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2021: TEMPO DE ALTERNATIVAS NO BARREIRO
Por André Carapinha
Barreiro

2021: TEMPO DE ALTERNATIVAS NO BARREIRO<br />
Por André Carapinha<br />
Barreiro Bem vindos a 2021. Ainda estamos em pandemia. Os desafios que enfrentamos são gigantes. Por isso mesmo, este é o tempo que chama por nós. Este é o momento em que se torna ainda mais importante pensar o que queremos para as nossas vidas, a que tipo de sociedade aspiramos, e por consequência que tipo de cidade imaginamos.

Queremos que tudo isto passe, e claro que irá passar, mas como todas as crises, se não aprendermos nada sobre as suas lições elas voltarão para nos castigar como homens incapazes de entender o nosso momento histórico.

Nos últimos anos tentaram vender-nos a nós, barreirenses, uma fórmula fácil que tem sido aplicada um pouco por aí. Esta receita mágica para o sucesso, é aquela que supõe que o crescimento económico é imparável, que o investimento privado é o seu corolário, e que portanto o papel dos nossos poderes públicos é apenas e só o de permitir que invistam na nossa cidade, quem quer que seja e à custa do que seja.

Esta é a fórmula dos que, incapazes de entender o que é o mundo e as suas contradições, vivem na suposição de que caminhamos inexoravelmente em direcção “ao progresso”, e que assim sendo a única política possível é a de atrair o “investimento”, seja ele qual for; obviamente procuram o investimento mais fácil e mais rápido, mesmo que esse seja o pior de todos os investimentos. No nosso caso, mais uma vez, o imobiliário.

Esta crise ensinará muito pouco a estas alminhas que não concebem a vida senão a fazer negócios. Eles foram naturalmente apanhados de surpresa, e felizmente que ainda temos no Barreiro alguma coisa do tal tempo “antigo”, aquele em que se cultivaram os valores da solidariedade e da fraternidade, Não fôra isso e estaríamos muito pior. Tal como esses projectos mágicos para “transformar o Barreiro”, revelam-se no contexto em que vivemos: fazer rotundas e melhorar estradas, continuar o Polis, patrocinar a construção de mais dois hipermercados e um fast-food junto a uma escola secundária. Juntando a isto a fabulosa ideia de construir um bairro de ricos na Braamcamp, e temos todo um projecto de cidade. Por azar, as crises acabam por revelar a falência desse tipo de “projectos”: é que quando os privados recuam, receosos do porvir, afinal pouco se faz e quase nada se consegue. Mesmo assim, menos mal, dizemos nós: pior é quando esses sonhadores, nos tempos das vacas gordas, se ocupam em favorecer o “investimento” nos centros históricos, ou seja, a gentrificá-los, quer dizer, a renová-los à custa da expulsão dos seus habitantes. Esse é um outro plano que fervilha nas cabeças dos que agora governam a nossa cidade e que irá abrir a porta a mais negociatas, à custa de todos nós.

É urgente a construção de uma alternativa que ponha um travão a esta demagogia e que se proponha fazer a nossa cidade com e não contra os seus, que entenda aquilo que o Barreiro é e que a partir disso projecte o seu futuro.

É urgente que a única força política capaz de liderar uma alternativa, a CDU, acorde da sua letargia, resolva as suas contradições, esqueça os seus traumas, lide com o seu passado e seja capaz de construir uma plataforma política virada para o futuro, que vá muito para lá dos seus limites naturais. Alguns dos seus quadros são capazes de o fazer, em especial o antigo presidente da câmara, Carlos Humberto de Carvalho. Mas só vai valer a pena se, desta vez, não for mais do mesmo. É preciso pensar o Barreiro como uma cidade inclusiva, solidária, uma cidade da cultura, da ecologia, do investimento sustentável, da economia do futuro, que trabalhe pela ligação da Margem Sul e que exista em relação e não em dependência a Lisboa. Construa-se a alternativa.

André Carapinha

05.01.2021 - 14:02

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