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COM QUE VOZ….
Emanuel Góis
Barreiro

COM QUE VOZ….<br />
Emanuel Góis<br />
Barreiro Comemorada pela primeira vez em 2003, parece que se convencionou guardar o dia 16 de Abril para celebrar o dia internacional da voz.

Com a celebração da data, pretende-se, ao que consta, chamar à atenção de todos para a importância da voz nos nossos hábitos e qualidade de vida e, consequentemente, os cuidados que devemos observar para a manter e conservar.
Também de acordo com informações que, ´dizem, nos são transmitidas, unidades hospitalares e associações promovem rastreios, sem custos, e alertam a população para os cuidados a ter de forma a prevenir potenciais problemas.
Sinceramente, confesso não ter descortinado qualquer eco dessas iniciativas, ao mesmo tempo que um grande meio difusor para os cuidados a ter com a voz, as televisões, não conseguem encontrar uns minutos nas suas grelhas de programação para dedicar alguns minutos ao assunto, informano as poipulações.

Quase que por obrigação moral, as estações de televisão deste país dizem associar-se ao dia mundial da voz, empregando alguns, nesse dia, uns (poucos) minutos do espaço noticioso para dizer umas balelas sobre a voz e a falta que faz, carpindo lágrimas de hiena - piores que as de crocodilo - para dizerem que se solidarizam com os surdos mudos.

Valeram, enquanto duraram, as conferências diárias sobre a Covid para que fosse possível aos nossos concidadãos que, por infelicidade, não conseguem ter este bem precioso, ir tendo conhecimento do que se passava no nosso país e por esse mundo fora sobre a doença.

No resto, pouco, muito pouco, parece ter sido feito, designadamente, pressões por parte da opinião pública de molde a forçar o poder politico (leia-se) partidos a tomar posição (leia-se) legislar sobre a obrigatoriedade da utilização de linguagem gestual, pelo menos, na transmissão dos noticiários e durante as campanhas eleitorais. No resto, os canais televisivos que o fizessem, num ou noutro programa de interesse nacional sobre os mais variados assuntos, se assim o entendessem.
É que o surdo mudo não fala, mas vota e paga impostos.

Já se pensou que, em vez das televisões gastarem milhares de euros e horas com palradores em certos programas que, embora tendo voz, nem português sabem falar, contratassem alguns de técnicos de linguagem gestual, para que, nesses tais programas, os nossos surdos mudos podessem ter outro tipo de qualidade de vida como os demais, além de darem emprego a algumas pessoas?

Então, vá lá, senhores, mostrem lá a vossa "boa vontade" e deixem-se de falsos moralismos nestes dias.
Por mim e, como dizem os nossos irmãos brasileiros, há muito que me encheram o saco.

Emanuel Góis

18.04.2021 - 00:59

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