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RECORDAR ZECA AFONSO
Por Rosário Vaz
Barreiro

RECORDAR ZECA AFONSO<br />
Por Rosário Vaz<br />
Barreiro É impossível passar sobre a data de 23 de Fevereiro sem recordar essa figura marcante da música e da luta antifascista, o Zeca Afonso.
Passaram 34 anos que desapareceu fisicamente, mas são tantos os testemunhos deixados que é impossível não sentir a constância da sua presença.
Esse é um sentimento de hoje e de sempre.

Em 1983, já muito debilitado, deu uma entrevista ao SETE, jornal da altura, que ocupou quatro páginas, das quais duas se ocuparam com testemunhos de amigos e companheiros de uma vida.
Dele disse António Portugal, instrumentista de guitarra e advogado em Coimbra:
- Foi ainda no liceu que começou a nossa convivência musical e, a partir daí iniciámos um período de dez anos de amizade e vivência que me marcou para toda a vida.
Considero que o Zeca Afonso foi um dos maiores intérpretes do fado de Coimbra.
Na mesma linha de desabafo amigo, Camilo Mortágua, antigo dirigente da LUAR e dinamizador cultural, diz que:
- Para mim, que saí de Portugal muito novo, para só voltar depois do 25 de Abril, embora correndo o risco de exagerar, Portugal é o Zeca.
Na mesma altura, Rui Pato, instrumentista em viola e médico em Coimbra,
declara:
- Andava eu para aí com os meus 13 anos já a tocar viola, em grupos de fado de Coimbra, quando um grande amigo do meu pai, o Dr. José Afonso, me entrou à noite casa dentro com o seu acompanhador e grande senhor da viola de Coimbra, Durval Moreirinhas. Era o Dr. José Afonso e era assim que eu o tratava.
Pediu-me a viola e aí começou um ensaio.
Devo dizer que, a partir daí, tudo mudou na minha vida.
E, continuando os testemunhos, é o Fausto, o cantor, quem nos diz:
- Através das suas propostas arrojadas, o Zeca foi não só o iniciador da Balada, como o homem que esteve sempre à frente das diferentes fases da Música Popular Portuguesas.
Ele é, para mim, a grande referência, quer como compositor e cantor, quer quanto a comportamentos e atitudes.
Ainda no mesmo jornal, Hélder Costa, encenador teatral e dramaturgo, diz de José Afonso:
- O Zeca Afonso é um prático da fraternidade e não só o poeta da fraternidade. Estimo-o imenso. A sua grande sensibilidade e a sua capacidade artística são indiscutíveis.
Francisco Fanhais, cantor, refere:
- O Zeca Afonso é um tipo que sabe fazer amigos. O título do seu disco “Traz um Amigo Também” não é um acaso – é fruto da sua personalidade, da sua arte de fazer amigos.
Outro dos testemunhos vem-nos de Carlos do Carmo:
- Até ao aparecimento do Zeca Afonso, a canção em Portugal era um puro acto de diversão, sem grande critério na forma; e, em termos de conteúdo, nem falar.
Tenho por ele a mais profunda admiração e consideração pelo seu exemplo de coerência.
Em 23 de Fevereiro de 2021, todos estes testemunhos são também, estou certa, os daqueles que com ele continuam a cantar “Grândola Vila Morena”, esse hino à democracia portuguesa.

Rosário Vaz

23.02.2021 - 20:34

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