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Existem sinais de degradação de qualidade nas escolas públicas do Barreiro
Por Luís Tavares Bravo
Barreiro

Existem sinais de degradação de qualidade nas escolas públicas do Barreiro<br />
Por Luís Tavares Bravo <br />
Barreiro<br />
O ensino público no município de excelência e que foi durante décadas um caso de estudo nacional, pela coordenação e integração com a indústria, já não existe. Para além da ausência de conceito específico local, existem indícios de desinvestimento no mais importante ativo de todos – o capital humano.

O Barreiro tem mantido desde 2000 taxas elevadas de população matriculada sobre a população total local (18,6%), estando atualmente acima aliás das médias da área metropolitana de Lisboa (17,1%) e do distrito de Setúbal (16,7%). Isto acontece, mesmo apesar da erosão demográfica, que teve impacte sobre a população mais jovem e consequentemente sobre o número de alunos matriculados nas escolas do concelho, que caíram 3,5% em contraciclo com os municípios comparáveis da AM Lisboa e do Distrito de Setúbal, onde o número de alunos matriculados cresceu respetivamente 6,9%, e 6,7% desde 2001.

Apesar de manter boas estatísticas de participação escolar, verificou-se uma degradação do capital humano das escolas ligadas aos ciclos da escolaridade obrigatório - o pessoal docente. O Barreiro perdeu 16% do quadro de professores desde o princípio do séc. XXI, apesar de ter perdido apenas 3,5% de alunos, e esta perda de professores foi desigual, com destaque para o 2º ciclo, onde o quadro de docentes caiu 32%, apesar do quadro total de alunos ter crescido ligeiramente face ao início do século XXI. Sem números públicos disponíveis que permitam uma melhor aferição, são também conhecidas as fragilidades que as escolas do concelho têm tido no recrutamento e manutenção de pessoal auxiliar suficiente para manter padrões de qualidade suficientes para que as escolas funcionem em completa segurança.

Por fim, ainda existe um caminho importante a percorrer para que todas as famílias do concelho possam beneficiar da rede pública de pré-escolar, uma variável relevante para reter e captar habitantes nos próximos anos. A rede pública pré-escolar tem vindo a crescer desde o princípio do século, e a oferta pública atinge 56% do total de crianças matriculadas no pré-escolar, sinal de que existe ainda uma percentagem significativa de famílias que necessitam de recorrer a instituições privadas para ter acesso a este grau de ensino.

Estas são algumas das conclusões do relatório de impacte sobre a evolução do município durante o século XXI, produzido pela candidatura Dar Futuro ao Barreiro, e que durante o mês de maio apresentará 21 barómetros em diversas áreas especificas sobre as últimas duas décadas. A análise identificou várias evidências que comprovam esta realidade, e que em vésperas das autarquias assumirem maiores responsabilidades na gestão escolar, ganham maior relevância.
Estas evidências, suportam a tese de o Barreiro necessita de implementar um conjunto de políticas públicas locais que permitam estabilizar os quadros de professores e de pessoal auxiliar, para além da criação de um conceito estratégico local de ensino, que torne as escolas publicas uma mais-valia do município, formadora de jovens com potencial e que por si seja também um fator diferenciador para reter as famílias.
Um exemplo do conceito local de ensino é a integração de projetos chave escolar nos programas de contrapartidas públicas para investimentos de grande dimensão privada. Um dos projetos imobiliários de maior mediatismo dos últimos anos, tem sido a Quinta Braancamp. Que convive com uma das mais emblemáticas escolas de Portugal do século XX, a Escola Alfredo da Silva. Que se encontra atualmente desatualizado em termos de conceito escolar e em património. A execução de um projeto imobiliário estratégico naquele território, que ignorou a necessidade de reformar e reabilitar uma escola desta importância, representou uma oportunidade perdida em termos de escolhas de contrapartida pública. E que constituiu uma ultrapassada forma de pensar projetos estruturantes no território. Pensar Braancamp deveria ser pensar na requalificação da infraestrutura e do conceito da escola Alfredo da Silva enquanto contrapartida pública.

Luís Tavares Bravo,
Economista.

16.05.2021 - 10:18

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