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MODA? PRECONCEITO?
Por Emanuel Góis
Barreiro

MODA? PRECONCEITO?<br />
Por Emanuel Góis<br />
Barreiro Nota: O presente texto contém expressões que podem ferir a sensibilidade de algumas pessoas.

Reconheço que nasci num tempo em que falar da sexualidade era “tabu”, qualquer que fosse o local ou situação em que a discussão do assunto se pudesse proporcionar, fossem rapazes ou raparigas, homens ou mulheres.

Tempos em que andar de mão dada era já um avanço para a época e, conseguir um beijinho ou estar de mãos apertadinhas a ver o Gianni Morandi no “non son degno di te” era uma conquista digna dos mais atrevidos.
Falar em turmas mistas, mesmo como agora apregoam os talibãs ao colocarem numa sala homens e mulheres separados por uma cortina (dizem eles) seria uma mudança de mentalidade que ninguém se atreveria a suscitar, quando as meninas ainda se assustavam com a menstruação.

Aliás, até as entradas para as escolas, quer primárias ou secundárias, eram efetuadas por portas distintas e, até os “recreios” na primária – assim se chamava naquele tempo – eram em edifícios distintos. Pelo menos comigo aconteceu.
Contudo, para não me colocarem na pré-história ou fazerem de mim algum dinossauro encontrado em Foz Côa, tenho de dizer, em abono da verdade, que ainda apanhei turmas mistas e entradas comuns, já no secundário, o que não deixou de constituir um momento de transição histórica de mentalidades.

Ora, se isto se verificava com os alunos de ambos os sexos, imagine-se o que se passaria, quando alguns e algumas revelavam (des)orientações sexuais, como agora se diz, embora, tal constatação fosse mais visível nos rapazes.
No que dizia respeito a elas havia um pouco mais de reserva (ou disfarce) até, porque, a vida feminina estava mais condicionada ou, se se quiser, subalternizada e, consequentemente, mais reservada em público, já que uma mulher de “mau porte” era, perpetuamente, estigmatizada pelo linguarejar social, quando conhecidas tais “aberrações”, fundamentalmente, entre os que mais privavam no dia a dia.

Tentava-se, obviamente, por uma questão de vergonha, esconder ao máximo essa homossexualidade, neles e nelas, até que se viesse a saber um dia. Isto, porque, tinha-se como certo que, até ao falatório geral, a propagação da “notícia” tinha quase a velocidade da luz.
Porém, em abono da verdade, não me recordo que tal significasse que fossem marginalizados. Pelo menos, entre os amigos. E convivi na adolescência com alguns e algumas (que até vieram a tornar-se famosos) onde, conhecidas as diferenças, não deixarem de conviver com os heterossexuais e serem amigos.

Naturalmente, não afasto e nem rejeito que, num ou noutro caso, fossem alvo de piadas quando se manifestavam publicamente mais ousados, mas tal não significava, na sua maioria, que fossem ostracizados ou excluídos.
Falamos em preconceito social? Sim, admito e, mais, reconheço. Era esse o pensamento social, transversal, relativamente a elementos de todas as classes sociais, ricos e pobres, dirigentes políticos e partidários, artistas, professores, magistrados, ministros, jornalistas, operários, sei lá, fossem eles quem fossem, que foram, nalguns casos, alvo de chacota e maledicência pública, escrita, falada e visual.

Como referi acima, se havia preconceito entre sexos opostos relativamente aos temas da sexualidade, como poderia não existir quando esta se manifestava entre pessoas do mesmo sexo?
Claro que, uns mais que outros, sabiam evitar qualquer escândalo social, preservando as suas vidas secretas, quando em sociedade. Não sou sexólogo, mas não compreendo que o homossexual não consiga reprimir e conter os seus instintos uma vez na presença de outros, seja no trabalho ou noutro campo qualquer, tal como a generalidade dos seres humanos. O que seria, se assim não fosse?

Claro que, uma vez descoberto, em alguns casos sentisse essa vergonha e o generalizado “preconceito social”.
Todavia, a “exibição” desse apetite sexual não pode, sem mais, explicar-se, pois, se assim fosse, deixar-se-ia de reprimir e condenar o assédio, fosse entre hétero ou entre homossexuais.

