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As duas margens do Rio
Por João Neves
Barreiro

As duas margens do Rio <br />
Por João Neves<br />
Barreiro A partir do Seixal conseguimos alcançar o Barreiro numa só linha que vai desde a Ponta do Mexilhoeiro até Palhais e, chegados aos terrenos da Siderurgia, a sensação é a mesma. E um “é já ali” sai-nos de modo natural.

As duas margens do Rio

Se perante uma poça de água um salto bem medido é o meio de a transpor, para aqueles que preferem não arriscar existirá sempre a possibilidade de contornar o obstáculo e seguir caminho.

É claro que um rio não é um charco, mas também não é um oceano, e, independentemente de estarmos no Barreiro ou no Seixal, é mais ou menos este o sentimento de quem tem diante de si o Rio Coina, que, para chegar a um lado ou outro, terá de fazer o seu contorno por estrada. Mas nem sempre foi assim.

Quando o regresso ao Barreiro é feito de barco, já perto de atracar aproximamo-nos tanto do Seixal que quase lhe tocamos. E, olhando pela janela, ocorre-nos tantas vezes um “tão longe e tão perto”.

A partir do Seixal conseguimos alcançar o Barreiro numa só linha que vai desde a Ponta do Mexilhoeiro até Palhais e, chegados aos terrenos da Siderurgia, a sensação é a mesma. E um “é já ali” sai-nos de modo natural.
Numa publicação de 1961 já se via com preocupação o desaparecimento da ponte e, em defesa da sua manutenção, destacava-se o serviço público que prestava, que constituía um fator importante nas relações entre os dois concelhos que não podem estar separados por um rio.

Tal viria a ocorrer em 1969. E, depois de tantos anos, é inconcebível que ainda não tenha sido possível reerguer a infraestrutura, que, como alegadamente dito na Imprensa da altura, foi eliminada de propósito por um conhecido empreendedor que hoje dá nome a uma reconhecida fundação.

Uma ligação que, apesar de ferroviária, não se esgotava naquela vertente, e sempre teve outros usos. Uma ligação que é também sentimental e, onde a geografia dos dois territórios se mostrava desfavorável, a ponte era o elemento facilitador de tantas histórias vividas pelos dois lados.

É por isso que não importa a margem onde nos encontramos; o que é relevante em termos de posicionamento é o reconhecimento da importância desta ligação, seja rodoviária, ferroviária ou pedonal e a urgência de a restabelecermos.

João Neves

07.04.2021 - 15:36

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