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A luta pela Braamcamp valeu e valerá a pena
Por André Carmo
Barreiro

A luta pela Braamcamp valeu e valerá a pena<br />
Por André Carmo<br />
Barreiro Carlos Matos, empresário dono da empresa Saint-Germain Empreendimentos Imobiliários e arguido na operação Triângulo, desistiu da compra dos terrenos da Quinta do Braamcamp. Isto é uma excelente notícia para o Barreiro e para a sua população.
Uma excelente notícia nos domínios da conservação ambiental, da preservação e valorização do património cultural e paisagístico, do combate à especulação imobiliária e da prevenção dos riscos naturais.

Aquilo que não podia deixar de ser visto como um crime urbanístico lesivo dos interesses do concelho e do seu futuro, um impulso irracional que todos iríamos pagar caro, parece ter chegado a um beco sem saída.

Caiu por terra uma das grandes bandeiras do PS Barreiro para o atual mandato: a privatização de terrenos que haviam sido recuperados para a esfera pública pela CDU. O urbanismo-negócio, perspectiva que orienta o executivo PS que nos tem governado nos últimos quatro anos, com a generosa cumplicidade do PSD local, sofreu mais um rude golpe.

Contra o cinismo de todos aqueles para quem a realidade é o que é e nunca pode mudar e contra a rapinagem autárquico-imobiliária que se adivinhava, foram muitos os cidadãos do Barreiro que, individualmente e em coletivo, não baixaram os braços e foram à luta. Participando, intervindo, agitando e propondo alternativas. Construindo soluções diferentes que não entregassem parte do Barreiro à voracidade especulativa de quem olha para o espaço urbano como uma oportunidade de negócio e não como local de encontro, relação e conforto.

Mas esta nunca foi a opção do atual executivo. Cientificamente irracionalista, politicamente irresponsável e economicamente glutão, apostou tudo na solução fácil e imediata que só o mercado parece oferecer. Parece mas nunca oferece, como muitos sabemos. A fatura para os barreirenses já deve estar a caminho dos Paços do Concelho. A responsabilidade, essa, é única e exclusivamente dos aventureiros políticos do PS que ainda exercem o poder autárquico no Barreiro.

Quando nos aproximamos de mais umas eleições autárquicas, seria bom que todos fossemos mais exigentes com aqueles que devem zelar pelos interesses da comunidade a que pertencemos. Que, por ressentimento ou saturação, desconfiança generalizada ou anti-comunismo visceral, não nos deixássemos seduzir por promessas vazias e desprovidas de substância – dão-se alvíssaras a quem já tenha dado uma volta na roda gigante prometida em 2017 –, por empreendedorismos de pacotilha ou por grandes obras emblemáticas que, depois, vai-se a ver e nada.

Tanta megalomania e ímpeto messiânico, tanto verniz triunfalista e ruptura com o passado e, afinal, vai-se a ver e, como diria o atual primeiro-ministro António Costa, é tudo muito poucochinho. Poucochinha competência técnica e poucochinha capacidade de gestão autárquica, acrescento eu. Quando a única solução para os problemas existentes é esperar que seja o mercado a resolvê-los, estamos conversados em termos da capacidade do atual executivo PS defender o interesse público e os cidadãos do Barreiro.

A luta pela Braamcamp valeu e valerá a pena. Lutar, vale sempre a pena. Ganham os barreirenses de hoje e os de amanhã. Ganha o Barreiro.

31/07/21
André Carmo, geógrafo e professor universitário

01.08.2021 - 00:31

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