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Como inverter a queda de população do Barreiro?
Por Luís Tavares Bravo
Barreiro

Como inverter a queda de população do Barreiro?<br />
Por Luís Tavares Bravo<br />
Barreiro É oficial. O Barreiro perdeu sempre população desde que entrámos no século XXI. A divulgação dos números oficiais dos censos vieram confirmar a tese que referi aqui neste espaço num artigo de opinião de julho (ler aqui), na sequência do estudo 21 barómetros sobre 21 anos do século XXI no Barreiro. E a conclusão é clara. Existe uma séria e estrutural crise demográfica no nosso concelho.

O Barreiro perdeu população, e dimensão critica que permita capturar investimento estruturante

Este é por isso, o momento de despertar a sério para esta realidade. É preciso fazer mais para contrariar a erosão demográfica no Barreiro, que continua a perder população, em contraciclo com a área metropolitana de Lisboa. Será aliás, em minha opinião, o grande desafio de médio prazo do município, e que a todos os partidos deve mobilizar politicamente. A dimensão demográfica é relevante para o sucesso de uma cidade. É o número de pessoas, famílias e empresas que determinam em larga medida a sustentabilidade de um município e da sua qualidade de vida. Não é por acaso que muitos fundos de investimento que são verdadeiramente relevantes para grandes projetos apenas poderem investir em negócios em municípios com “área de influência” com mais de 400 mil habitantes. Porque oferece estabilidade em termos de poder de compra dos consumidores, porque oferece estabilidade de preços em termos do segmento imobiliário. Talvez, também por isso, tenhamos tido dificuldade em captar fundos institucionais com compromisso de 20 a 30 anos (como os chamados fundos “core”, e tenhamos investidores com estratégias de saída mais imediatas).

A dimensão populacional de uma cidade e a sua área de influência são fatores determinantes, para capturar investimento, e para evitar a migração de população (ler aqui ) que é outro problema que afeta o Barreiro de forma grave - a população entre os 24 e 35 anos é a mais tem caído (-21% desde 2001), e o êxodo é evidente à medida que as faixas adultas mais jovens vão terminando os estudos e entrando no mercado de trabalho. Por isso, o Barreiro deve implementar políticas públicas que ambicionem reter e atrair famílias e novos habitantes, e ao mesmo tempo criar as infraestruturas que alarguem a área de influência da cidade – por exemplo promovendo ligação ao concelho do Seixal. O Barreiro é hoje um município de média dimensão (com menos de 100 mil habitantes), com barreiras de acessibilidade aos concelhos vizinhos que diminuem a sua área de influência, e que perde população enquanto os municípios comparáveis ganham população.
Inverter o ciclo. Um pacto de regime para fazer do Barreiro município grande, acessível e atrativo

Este é o verdadeiro problema estrutural para o futuro do Barreiro. Resolvê-lo começa por reconhecer a severidade do mesmo e por:

1) criar um compromisso político entre os diferentes eleitos (e não apenas o executivo), para um mínimo de dois mandatos;

2) criar uma estrutura de missão com meios financeiros relevantes para desenhar uma estratégia (um relatório “Porter” para o Barreiro) com medidas mensuráveis e visíveis que opere com um único objetivo ambicioso: até 2030 inverter o ciclo demográfico e fazer do Barreiro um concelho de Grande Dimensão.

3) esta estrutura de missão pode ser designada por uma estrutura com capacidade de trabalhar a médio prazo, que pode até, à semelhança do que outros municípios fazem, caber no mandato de uma “InvestBarreiro” e onde deve existir representação consultiva de membros de todos os partidos representados na vereação, e dotada com um valor nunca inferior a 5% das receitas anuais de IMI. Porque o IMI? Porque é o imposto que mais subiu desde 2000, e é razoável parte deva estar destinado a ajudar o Barreiro a inverter a erosão demográfica. Uma espécie de fundo de reserva - destinado a apoios a quem reabilitar, construir casas com rendas sustentáveis, apoiar estudantes com bolsas de estudo, entre outras medidas que podem ser abrangidas nesta estrutura de missão.

Elevar o debate. Unir para defender o futuro da cidade

O ponto de partida passa por assumir a erosão demográfica como o problema estrutural do Barreiro que representa. E construir um diálogo que permita olhar para uma solução, despartidarizando o passado, e mobilizando politicamente para uma estratégia sustentável que permita construir futuro. Um que traga um Barreiro Grande e atrativo para as famílias. Seja isso possível, e sem propagandas estéreis, poderá ser construída uma solução que represente um legado político que a todos os munícipes pode beneficiar, e realmente fazer a diferença. Haja a humildade política para o fazer.

30.07.2021 - 13:37

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