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Participação feminina na política
Por Alexandra Serra
Sesimbra

Participação feminina na política <br />
Por Alexandra Serra <br />
Sesimbra As eleições autárquicas, aproximam-se e constituem mais uma oportunidade de os partidos políticos mostrarem que o espírito da lei da paridade foi efetivamente assimilado, veremos quantas mulheres serão candidatas a liderar um Município ou uma Assembleia de Junta.

As mulheres além de estarem expostas à violência emocional, física, financeira, sexual e tantas outras violências entendidas diariamente por algumas de nós, encontramos com a mais encoberta delas: a violência política.
Esta é sofrida nos mais diversos patamares e momentos da vida política.
Seja quando disputamos espaço nos lugares das estruturas partidárias (a esmagadora maioria delas lideradas por homens) ou quando nos tornamos candidatas.

O fenômeno tem tipologia própria, classificada em categorias: física, sexual, psicológica ou simbólica.
A simbólica é comum surgir nas redes sociais, interferindo no exercício do mandato ou das candidaturas através do constrangimento e do descrédito.
A psicológica tudo se faz para que a mulher comece a desconfiar das próprias convicções, também se manifesta através do medo.
A sexual invade a intimidade e apela a estereótipos estigmatizantes vinculados ao corpo, aos afetos e à aparência. Esta última regularmente utilizada.

Algumas vezes as mulheres são usadas apenas para comporem a quota de gênero, sendo posteriormente desprezadas. Há a partilha da noção de que a Lei da Paridade auxiliou abrir as portas e dar lugar às mulheres na política.
Mas este mundo permanece masculino, o poder continua nas mãos dos homens e as mulheres continuam a ser percebidas como “o outro”;
Existe um elevado escrutínio ao seu desempenho Para além de tudo isto é a nós que compete a conciliação da vida política e da vida familiar; carregamos a dupla ou tripla jornada de trabalho.
Oscilando muitas vezes entre os micros e macros machismos as mulheres experienciam mais uma forma de violência quando sofrem tentativas de silenciamento, quando suas opiniões não são levadas em ponderação, quando são descreditadas e sexualizadas.

Os ofensores, por sua vez, de maneira encoberta e outras vezes revelada, temem que as mulheres tenham voz e voto. A participação feminina na política é um direito fundamental e que deve ser priorizada principalmente num pais com uma taxa tão elevada de femenicidio .

É preciso compreender que a única forma de luta à violência política passa infalivelmente por uma melhoria política que garanta a efetividade da participação feminina também nesse espaço de Poder. Em Portugal, é claro que, ao nível do poder local, a evolução para a igualdade tem sido demasiado lenta.

As eleições autárquicas, aproximam-se e constituem mais uma oportunidade de os partidos políticos mostrarem que o espírito da lei da paridade foi efetivamente assimilado, veremos quantas mulheres serão candidatas a liderar um Município ou uma Assembleia de Junta.
Apenas os países que possuem maior representatividade feminina, tornam-se países com democracias mais fortes, instituídas e maturas.

Alexandra Serra

19.09.2020 - 15:04

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