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Estamos a cumprir… E a acabar com os últimos 40 anos
Por Fernando Catarino
Barreiro

Estamos a cumprir… E a acabar com os últimos 40 anos<br />
Por Fernando Catarino<br />
Barreiro A meio do presente mandato fomos contemplados com vários outdoors do atual executivo em que nos (aos munícipes) diziam que estão a cumprir. E como se cumprir não fosse suficiente, o atual executivo está também, a acabar, com os últimos 40 anos do Barreiro.

Nada mais verdade se entendermos que cumprir implica endividar e, acabar com os últimos 40 anos, destruir o comércio local e sufocar os empresários do concelho.

Num momento de emergência nacional, em que o comércio local e os empresários do concelho mais precisam de ajuda, vejo um Executivo que, no seu conceito de cumprir e acabar com os últimos 40 anos impulsiona a abertura de grandes superfícies comerciais e cadeias de fast-food (inaugurando-as com pompa e circunstância) esquecendo que, literalmente, na porta ao lado, existe um pequeno comerciante ou empresário que é obrigado a encerrar durante quase 4 meses e vê a sua vida e dos seus funcionários a definhar a cada dia que passa.

Vejo um executivo jubilante com os postos de trabalhos precários criados por um restaurante de comida rápida, aberto em plena pandemia, exultando com o primeiro sistema de recolha de comida da cadeia no concelho, mas não vejo o Executivo preocupado com as centenas de postos de trabalho estáveis, com vínculo contratual e emocional aos empresários que vão desaparecer sem que se tenha criado qualquer iniciativa, dinâmica ou apoio para contrariar essa tendência.

Cumprir, não é jogar com o calendário eleitoral e prometer obra durante três anos para a executar à pressa e com tropelias no último ano de mandato, a tempo de uma campanha eleitoral e de avivar a memória fresca dos eleitores.

Cumprir não é endividar o município, saltando de empréstimo em empréstimo, que pouco ou nada se reflete na economia local a não ser na fatura que os comerciantes, empresários (que sobreviverem) e famílias irão pagar nos próximos anos.

Cumprir significa, então, para o atual executivo endividar o município em mais UM MILHÃO E MEIO de Euros para construir um edifício da Assembleia Municipal (necessário, mas de urgência no mínimo, duvidosa) ao invés de ajudar o comércio e empresários locais. Ao contrário de muitas Câmaras Municipais, não vi a CMB organizar qualquer grande atividade de dinamização da economia local (vemos municípios com a criação de certames online, com apoios na estruturação de lojas online, oferta de portes de envio, entre tantas outras iniciativas), mas vi a CMB contrair mais um empréstimo para esses mesmos comerciantes pagarem num futuro próximo.

Em pleno primeiro pico da pandemia, assistimos à deplorável negação de apoios sociais, com uma finalidade concreta a uma associação que estava a prestar um apoio fundamental às pessoas ao mesmo tempo que, passado uns meses, se aprovava um empréstimo de CINCO MILHÕES de Euros sem qualquer fim definido.

Vejo, ao segundo mês de execução do presente orçamento, uma cabimentação adicional de mais de UM MILHÃO de Euros para Recursos Humanos e nem mais um cêntimo para a economia local ou para a ação social (quando o orçamento foi elaborado, em outubro, não se esperava um novo confinamento tão severo como o que vivemos agora) que tanto se justificava. O que motivou este reforço de verbas para recursos humanos? Será que já são conhecidos os adversários políticos para as próximas eleições? Ou será que foi só incompetência na realização das contas?

De facto, estão a acabar com os últimos 40 anos. Os últimos 40 anos de muitos empresários ligados ao pequeno comércio, à restauração, à economia local. Estão a acabar com qualquer esperança no futuro. Em troca de quê? Da ânsia de mostrar obra sem olhar para as pessoas, de priorizar o betão em função das famílias, da arrogância de querer que a sua vontade e as suas ideias se sobreponham a tudo e a todos.

Fernando Catarino

22.02.2021 - 14:41

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