamento

global” com as valências associadas ao turismo / estadia, reabilitação do moinho de maré associado a atividade hoteleira / restauração, e a criação de valências para a atividades culturais diferenciadoras de escala metropolitana?

Os ciclos eleitorais são o que são. Este executivo municipal precisa de dinheiro para realizar obra em final de mandato, de tal forma que, até justificou a necessidade de venda da Quinta do Braamcamp com as despesas do COVID19 (nem quando decidiram a venda se saberia da existência do COVID – 2018 - nem as verbas verdadeiramente gastas com o COVID foram assim tantas). E é uma visão de tão curto prazo, que as despesas de manutenção ficaram para o eleitor / contribuinte pagar nos seu impostos municipais dos próximos anos.

A questão é que a Quinta do Braamcamp, é um “equipamento” que pode afirmar o Barreiro na região se aqui se localizarem valências de caracter artístico-cultural que sirvam o Barreiro, a península de Setúbal e de tal forma diferenciadoras, que façam com que as pessoas visitem o Barreiro, e venham assistir a atividades culturais que preencham a agenda metropolitana e porque não do país?

A verdade é que o espaço tem de ser reabilitado, requalificado, com predominância dos espaços de vivencia pública, recorrendo aos vários financiamentos comunitários disponíveis para o efeito, mas numa perspetiva diferenciadora na escala regional. Porque não fazer complementarmente um espaço para a realização de grandes espetáculos artístico-culturais / musicais? Porque não se usa o espelho de água que é a caldeira que integra a Quinta para a realização de atividades culturais e desportivas únicas na Grande Lisboa? Porque não propor que um equipamento cultural metropolitano aqui se localize? Uma opera metropolitana por exemplo?

A requalificação do equipamento público Quinta do Braamcamp com valências artístico-culturais de escala metropolitana, não contribuirá para a dinamização da reabilitação do Barreiro Velho e outras zonas históricas, e para a ocupação dos 5000 apartamentos vazios do concelho?

Não será a qualificação do território e a continuidade dos investimentos e dos projetos das nossas frentes ribeirinhas que ajudaram muita gente a fazer a opção de continuar a morar no Barreiro e outros, a aqui fazerem opções de vida?

Não será que a reabilitação e requalificação diferenciadora da Quinta do Braamcamp pode ser um fator importante para a atratividade do Barreiro?

Não são espaços desses únicos e disponíveis para todos que conferem condições competitivas ao nosso concelho?

Estou convicto que a abordagem como se um equipamento se trata-se (recordo que no parque da Bela-vista em Lisboa realiza-se o Rock in Rio Lisboa e há muito mais exemplos diferenciadores em muitos municípios, só na área metropolitana de Lisboa), a Quinta do Braamcamp pode ser geradora de receita, pela fixação de habitantes e pelas transações imobiliárias / impostos municipais dessa maior atividade / atratividade.

Muitos querem fazer passar que se pretende manter a Quinta do Braamcamp tal qual como ela está. Não é verdade. E não acredito, contudo, que a construção de prédios nos coloque numa rota diferenciadora regional. Antes, transforma-nos numa qualquer zona habitacional, pretensamente, prime, entregando à cidade os espaços que não interessam ao comprador seja pela ausência de vista de rio, seja pelos custos de manutenção que lhes estão associados. A esta gestão da câmara, importa ter dinheiro para tapar os “buracos” financeiros que se vizinham.

Será que no Barreiro é preciso gastar mais de 1 milhão de euros numa nova assembleia municipal ? ou mais de 1 milhão de euros num espaço multiusos, construído, quando temos este espaço único que pode ter esta projeção e ajudar a mostrar um Barreiro, verdadeiramente diferenciador, durante muitos anos? É esta a cidade que queremos para o futuro, uma POLIS que apregoa a construção de prédios, a betonização da cidade, paradigmas ultrapassados e que invadem espaços com características únicas?

Para terminar, imaginem que a Serralves tivesse sido vendida para a construção de prédios e condomínios privados…

Rui Lopo,
vereador eleito pela CDU na câmara Municipal do Barreiro

30.06.2020 - 00:47

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