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Conversas no Largo da Terra
Vacinação Covid
Novo foco em novas prioridades
Por Mário Durval
Barreiro

Conversas no Largo da Terra<br />
Vacinação Covid<br />
Novo foco em novas prioridades<br />
Por Mário Durval<br />
Barreiro A situação epidemiológica da covid-19 exige uma rápida atuação estratégica tendo em conta as mudanças nos grupos com maior incidência da infeção. A saúde pública como disciplina de análise e atuação sobre as populações como um todo, deve estar atenta à evolução da incidência nos vários grupos em análise para que a atuação seja coerente com as necessidades

Se no início do processo de vacinação era claro que o grupo prioritário se situava nos mais velhos, pois para além da incidência ser muito elevada, as taxas de letalidade eram assustadoras, atualmente o raciocínio de saúde pública deve orientar-nos para o grupo etário 18/29 anos pois são estes jovens adultos que têm as maiores incidências e são, neste momento os principais veículos da disseminação do vírus.

O principal problema que estamos a enfrentar neste momento é a rápida disseminação da nova variante delta tendo como protagonistas os jovens adultos, que não tendo uma perceção de risco direto de muita gravidade, não assumem um papel de contenção dos contágios. O foco da comunicação concentrado sempre nas restrições das liberdades acabou por desvalorizar o papel dos cidadãos na contenção da pandemia com o consequente desleixo nos comportamentos individuais assim que são anunciadas novas liberdades.

Para determinar prioridades em saúde pública temos de analisar os fenómenos de saúde e doença sob vários pontos de observação. Temos de selecionar os critérios sob os quais iremos acompanhar a evolução dos fenómenos e em função da relevância de cada um definir prioridades de intervenção. No caso da covid19 teremos de atender à dimensão quer da incidência e prevalência quer da mortalidade e letalidade, também ao impacto social e económico do problema e das medidas adotadas, assim como às soluções técnicas disponíveis para o combate à pandemia nas várias frentes. Se olharmos para estes critérios de análise qualquer um compreende que ao longo do tempo se observam alterações significativas quer globalmente, quer por grupos específicos da população. Por isso, as medidas de saúde pública devem ser tomadas em função da globalidade dos fenómenos e não em função de exceções e situações mais mediáticas. Há que começar a pedir medidas globais para as situações com significado nacional e medidas locais para o combate a situações de exceção mas com impacto na comunidade. Como na guerra são os generais que decidem as movimentações globais mas é o comando do pelotão que decide ocupar um pequeno reduto.

Resumindo, e tendo apenas em conta a situação pandémica, a estratégia de vacinação deve ser considerada como o principal obstáculo à progressão da pandemia, face à falta de empenhamento/envolvimento da população nas medidas de proteção individual. Devido ao grau de incidência da infeção no grupo 18/29 anos que se constitui como o principal difusor do vírus, devia ser dada prioridade a este grupo etário através da atribuição de mais de 50% das inoculações. A segunda prioridade devia estar nos grupos de risco analisados localmente pela saúde pública, tendo sobretudo em vista os ainda não vacinados de grupos etários elevados e que continuam a constituir o grosso dos óbitos.
É urgente alterarmos a estratégia de vacinação para infletirmos o caminho da pandemia.

Mário Durval
Médico de Saúde Pública

06.08.2021 - 22:59

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