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Barreiro, um 25 de Abril às escuras e sem pessoas
Por Fernando Catarino

Barreiro, um 25 de Abril às escuras e sem pessoas<br>
Por Fernando Catarino Com a desculpa da pandemia e escondidos atrás de uma justificação estapafúrdia, o Barreiro fingiu celebrar este ano o 25 de Abril.

Uma terra de resistentes, de luta pela liberdade e pelos direitos dos cidadãos e dos trabalhadores viu, neste ano de 2021, a sua história, a sua dignidade, o seu orgulho serem completamente atacados, desprezados e postos à margem.

Os que nos representam e foram democraticamente eleitos para governar a cidade não fizeram juz à confiança que os Barreirenses depositaram neles. No culminar de um caminho que vem sendo trilhado ao longo dos últimos 4 anos, a democracia no Concelho bateu, efetivamente, no seu fundo.

Na noite do dia 24, além de nada ter sido organizado pela CMB (nem presencial nem on-line), mais grave foi a total ausência do único ato oficial levado a cabo pela força motriz da cidade: o Movimento Associativo.
Apesar da Câmara Municipal do Barreiro ter contratado um avençado para organizar e acompanhar o Movimento Associativo do Município, nem sinal da pessoa ou da associação que dirige, Os Leças. A lei da rolha imposta pelo executivo camarário fez-se sentir com toda a pujança.
Numa noite escura em que nem uma luz dos Paços do Concelho se acendeu para dar alento à luta democrática e valorizar o papel do movimento Associativo em prol da cidade e das pessoas, brilhou o espírito democrático quando chegados ao largo do Mercado 1.º de Maio, onde o microfone aberto permitiu que quem quisesse usasse da palavra em liberdade e democracia para celebrar Abril! Mais uma vez, da governação oficial, nem sinal.

Mais grave ainda, no próprio dia 25 de Abril, uma cerimónia de hastear da Bandeira para ninguém assistir, uma cerimónia feita apenas para aquilo que tem norteado estes 4 anos de governação: as câmaras, os drones e os filmes. As pessoas desprezadas em favor das máquinas.

Podem-se desculpar atrás da Pandemia, mas gostava que todos fizéssemos um exercício de olhar à nossa volta e contássemos quantos Municípios prescindiram de uma cerimónia participada e feita de, com e para as pessoas. Não se pedia, claro, que as regras de distanciamento social fossem desprezadas, mas se pensarmos quantas pessoas estariam, à mesma hora deste momento, enfiadas dentro dos dois Lidl’s que construíram as duas rotundas do Barreiro, questiono-me se não seria mesmo possível organizar uma cerimónia de, com e para as pessoas.

Mas a vida democrática neste concelho tem vindo a diminuir radicalmente nestes últimos 4 anos, ao ponto de assistirmos a intimidações (ao estilo pidesco) contra quem, nas redes sociais, ousa levantar a voz da oposição, mostrar o seu descontentamento e expressar as suas ideias.
Urge repensar o nosso presente e o nosso futuro.
O Barreiro merece melhor.
Crescer no Barreiro significa crescer em liberdade, com profundo respeito pelas pessoas e instituições. Crescer no Barreiro significa honrar e dignificar todos os homens e mulheres que lutaram, sofreram, morreram para nos dar a possibilidade de livremente fazer promessas que não se cumprem e, mesmo assim, voltar a prometer coisas que não se vão cumprir. Crescer no Barreiro significa sentir esta cidade como única, como resistente, como um bastião de luta, força e camaradagem entre as pessoas.
Crescer no Barreiro não é falar para as pessoas através das Redes Sociais e de discursos escritos por outros é, sim, falar com as pessoas, sentir os seus anseios, as suas necessidades, dúvidas e expectativas.
Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!
Viva a democracia!
Viva o Barreiro.
25 de Abril sempre...

Fernando Catarino

25.04.2021 - 20:20

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