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ALTA VELOCIDADE MADRID/LISBOA
Por Luís Batista
Barreiro

ALTA VELOCIDADE MADRID/LISBOA<br />
Por Luís Batista <br />
Barreiro<br />
Se nos fosse possível recuar uma década teríamos neste momento um denominador que atravessava quase todas as conversas políticas, a Rede de Alta Velocidade. Por inerência essa temática arrastava consigo o assunto Terceira Travessia (TTT) e consequentemente falava-se do Barreiro.

Contudo, nessa época, o que foi veiculado pelos interesses mais obscuros e por uma imprensa infestada de gente plumitiva, veio depois a funcionar como contra-informação.
Apregoava-se, quase de forma extravagante, que Portugal queria um TGV, quando, dizia-se, até tínhamos um Pendular. Pouca foi a imprensa que tratou este assunto com honestidade e esclareceu a população de que estava em causa a construção de uma Rede de Alta Velocidade, um projecto ferroviário a nível europeu.
O propósito dessa imprensa "politizada" foi atingido e passamos a ter um país a confundir a Auto-Estrada com o Ferrari - "passo a publicidade".

Tal como já aqui o disse, em tempo oportuno, e que passo a repetir, o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE) defende as redes transeuropeias (RTE) nos domínios dos transportes, da energia e das telecomunicações, sendo que estas foram mencionadas pela primeira vez no Tratado de Maastricht.
O referido Tratado conferiu à UE a missão de criar e desenvolver redes transeuropeias (RTE) nos domínios dos transportes, das telecomunicações e da energia, com vista ao desenvolvimento do mercado interno e ao reforço da coesão económica e social.
Um dos pontos mais importantes da sua aplicação, passa por ligar as regiões insulares, isoladas e periféricas, às regiões centrais da União e tornar o território da UE mais acessível aos países vizinhos.

Quanto (TFUE) existe depois todo um enquadramento jurídico de artigos e regulamentos que suportam as decisões e o cumprimento do previsto para as (RTE).

É importante salientar que, no início deste ano, a Comissão Europeia aprovou a concessão de 265 milhões de euros para investir na ferrovia de alta velocidade e, o troço Madrid/Lisboa, volta a estar em destaque.

Pelos vistos este tipo assuntos não interessa nem ao Governo nem à Câmara Municipal do Barreiro, e como tal, nem sequer assunto de debate consegue ser por parte deste executivo.

O que está em causa é um investimento, todo ele enquadrado na rubrica dos Fundos de Coesão com vista a incrementar melhorias substanciais no transporte de passageiros e mercadorias de longa distância e enquadrado na Rede Transeuropeia de Transportes.

Desengane-se quem acha que este assunto é apenas uma epifania de uns quantos senhores em Bruxelas, pois em pleno Brexit, o operador ferroviário britânico Eurostar, surgiu com um ambicioso projecto que inclui novas conexões ferroviárias de alta velocidade com a Europa. Este projecto que visa ligar o Reino Unido com vários destinos europeus, inclui também Portugal. Aliás, e segundo palavras do Secretário de Estado dos Transportes britânico, Grant Shapps, a ambição deste operador ferroviário passa por reforçar a sua rede ferroviária com novos destinos onde se inclui a orla mediterrânica a países como Portugal, Espanha e Itália.

Do que já foi tornado público, a companhia britânica está num processo de fusão com a operadora franco-belga Thalys, um negócio que se prevê concluído em 2021.
O projecto é ambicioso e carrega consigo a intenção de entrar em acesa concorrência com as companhias aéreas low-cost.

Se em Junho do ano passado uma das propostas do grupo parlamentar do PS, no âmbito do Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030 seria a aposta na TTT - Chelas/Barreiro, em Setembro aparecia o Primeiro Ministro António Costa a esclarecer que no PNI não havia lugar para esse projecto nos próximos dez anos.
Já por parte do município do Barreiro não existe nada que indicie intenção, coragem e determinação para que o assunto volte de novo a ser falado nos corredores de decisão. O silêncio e apatia são absolutos e nada estamos a fazer para contrariar este conformismo.
Por muito desconforto que possa causar, esta é a realidade, há uma série de assuntos que este executivo se esconde de discutir. Foi assim com o assunto aeroporto, foi assim com a asneira da ponte para o Montijo e é assim com a TTT.
"A imprudência de não ouvir os outros", sabias e acertadas palavras do deputado do PSD Victor Castro Nunes que descrevem na perfeição alguma da acção do mandato deste executivo.

Há dados que tenho como incontornáveis. Com este importante projecto, mais cedo ou mais tarde a nossa ferrovia dará lugar a uma nova realidade que lhe permitirá competir e interligar-se com as principais redes europeias de circulação de comboios. Por outro lado, irá contribuir para o desenvolvimento de Lisboa como Cidade-Região, bem como, será peça importante para que o Barreiro volte a fazer parte do anel de ligação Norte-Sul, condição única e necessária para que a cidade não se afunde cada vez mais na sua condição de periférica.
Para concluir, é verdade que o Barreiro precisa de mais e melhores equipamentos escolares, de equipamentos de saúde, de atrair empresas e investimentos, de fixar população e de e renovar a mesma população. Tudo isto é verdade, mas por muito que não queiram assumir, a tal "bala de prata" não é um desígnio ou capricho de um Partido. Essa "bala de prata", a Terceira Travessia, é uma necessidade de um distrito que vê cada vez mais o agravar das assimetrias que se vivem na região e onde as situações mais graves se vivem no concelho da Moita e do Barreiro.

Ligação de Alta Velocidade Madrid/Lisboa, uma realidade que estamos obrigados a dizer "Presente"

Disse
Luís Batista

02.07.2020 - 14:26

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