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A nossa sociedade e o estereótipo
Por Sandra Pereira
Barreiro

A nossa sociedade e o estereótipo<br />
Por Sandra Pereira<br />
Barreiro A estratégia é reabilitar a autoestima criando foco pessoal nos valores e propósito de vida, isto vai relativizar a auto-perceção do que envolve e reforça o medo com base no estereotipo que já é predominante, durante algum tempo.

Creio que este tema, ainda mais agora, na fase em que vivemos, é muito pertinente.

Quantos de vocês viveram a dificuldade de ter um rótulo ou estar sujeito a uma estigmatização? Embora pareça que devemos simplesmente parar de prestar atenção aos estereótipos, muitas vezes não é assim tão fácil. Falsas crenças sobre a capacidade, aparência ou personalidade individual, facilmente se transforma numa voz questionável na nossa mente.

Os cientistas apelidam este fenómeno de: Ameaça de Estereotipo – uma auto-descriminação inconsciente que se refere ao medo de fazer algo baseado em perceções negativas num grupo social. Este fenómeno foi identificado por psicólogos americanos na década de 90.

Ficou demonstrado que micro agressões e preconceitos podem afetar a capacidade intelectual de um individuo.
Por exemplo, num estudo feito entre um grupo de pessoas caucasianas e um grupo de pessoas negras, os participantes negros tiveram um desempenho pior do que os participantes brancos nos testes de capacidade verbal quando foram informados de que o teste era “diagnóstico” - um “teste genuíno de suas habilidades e limitações verbais”. No entanto, quando esta descrição foi excluída, nenhum efeito foi observado. É evidente que esses indivíduos tinham pensamentos negativos sobre sua capacidade verbal que afetavam seu desempenho.

Os participantes negros também tiveram um desempenho inferior quando os estereótipos raciais foram ativados de maneira muito mais subtil. Ao pedir aos participantes para identificar sua raça num questionário demográfico anterior foi o suficiente. Além do mais, sob as condições ameaçadoras – o teste de diagnóstico – os participantes negros relataram níveis mais altos de dúvida do que os participantes brancos.
Em suma: Nós não vivemos seguros. E porquê?

Os efeitos da Ameaça do Estereótipo são muito robustos e afetam todos os grupos estigmatizados.
Vou referir os rótulos básicos e de conhecimento geral: ser mulher; pertencer a uma etnia diferente da sociedade onde se insere; ser gay; ser gordo; possuir uma aparência física ou estética diferente; ter uma deficiência; etc.
Somos todos diferentes e estamos todos sujeitos durante a nossa vida a sofrer com ameaças à nossa identidade, integridade ou intelectualidade.

A Ameaça estereotipada gera um círculo vicioso: os indivíduos estigmatizados experimentam ansiedade que esgota seus recursos cognitivos e leva ao mau desempenho, à confirmação do estereótipo negativo e ao reforço do medo.

Os neurocientistas conseguiram medir os efeitos desta ameaça e sua repercussão no cérebro. Quando somos afetados pela ameaça do estereótipo, as regiões do cérebro responsáveis pela autorregulação emocional e pelo feedback social são ativadas, enquanto a atividade nas regiões responsáveis pelo desempenho da tarefa é inibida.

Como lidar com a intolerância que pode ser danosa e violenta perante atos discriminatórios à nossa pessoa?
Mudar o estereotipo é morosamente frustrante, portanto, não se pode depender deste pressuposto, nunca.

A estratégia é reabilitar a autoestima criando foco pessoal nos valores e propósito de vida, isto vai relativizar a auto-perceção do que envolve e reforça o medo com base no estereotipo que já é predominante, durante algum tempo.
Outros dados a ter em conta: a autoafirmação, a autoconfiança, o autoelogio são imprescindíveis para lidar com a ansiedade gerada ao viver com um estereótipo.

Vou desviar-me da principal e óbvia solução de procurar auxílio terapêutico, existem muitos que não o fazem por variadíssimas razões.
Foco-me em utilizar ferramentas de reprogramação neurolinguística que possam prevenir e redefinir comportamentos, gerados neste âmbito. É preciso haver uma mudança radical e nunca culpabilizar o meio onde estamos inseridos, mesmo que a culpa, óbvia, seja do “outro”. Só prejudica, para além do sofrimento de alguém estar sujeito a viver sob ameaça, ainda entregar a responsabilidade da “cura”, a alguém que não somos nós.

Por fim, é importante lidar com esta estratégia como um desafio regular até o deixar de ser.
Agora, sejam francos: qual dos leitores não sentiu nenhum tipo de discriminação, durante a vida?
Eu já. E não foi uma ou duas vezes. Foram muitas e em alturas diferentes da vida, em todas elas utilizei recursos próprios internos e externos, para gerir as minhas emoções e adotar novos comportamentos. Isto porque a resiliência impediu-me de ceder. E porque a minha essência investiu como uma força de combate, perante todas as adversidades.
Primeiro, está o amor por mim mesma. Depois os outros amores.
Sejam felizes.

Sandra Pereira
Life Coach e Formadora Inteligência Emocional
sassacoaching@gmail.com
https://www.facebook.com/semearatitudepositiva />

29.07.2020 - 13:19

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