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A visão do Rio
Por Ana Lourenço Monteiro
Seixal

A visão do Rio<br />
Por Ana Lourenço Monteiro<br />
Seixal Vejo o Rio.
Cada Rio não está fora das cidades ou das terras que envolve. Simplesmente, faz parte delas.

Tal leva-me a sentar junto a ele, observá-lo e, desta vez, a vê-lo num âmbito estratégico.

...
...Como tal, navego em pensamentos, a procurar identificar onde posso ver projetado o Rio como parte da identidade e da essência de uma cidade... Em relação ao qual haja um plano programado de intervenção, de reabilitação ou recuperação de património, de investimento no seu potencial. Com moinhos, com pontes, com praia, com bicicletas a acompanhar o seu percurso em ciclovias, mas também com o Rio «em modo natura».

Cada cidade possui um Plano Diretor Municipal (PDM), é certo.
Um plano que tem em vista concretizar projetos, projetos que reflitam uma visão.
Uma visão que concilie as ideias que cidadãos, técnicos e eleitos de um município, composto por vários quadrantes políticos, constroem para a sua terra, numa espécie de projeção consensual em defesa dos interesses da população, com impacto em diferentes áreas que complementam o todo da cidade e que siga estratégias nacionais ou até europeias.

Também é certo que, não tarda, estarão aí «em cima da mesa» programas eleitorais «prontos a servir» as próximas eleições autárquicas. Esses, tendo na base o ponto de vista de cada partido, apresentam "um menu" de como servir a população. Não são todos iguais, é certo; cada qual apresenta a sua visão de gestão, dos nossos interesses.


São, portanto, documentos distintos.
Mas, alto lá, a estratégia de um programa eleitoral que «vença as autárquicas» deve respeitar e procurar cumprir a estratégia definida num PDM, correto?
Num cenário ideal, isto traduzir-se-ia em «a população sai sempre a ganhar», já que os seus interesses estão lá defendidos!

Então porque é tão difícil os eleitos não conseguirem satisfazer «gregos e troianos»?
E porque é que, se ocorre uma mudança de cor política num mandato, não se valoriza o que funcionou num mandato com cor política diferente, se adapta ou inova o que há a melhorar, sem a preocupação de "quem é o pai da criança" em cada projeto criado? Sem os partidos «se bliscarem» - de forma, às vezes, tão feia - mesmo à frente dos cidadãos, à frente dos que neles votam e que poderiam encarar os eleitos como exemplo.

E porque é que a população não se envolve mais?
Ou porque é que censura mais do que degusta o bom que surge de cada mandato? E tal não invalida o ter direito e o dever de criticar o que é necessário, mas nos locais próprios, fazendo valer os seus pontos de vista e não perdendo os argumentos em «trocas de bocas». Será que é sempre tudo mau? Ou só num futuro mandato, «é que vai ser bom»?!

Pois é… parece que está tudo interligado.


...
…Entretanto, junto ao Rio, «acordo» dos meus pensamentos utópicos, mas relativos a um mundo em que a Política tem por base a Democracia, a Liberdade, o Poder Local Democrático para servir os interesses públicos.

Um mundo em que existe uma verdadeira preocupação em encontrar diferentes formas de conhecer o que é que as pessoas, de várias gerações, querem a X anos (visão estratégica) para os lugares onde estão e de que fazem parte. Para que aí permaneçam ou regressem um dia. E, assim, para que os cidadãos não falem somente sobre o que lhes «aparece feito» no momento em que se inaugura cada espaço novo ou no fim de cada mandato.

Um mundo em que, de igual modo, as pessoas se preocupam em dar a sua opinião, em "fazer parte" de forma cívica, fugindo de maus exemplos resultantes de politiquices… que mais afastam do que envolvem.


Ouvir, tentar compatibilizar e estimular a proximidade são características de líderes...
Fomentar a participação dos cidadãos para idealizarem as suas terras antes de planear é algo estratégico para gerar envolvimento.
E cada cidadão fazer a sua parte e dar-se a ouvir é um ato de cidadania. Praticar os deveres para alcançar direitos, será assim?


Quanto ao Rio, durante vários anos ouvi dizer que as cidades não se queriam "de costas voltadas" para ele; felizmente, tenho assistido desde há bons anos a esse "voltar" para o Rio.
Mas, com certeza, que se pode fazer mais, para que nas cidades o Rio seja uma extensão das mesmas.
Um lugar em si mesmo, cheio de vida que nele existe e mais pode existir.

Desta vez, escrevo mesmo junto ao Rio... e, como sempre, com o Rio e as cidades nos olhos e no coração.

Ana Lourenço Monteiro
Seixal

25.04.2021 - 02:57

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