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Uma questão do bairro onde moro.
Por Humberto Faísca
Barreiro

Uma questão do bairro onde moro.<br>
Por Humberto Faísca <br>
Barreiro<br>
É sobre o meu bairro mas podia ser sobre um bairro qualquer deste concelho onde nasci e vivo.
Quando a gestão do meu concelho se faz como se de uma multinacional se tratasse em que o presidente julga ser o CEO e os vereadores do executivo membros do conselho de administração da mesma, quando a gestão se faz como se de uma empresa se tratasse, através de consultas de mercado e sentimentos localizados, algo vai mal.

Correcção... Algo vai muito mal.

Mas voltando ao bairro onde moro,

Aquando interpelados pelos moradores acerca de uma obra que os moradores têm dúvidas, tem receios e não concordam à partida, a resposta que vem do outro lado é um pedido de desculpa pela tardia informação, pela tardia distribuição de informação, pelo atraso do outdoor, pelo atraso do desdobrável em papel couché.

Resposta básica de quem vê a cidade como a sua empresa e que acha que apenas deveria transmitir informação sobre o produto, que apenas deveria publicitar os benefícios do artigo… mas não caríssimos, isto não é a vossa empresa e vocês não são os accionistas, são vereadores eleitos, são ou deveriam ser aqueles que tendo a responsabilidade de gerir um concelho, têm também a responsabilidade de gerir com as pessoas e não só para as pessoas.

O que faltou não foi só informação, faltou fundamentalmente o diálogo a discussão a participação de todos os interessados na procura de uma solução que fosse tecnicamente sustentada e maioritariamente aceite por todos.

Faltou maioritariamente participação, ferramenta que cada vez se vê menos utilizada, que cada vez menos se pretende valorizar, a participação Cívica, o diálogo são coisas que dão muito trabalho, o melhor mesmo é reduzir a liberdade, a democracia ao acto do voto, isso chega dizem eles.

Não se valoriza o diálogo e a participação e quando alguém força, exige essa participação logo se apressam a transformar as pessoas entre azuis e amarelos entre bons e maus entre aqueles que querem uma cidade desenvolvida e os que não querem, entre os gostam do Barreiro e os que não.

Com pena que escrevo ver, cada vez mais, uma terra onde a participação a cidadania a discussão de ideias está cada vez mais arredada das decisões deste executivo, onde tudo é decidido no 48 da rua da câmara.

Voltando ao meu bairro, parece que os moradores não pretendem baixar a bandeira da cidadania da participação e do diálogo.

Humberto Faísca

30.10.2020 - 15:06

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