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O Dilema Demográfico do Barreiro
Por Luis Tavares Bravo
Barreiro

O Dilema Demográfico do Barreiro<br>
Por Luis Tavares Bravo <br>
Barreiro O Barreiro atravessa uma grave e estrutural crise demográfica. O tema não é novo, mas ganhou contornos estruturais nas últimas décadas. A crua realidade dos dados coloca a nú aquele que é hoje um dos maiores problemas do município: O Barreiro não consegue reter população, não consegue ser atrativo para as famílias - e isso significa que não temos tido políticas publicas eficazes para contrariar uma erosão populacional acentuada.

O Barreiro foi dos concelhos no país que mais perdeu população desde o início do século (-5%), em contraciclo com os restantes concelhos comparáveis da Área Metropolitana de Lisboa (+7%), ou da totalidade dos concelhos que compreende o Distrito de Setúbal (+8%).

As conclusões da análise produzida pela candidatura Dar Futuro ao Barreiro, que durante o mês de maio apresentará 21 barómetros em diversas áreas especificas sobre a evolução do município durante o século XXI, identificou ainda dois fatores que podem ajudar a perceber a complexidade estrutural do problema demográfico do Barreiro:

A primeira evidência indicia que são os jovens adultos que mais optam por sair do Barreiro. A população entre os 24 e 35 anos é a mais tem caído (-21% desde 2001), e o êxodo é evidente à medida que as faixas adultas mais jovens vão terminando os estudos e entrando no mercado de trabalho. Isto significa que a cidade não consegue reter e ser atrativa para a constituição de famílias jovens, e consequentemente detém menos capital humano. Sendo atualmente o concelho do distrito de Setúbal com menor percentagem da população em idade ativa (59% sobre total da população), e o concelho onde a proporção da população ativa sobre o total da população mais caiu (-11,9 pontos percentuais) em toda a área metropolitana de Lisboa.

A segunda evidência é que o Barreiro é um dos concelhos que mais envelheceu neste século, e onde a população sénior mais cresceu em termos de peso. O peso da população acima de 65 anos foi dos que mais cresceu entre 2001 e 2019 na AML e no distrito de Setúbal, e é atualmente o que apresenta maior índice de envelhecimento da Área Metropolitana de Lisboa. O envelhecimento da população é uma tendência demográfica do país, ao que os concelhos da área metropolitana de Lisboa ou do distrito não são isentos. Mas o Barreiro é o que mais envelheceu face aos comparáveis. No princípio do século 21, a percentagem de população sénior no concelho era de 16,2%, abaixo da média dos municípios da média nacional (18%), e dos da área Metropolitana de Lisboa (19%), embora ligeiramente acima da média dos municípios do distrito (15,2%). Atualmente, e de acordo com os últimos dados disponíveis (2019), esta percentagem subiu em 10,5 pontos percentuais para os 26,7% sobre o total da população residente no concelho, e muito acima da média de 22% dos concelhos da área metropolitana de Lisboa e do distrito de Setúbal, e da média nacional de 20%.

Esta crise da demografia, este dilema demográfico do Barreiro, não pode continuar a ser encarado como se de uma fatalidade se tratasse, sobre a qual não podem ser assacadas responsabilidades da condução política. A inércia ou insucesso no que diz respeito a implementação de políticas públicas locais para reter e atrair população são uma realidade que está patente nos indicadores estatísticos, produzidos pelas autoridades competentes. Perder população, é perder capital humano, e é perder atratividade para os investidores, é perder capacidade de consumo e um incentivo à degradação do património. E é lesivo para tudo o que seja estrutural para próxima década na condução política dos destinos do Barreiro. Afinal, quem irá investir numa cidade de onde todos parecem querer sair?

Sem dúvida, que as grandes infraestruturas são sempre a evidente solução mágica. As balas de prata, as “Bazucas” que de um dia para outro tudo mudam e transformam. Há décadas que os Barreirenses vivem nas promessas dos projetos internacionais transformadores. Mas a história tem provado que as balas de prata são cada vez mais resultado de difíceis e complexos equilíbrios. O Barreiro não tem mais tempo para esperar pelos projetos providenciais. Deve agir politicamente a nível local o quanto antes.

Ao Barreiro seria mais útil trabalhar com o que tem para este combate, e levá-lo a sério, para além da narrativa política da espuma dos dias. E este caminho passa por produzir um consenso político de médio prazo para produzir uma estratégia efetiva (e elaborar uma espécie de relatório Porter para o Barreiro), que defina objetivos claros e mensuráveis, com dotação orçamental relevante para até 2030, inverter a curva, e voltar a ser um município Grande, Jovem e Atrativo para famílias e empresas.

Luis Tavares Bravo

02.05.2021 - 11:47

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