Uma vez expostos, advinha-se a reação dos demais. E, não se diga que se não conseguem conter tais ímpetos.
Neste vasto campo da sexualidade, havia e, há, aqueloutros que faziam e, fazem, actualmente, com grande alarido, “gala” daquela, chamemos-lhe, no caso, contra natura.

Esses, eram aqueles e são, ainda hoje, as chamadas “bichas”, “paneleiros”, “rabos”, “rabichos”, “panascas”, “ larilas” enfim, uma panóplia de adjetivações qualificativas. No caso delas, o calão definidor passava por “fufas” ou “fessureiras”.

Os termos “lésbicas” e “ gays” são já denominações modernas, a que não são alheias as influências trazidas pelas alterações verificadas na relação entre as sociedades, e que se entendeu designar por globalização.

Como em tudo na vida e, em todas épocas, sempre existiram os envergonhados e os descarados. Em ambos os sexos.
Mas, diga-se, sobressaía, sem dúvida, em maior número, aqueles que sentiam a necessidade de travar a exposição pública dessa homossexualidade, muitos e muitas com vida dupla. Casados e casadas, com filhos, com uma vida exterior completamente irrepreensível, todos resguardados nessa sua escondida sexualidade. Eles e, elas.
Contudo, hoje tudo mudou. Diria até, que se passou do oito para o oitenta.

Refiro-me ao que se verifica por toda a parte do globo, concretamente, as manifestações dos que, pretendendo defender a “sua causa”, exageram na “exigência” da defesa da aceitação e reconhecimento das suas diferenças, fazendo gáudio em se exibirem, muitas delas (manifestações) em manifesto ridículo.
Ou seja, da reserva da vida privada de cada um, do preconceito social, passou-se a ter necessidade de se exibir uma sexualidade diferente. O que era preconceito, tornou-se Moda.

Não raras são as figuras públicas e famosas em todos os sectores da sociedade que vêm, amiúde, dar conhecimento ao mundo da sua tendência sexual. Que tem o comum dos cidadãos a ver com isso? Vaidade? Necessidade de sobressaírem dos demais? Libertação de egos? Afirmações pessoais e recalcamentos” Exibicionismo? Moda?
Não deixa de ser verdade que, em contraste com antigamente, hoje o facto de se ser homossexual ou bissexual também tem as suas vantagens em alguns sectores, falando-se, inclusive, em fortes e expressivos “lobies nos diversos sectores da sociedade.

Não sei explicar, nem a tal me atreveria. Deixo isso para os psicólogos, sociólogos, antropólogos e…Segismund Freud.
Por conseguinte, a homossexualidade sempre foi ao longo da História uma questão inerente ao ser humano - e até aos animais - pelo que, não é uma questão desta ou daquela época histórica em concreto. Tabus sociais? Preconceitos? Modas? Sim, talvez tudo isso.
Homossexualidade? Sempre irá existir. Com preconceitos e com modas.

Por mim, entendo que merecem o respeito da sociedade e que, enquanto membros desta, não seja, por terem orientações sexuais distintas da normalidade (a natureza criou a oposição de sexos em todos os seres vivos por alguma razão) sejam afastados e despeitados na igualdade dos seus direitos enquanto seres humanos.
Mas, por favor, abstenham-se de assédios mentais, coreografias em passarelas carnavalescas, fanfarras e fanfarronices. Assumam as diferenças, discretamente, como se exige a todos, aliás.
Mas não façam das vossas diferenças e distintos apetites sexuais, simplesmente, uma moda.

Esforcem-se por guardar para vós, a vossa homossexualidade. Não façam dela bandeira de falsos e envergonhados “orgulhos gay”.
É, francamente, prática e teórica doutrina vazia e sem substância, a meu ver. E fica mal. Soa mal.
Se insistirem muito, podem criar de novo os anticorpos e os antigos preconceitos que, agora, se tornaram moda, podem voltar.

Emanuel Góis

09.09.2021 - 23:03

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